O Instituto Conhecer Brasil, ONG ligada à produtora de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, recebeu prazo de 15 dias do governo Lula para regularizar a prestação de contas de um convênio de R$ 1 milhão financiado por emenda do deputado federal Mario Frias (PL-SP).
A cobrança foi revelada pela Folha de S.Paulo. No Portal da Transparência, o convênio 971232 aparece com situação de “aguardando prestação de contas”, valor liberado de R$ 1 milhão e vigência encerrada em 11 de janeiro de 2026.
O instituto é presidido por Karina Ferreira da Gama, também sócia-administradora da Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse. A Fórum revelou que emendas de Mario Frias abasteceram entidades ligadas ao entorno da produtora do filme de Bolsonaro.
Instituto Conhecer Brasil pode ficar inadimplente no governo Lula
Segundo a Folha, o ofício do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação é de 17 de junho e afirma que, se a documentação completa não for apresentada no prazo, a pasta iniciará os procedimentos para declarar o Instituto Conhecer Brasil inadimplente.
A medida pode levar a ONG a cadastros restritivos do governo federal, como Cadin, Siafi e Transferegov. A etapa seguinte pode ser a abertura de Tomada de Contas Especial, procedimento usado pela administração pública para apurar fatos, quantificar eventual dano ao erário e identificar responsáveis.
O convênio foi firmado com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O objeto oficial era desenvolver metodologia de letramento digital e empreendedorismo para capacitar adultos e adolescentes a atuarem como multiplicadores e atender crianças do 4º e 5º anos do ensino fundamental em escolas públicas municipais.
Prestação de contas venceu após repasse integral de R$ 1 milhão
O Portal da Transparência registra que o convênio teve início em 26 de dezembro de 2024, fim de vigência em 11 de janeiro de 2026 e publicação em 30 de dezembro de 2024. O valor total, de R$ 1 milhão, aparece como integralmente liberado ao convenente.
De acordo com a Folha, o prazo final para a prestação de contas terminou em 11 de abril, 90 dias depois do encerramento da vigência. A ONG pediu prorrogação em 22 de maio, mas o ministério negou a solicitação em 2 de junho.
A negativa ocorreu porque pedidos de prorrogação do período de execução deveriam ter sido apresentados até 12 de dezembro de 2025, 30 dias antes do fim da parceria, segundo a reportagem.
Dark Horse, Karina Gama e Mario Frias já estavam sob escrutínio
A nova cobrança do governo Lula amplia a pressão sobre a rede de entidades e contratos ligados a Karina Gama, empresária que aparece no centro da produção de Dark Horse. A Fórum também mostrou que a produtora Go Up Entertainment declarou custo de R$ 75,1 milhões para o filme, mas não comprovou os gastos em laudo econômico citado na apuração.
Em outra frente, a Fórum mostrou que os tentáculos da produtora do filme de Bolsonaro alcançavam convênios milionários e contratos públicos, incluindo repasses associados ao Instituto Conhecer Brasil.
O caso ganhou peso político depois de mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro indicarem busca de recursos junto a Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, para financiar a produção. O bolsonarismo afirmava que o filme seria bancado sem dinheiro público, mas as entidades vinculadas ao entorno da produtora passaram a ser examinadas por repasses oficiais, emendas parlamentares e contratos com governos.
Segundo a Folha, o Instituto Conhecer Brasil enviou por email um relatório parcial sobre o convênio, mas o ministério considerou o material insuficiente. A reportagem afirma ainda que procurou a entidade e Karina Gama por meio da assessoria, mas não obteve resposta até a publicação.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/instituto-conhecer-brasil-dark/

