Na nona fase da Operação Compliance Zero, sobre uma suposta conexão baiana do escândalo do Banco Master, mira além de Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, e do empresário Augusto Lima, o empresário Eduardo Sodré Martins, enteado do senador, e a esposa dele Bonnie Bonilha, sócia da BN Financeira. Os investigadores ainda citam um apartamento de R$ 2,5 milhões supostamente dado como contrapartida ao senador por atuação política em benefício do grupo.
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Entre as medidas citadas está a alteração da PEC 65/2023 com a emenda Master, incluída pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), principal lobista de Daniel Vorcaro no Congresso Nacional.
Segundo a PF, Wagner teria dado apoia à “tentativa de aprovação da PEC nº 65/2023, com repercussões sobre o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e [c] à atuação parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de potencial aquisição do BancoMaster pelo Banco de Brasília (BRB)”, em referência à tentativa de compra do banco do Governo do Distrito Federal, à época comandado por IBaneis Rocha, da instituição de Vorcaro.
A hipótese central é de troca de favores envolvendo interesses do Banco Master e do mercado de crédito consignado, segundo investigadores da PF.
Veja quem são os alvos da investigação:
- Jaques Wagner
Senador da República, Jaques Wagner é apontado pela Polícia Federal como o suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas nesta nova fase da Operação Compliance Zero. Segundo os investigadores, ele teria recebido benefícios indiretos por meio do uso de aeronaves privadas, ingressos para eventos internacionais e da aquisição dissimulada de um apartamento de alto padrão no empreendimento Poème Horto, em Salvador. A PF também sustenta que empresas ligadas ao núcleo familiar do senador receberam recursos provenientes de estruturas empresariais associadas a Augusto Lima e ao Banco Master. Em contrapartida, Wagner teria atuado em pautas de interesse do grupo financeiro, especialmente em temas relacionados ao crédito consignado e ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O senador nega irregularidades. - Augusto Ferreira Lima
Empresário baiano e ex-executivo ligado ao Banco Master, Augusto Ferreira Lima é descrito pela Polícia Federal como o principal operador privado do esquema investigado. Criador da CredCesta e figura de confiança de Daniel Vorcaro, ele teria coordenado a entrega das vantagens atribuídas ao núcleo ligado a Jaques Wagner. Segundo a investigação, coube a Augusto organizar desde o uso de aeronaves particulares até a engenharia financeira que viabilizou a compra do apartamento apontado como destinado ao senador. A PF também o identifica como responsável pela articulação dos repasses realizados a empresas ligadas ao entorno familiar de Wagner. - Eduardo Mendonça Sodré Martins
Enteado de Jaques Wagner e gestor da BN Financeira Ltda., Eduardo Sodré Martins aparece em documentos e planilhas apreendidos pela investigação sob o apelido “Dudu”. De acordo com a PF, ele teria atuado diretamente na cobrança e no acompanhamento de pagamentos feitos pelo grupo empresarial ligado a Augusto Lima. Os investigadores associam seu nome a repasses que ultrapassariam R$ 2,3 milhões. - Bonnie Toaldo Bonilha
Esposa de Eduardo Sodré Martins, Bonnie Toaldo Bonilha integraria o núcleo empresarial familiar que está no centro das apurações. Ela aparece vinculada à estrutura societária da BN Financeira e de empresas relacionadas ao grupo. A PF investiga se essas empresas desempenhavam atividade econômica compatível com os valores recebidos ou se teriam sido utilizadas para conferir aparência de legalidade a repasses considerados suspeitos. Contratos relacionados à prospecção de operações de crédito consignado também entraram no radar dos investigadores. - Patrich Toaldo Bonilha
Patrich Toaldo Bonilha é ligado à BN Representações Tecnológicas Ltda., empresa apontada pela Polícia Federal como parte do circuito empresarial investigado. Embora tenha menor exposição pública que outros alvos da operação, seu nome aparece em razão da participação societária em empresas que compartilhavam endereço, telefone e estrutura administrativa com outras pessoas e empresas do núcleo familiar de Eduardo Sodré. A PF busca esclarecer se essas sociedades possuíam atividade efetiva ou se integravam uma estrutura voltada à circulação e dissimulação de recursos. - Guilherme Henrique Sodré Martins (“Tio Guiga”)
Pai de Eduardo Sodré Martins e homem de confiança de Jaques Wagner, Guilherme Sodré Martins, conhecido como “Tio Guiga”, é tratado pela Polícia Federal como um elo entre o núcleo político, familiar e empresarial investigado. Segundo os autos, ele teria atuado como interlocutor entre representantes do Banco Master, integrantes do gabinete do senador e empresas ligadas à família. Seu nome aparece em tratativas relacionadas ao apartamento Poème Horto, inclusive após o avanço das investigações, o que levou a PF a considerá-lo peça-chave na articulação do grupo. - Valério Marega Júnior (“Valério Fundos”)
