A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, criticou a promoção do procurador Januário Paludo ao posto de subprocurador-geral da República. A reação veio depois de o Conselho Superior do Ministério Público Federal promover Paludo por antiguidade, em sessão realizada na terça-feira (7).
Em publicação nas redes, Gleisi afirmou que a ascensão de Paludo é “um péssimo sinal” enviado pelo comando do Ministério Público à sociedade. A ministra disse ainda que o procurador atuou, “junto com Moro e Dallagnol”, em uma “farsa judicial” contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anulada pelo Supremo Tribunal Federal por parcialidade e motivação política.
A promoção foi informada pela Associação Nacional dos Procuradores da República. Segundo a entidade, além de Paludo, também foram promovidos Carlos Augusto da Silva Cazarré e Mônica Campos de Ré.
Grupo “Filhos de Januário” voltou ao centro da reação
Ao atacar a promoção, Gleisi também resgatou o passado de Paludo na força-tarefa de Curitiba. O procurador dava nome ao grupo de Telegram “Filhos de Januário”, revelado pela Vaza Jato e repercutido pela Fórum em sua cobertura sobre os bastidores da Lava Jato.
O nome de Paludo aparece em diferentes episódios ligados à operação conduzida por Sergio Moro e Deltan Dallagnol. Em uma das reportagens da série Vaza Jato, já recuperada pela Fórum, as mensagens atribuídas a integrantes da força-tarefa expuseram métodos, alinhamentos internos e a atuação coordenada entre acusação e magistrado.
A revista também mostrou que Paludo apareceu nas mensagens da Vaza Jato em diálogos sobre o caso do sítio de Atibaia, um dos processos que depois seriam atingidos pelas decisões do Supremo sobre a atuação de Moro.
Gleisi fala em prêmio indevido a integrante da Lava Jato
Na postagem, Gleisi afirmou que a promoção de Paludo, ainda que por antiguidade e não por mérito, representa um “prêmio absolutamente indevido”. Para a ministra, os métodos da Lava Jato foram repudiados pela comunidade jurídica e deixaram prejuízos ao país e às instituições.
A crítica também mira o simbolismo da decisão. Paludo foi um dos nomes mais associados ao núcleo da operação em Curitiba e sua promoção recoloca no topo da carreira do Ministério Público um personagem identificado com a Lava Jato de Moro e Dallagnol, hoje marcada por decisões do STF que reconheceram parcialidade judicial no caso de Lula.
Foi justamente esse histórico que Gleisi trouxe de volta ao debate ao afirmar que premiar “um de seus mais salientes integrantes” é um desserviço ao Ministério Público e à imagem pública da instituição.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/gleisi-januario-paludo-lava-jato/

