O acúmulo de exceções ao arcabouço fiscal de 2024 a 2026 pode resultar em um volume de R$ 163,8 bilhões. Para o próximo ano, a se confirmarem todas as previsões fora da meta, o montante pode chegar a até R$ 88,5 bilhões.
O arcabouço foi aprovado em 2023 para vigorar a partir de 2024. O objetivo da ferramenta pública é orientar o controle dos gastos públicos e levar as finanças do resultado de déficit para superávit.
Déficit é quando o governo tem mais despesas do que receitas; superávit é quando acontece o contrário.
As exceções ao arcabouço tinham caráter inicial de contemplar gastos que não poderiam ser planejados e incluídos no orçamento, mas valor foi crescendo ao longo dos anos.
No próximo ano, há a previsão de exceção de R$ 88,5 bilhões. Do total, R$ 10 bilhões se referem a déficit com estatais. Para as Forças Armadas, estão previstos R$ 5 bilhões que não entrarão nas contas para apuração do resultado fiscal do governo diante do arcabouço fiscal.
Os R$ 10 bilhões de exceção para estatais estão associados à grave crise financeira do Correios. Só até setembro, o prejuízo acumulado no ano era de R$ 6 bilhões. Na última quinta-feira (4/12), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não descartou um aporte do Tesouro Nacional à estatal, desde que seja aprovado um plano de reestruturação.
2024 e 2025
Com base no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP), elaborado pelo Tesouro Nacional, em 2025 ficarão de fora da contabilidade para verificar o cumprimento da meta fiscal 43,3 bilhões.
Em 2024, conforme a Instituição Fiscal Independente, ligada ao Senado, foram excluídos R$ 32 bilhões da meta fiscal. A maior parte do valor foi referente a recursos extraordinários destinados ao Rio Grande do Sul, como forma de apoio por causa da calamidade decorrente das chuvas e também auxílio para reconstrução do estado.
A meta fiscal do arcabouço
Em 2025, a meta fiscal é de déficit zero. No entanto, há uma tolerância de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) (R$ 31 bilhões) para mais ou para menos. Com as exceções ao arcabouço, o governo espera um resultado dentro do limite inferior, ou seja, déficit de até 31 bilhões para este ano.
A meta fiscal para o próximo ano é de superávit de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34 bilhões, com intervalo de 0,25% para cima ou para baixo, ou seja, o piso inferior é de déficit zero.
“Ainda que a intenção de se criar bandas em torno do centro da meta de resultado primário seja interessante do ponto de vista da acomodação de choques inesperados, na prática, de acordo com o observado nos dois últimos anos, o Poder Executivo tem perseguido o piso da banda ao longo da execução financeira dos exercícios. Isso configura, na prática, um desvio em relação à meta de primário fixada nas diretrizes orçamentárias”, pontua relatório da Instituição Fiscal Independente.
Leia também
Igor Gadelha
Tebet admite que governo “dificilmente” alcançará déficit zero em 2025
Brasil
Contas externas registram déficit de US$ 5,1 bilhões em outubro
Economia
Governo aumenta expectativa de déficit em 2025 para R$ 34,2 bilhões
Economia
“Empoçamento” pode ajudar governo a se aproximar do déficit zero
O Tribunal de Contas da União (TCU) tem alertado o governo para que mire no centro da meta e não o limite da tolerância.
Consequências dos gastos
Quando o governo tem déficit, ou seja, gasta mais do que arrecada, precisa tomar empréstimos. Uma das consequências desta maior necessidade de tomar empréstimos é apontada pelo mercado como uma maior taxa de juros.
Atualmente, a taxa básica de juros da economia, a Selic, está em 15% ao ano. O percentual é definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom), cujo colegiado se reúne nesta terça e quarta-feira (10/12) para definir se mantém, eleva ou reduz o índice.
Fonte: https://www.metropoles.com/brasil/economia-br/gastos-fora-do-calculo-da-meta-fiscal-podem-acumular-r-1638-bilhoes

