O bolsonarismo, historicamente consolidado como um movimento satélite do trumpismo, prepara-se para importar dos EUA sua mais nova ofensiva de desgaste reputacional. Lideranças do PL, sob a influência direta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), iniciaram a execução de método amplamente usado por Trump: uma estratégia coordenada para carimbar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como “mentalmente incapaz” de governar devido à sua idade.
A tática é uma emulação direta do comportamento de Donald Trump em 2024. Naquele ano, a repetição insistente de que Joe Biden estava senil e sofria de declínio cognitivo foi o pilar que, somado à exploração de gafes, levou à desistência do democrata à reeleição. Agora, o alvo é o atual mandatário brasileiro, que completou 80 anos em 2025.
“Balão de ensaio” no plenário
O primeiro a colocar a estratégia em prática publicamente foi o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ). Em discurso recente no plenário, Sóstenes utilizou um tom de “falsa preocupação” para questionar a saúde mental do presidente, citando frases recentes de Lula como supostas evidências de algum problema cognitivo.
“Eu não acredito que o Brasil queira reeleger um presidente com tantos problemas cognitivos como nós estamos vendo”, afirmou Sóstenes, citando episódios como a fala de Lula sobre o Brasil ser “respeitado no crime organizado”, uma alegada gafe cometida durante a sanção do PL Antifacção.
O parlamentar não escondeu a inspiração externa, mencionando explicitamente o caso norte-americano como modelo a ser seguido: “Tivemos recentemente um candidato à Presidência dos EUA, o Biden, que abandonou a candidatura justamente porque viram que ele estava com problemas cognitivos. O partido dele teve bom senso”, completou, sinalizando que a oposição brasileira pretende forçar um cenário similar por aqui.
Contra-ataque à vitalidade mostrada
O Palácio do Planalto e o PT já vinham mostrando que Lula está bem de saúde em várias postagens. A reação a esse tipo de estratégia suja será p mesmo tom pragmático usado até agora, focado na imagem física do presidente. Para neutralizar a narrativa da senilidade forçada dos bolsonaristas, Lula passou a intensificar a publicação de vídeos em suas redes sociais onde aparece correndo, fazendo exercícios de musculação e demonstrando disposição física muito acima da média para sua faixa etária.
A tática do PL, no entanto, deve seguir o manual de “jogo sujo”: a ideia é ignorar a vitalidade física e focar obsessivamente em lapsos de linguagem ou erros de concordância, algo que todas as pessoas cometem no dia a dia, transformando gafes pontuais em supostos “diagnósticos médicos” perante a opinião pública.
Método da repetição
Analistas apontam que a técnica depende da repetição coletiva. Assim como no trumpismo, a ordem no PL é que parlamentares e influenciadores digitais da extrema direita passem a usar termos como “desconexo” e “incapaz” em todas as oportunidades, criando uma câmara de eco que atinja o eleitorado indeciso até 2026.
Ao emular o comportamento de Trump, o clã Bolsonaro aposta que o rótulo da idade será o principal combustível para tentar impedir que Lula chegue competitivo à próxima disputa eleitoral, repetindo no Brasil o roteiro que tirou Biden do jogo na Casa Branca.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/jogo-sujo-flavio-bolsonaro-pl-lula-trump/


