A diplomacia e a política brasileira reagiram com indignação institucional nesta segunda-feira (27) após a divulgação de declarações misóginas e xenofóbicas proferidas por Paolo Zampolli, enviado especial para assuntos globais do governo de Donald Trump. A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) protocolou duas medidas drásticas na Câmara dos Deputados com o objetivo de banir oficialmente o assessor do território nacional.
O movimento da parlamentar ocorre após Zampolli, em entrevista à emissora italiana Rai 3, afirmar que as “mulheres brasileiras são programadas para causar problemas”. Em trechos gravados sem que ele percebesse, a agressividade escalou para ofensas de baixo calão, utilizando termos como “raça maldita” e “vacas” ao se referir a brasileiras, incluindo sua ex-mulher, a modelo Amanda Ungaro, que o acusa de violência doméstica.
Blindagem institucional e soberania
Gleisi Hoffmann apresentou um projeto de lei e um projeto de resolução. O primeiro visa declarar Zampolli persona non grata em todo o país, acionando a Lei de Migração para impedir seu ingresso e permanência em solo nacional. O segundo foca no âmbito da Câmara, manifestando o repúdio da Casa e recomendando que o Itamaraty adote as medidas diplomáticas cabíveis.
“As mulheres brasileiras não serão tratadas com desprezo por aliado de Trump, representante estrangeiro ou qualquer pessoa que ache que pode humilhar o Brasil impunemente. Relação diplomática exige respeito, reciprocidade e soberania”, afirmou Gleisi.
Reação em cadeia no Legislativo e Executivo
O cerco contra o assessor de Trump não se restringe à Câmara. No Senado, o presidente da Comissão de Relações Exteriores, Nelsinho Trad (PSD-MS), também informou que apresentará requerimento para tornar Zampolli indesejado no país, exigindo uma retratação formal.
O governo federal, por meio do Ministério das Mulheres, emitiu nota dura reforçando que misoginia não é opinião, mas sim prática criminosa e incitação à violência. A primeira-dama, Janja Lula da Silva, também se manifestou nas redes sociais: “Não somos programadas para nada. Somos pessoas com voz, com sonhos, e lutamos diariamente para viver com dignidade”.
Histórico de Zampolli
Ex-empresário do setor de agenciamento de modelos e figura próxima ao círculo íntimo de Trump, Paolo Zampolli tentou desqualificar as acusações de violência doméstica feitas por sua ex-esposa durante a entrevista, alegando que marcas no corpo dela seriam decorrentes de práticas esportivas. Amanda Ungaro, por sua vez, tem se posicionado como uma crítica feroz do sistema que envolve Zampolli e o próprio casal Trump, mencionando inclusive conexões com o nebuloso caso Epstein.
Com o protocolo das medidas por Gleisi Hoffmann, a Câmara agora deve acelerar a votação para dar uma resposta política à altura da gravidade das ofensas. Para o governo brasileiro, o episódio é visto como uma oportunidade de reafirmar que o alinhamento político de agentes estrangeiros com lideranças de direita não lhes dá salvo-conduto para agredir a dignidade do povo brasileiro.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/gleisi-assessor-trump-brasileiras-persona-non-grata/