Especialista do mercado financeiro e associado a estruturas de fundos de investimento, Valério Marega Júnior é apontado pela investigação como um dos responsáveis pela operacionalização financeira da compra do apartamento vinculado ao caso. Segundo a PF, ele teria sido acionado por Augusto Lima para estruturar mecanismos que permitissem a aquisição do imóvel sem que o verdadeiro beneficiário aparecesse formalmente na documentação. Sua atuação é analisada pelos investigadores como parte da engenharia financeira utilizada para ocultar a origem e a destinação dos recursos. - David Lopes Monteiro
David Lopes Monteiro figura entre os alvos da operação por sua atuação junto ao núcleo empresarial e jurídico investigado. Embora detalhes sobre sua participação permaneçam sob sigilo, a Polícia Federal o identifica como um operador relevante na estrutura utilizada pelo grupo. A suspeita é que ele tenha contribuído para a formalização de negócios, contratos e mecanismos societários empregados nas operações financeiras investigadas. - Luiz Antonio Lombardi
Diretor da Epítome S.A., Luiz Antonio Lombardi aparece na investigação como o responsável formal pela empresa que adquiriu o apartamento Poème Horto, em Salvador. A Polícia Federal suspeita que ele tenha atuado como interposto, ou seja, como uma espécie de representante formal utilizado para ocultar o verdadeiro destinatário do imóvel. Os investigadores destacam suposta incompatibilidade entre seu histórico profissional conhecido e a capacidade financeira necessária para administrar operações de elevado valor, razão pela qual sua participação é considerada relevante para esclarecer a propriedade real do bem. - Andréa Lima Novaes
Diretora da PKL One Participações S.A. e prima de Augusto Lima, Andréa Lima Novaes é apontada pela Polícia Federal como uma das responsáveis pela movimentação financeira que resultou na transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira. A investigação procura determinar se ela exercia efetivamente funções de gestão ou se ocupava posição formal em empresas controladas por terceiros. Sua ligação familiar com Augusto Lima e sua posição em empresas estratégicas do grupo ampliaram o interesse da PF sobre sua atuação. - BN Financeira Ltda.
A BN Financeira é considerada pela Polícia Federal uma das peças centrais do fluxo financeiro investigado. Formalmente registrada como uma microempresa, a companhia recebeu R$ 3,5 milhões provenientes da PKL One Participações. Para os investigadores, há indícios de que a empresa não possuía estrutura operacional compatível com os valores movimentados, o que levanta a suspeita de que tenha sido utilizada para conferir aparência de legalidade a repasses destinados ao núcleo familiar ligado a Jaques Wagner. Suas atividades foram suspensas por determinação judicial. - BN Representações Tecnológicas Ltda.
Ligada ao mesmo grupo familiar da BN Financeira, a BN Representações Tecnológicas também entrou na mira da investigação por compartilhar contador, endereço e contatos com outras empresas do núcleo investigado. A Polícia Federal suspeita que a empresa tenha integrado um mecanismo de circulação e ocultação de recursos, funcionando em conjunto com outras pessoas jurídicas utilizadas para dificultar o rastreamento financeiro dos pagamentos. - PKL One Participações S.A. (CredCesta)
A PKL One Participações, controladora da CredCesta, é apontada como a origem de parte dos recursos que chegaram às empresas ligadas ao núcleo familiar investigado. Foi dela que partiu a transferência de R$ 3,5 milhões destinada à BN Financeira. A companhia está inserida no universo empresarial construído por Augusto Lima em torno do crédito consignado para servidores públicos, segmento que aproximou o empresário de agentes políticos e ampliou sua influência junto ao mercado financeiro. - Terra Firme da Bahia Ltda.
A Terra Firme da Bahia é uma empresa associada a Augusto Lima e ao círculo empresarial investigado pela Polícia Federal. A companhia aparece nos autos em razão de relações comerciais e pessoais entre os envolvidos, incluindo o trânsito de presentes e itens de elevado valor entre integrantes do grupo. Embora não seja apontada como protagonista do fluxo financeiro principal, a empresa é mencionada como parte do ambiente empresarial que cercava as negociações sob investigação. - GF4.15 Participações e Consultoria Ltda.
Administrada por Guilherme Sodré Martins, a GF4.15 Participações e Consultoria aparece na investigação em razão do compartilhamento de documentos, referências cadastrais e informações societárias com outros integrantes do grupo investigado. A Polícia Federal avalia se a empresa foi utilizada como instrumento de apoio documental ou financeiro nas operações atribuídas ao núcleo familiar e empresarial que orbitava em torno de Augusto Lima e Jaques Wagner.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/jaques-wagner-enteado-nora-master/

