Juliana, a vice-prefeita acusada de pagar Mãe de Santo com verba pública para afastar amante da esposa

A vice-prefeita de Ribeira, no interior de São Paulo, Juliana Maria Teixeira da Costa, de 42 anos, foi denunciada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pelos crimes de associação criminosa e peculato. Segundo a Promotoria, ela teria desviado R$ 41,2 mil do Fundo Municipal de Saúde para custear um ritual de “casamento espiritual” com o objetivo de afastar o coordenador municipal de Saúde, Lauro Olegário da Silva Filho, da esposa e manter um relacionamento afetivo com ele.

Além de Juliana, também foram denunciados Lauro e o empresário William Felipe da Silva, proprietário da empresa W.F. Da Silva Treinamentos Ltda., contratada pela prefeitura para prestar serviços. Conforme o MP-SP, os três teriam se associado para fraudar licitações e direcionar contratos à empresa de William.

De acordo com a denúncia, o pagamento destinado ao ritual foi feito por meio da empresa contratada pelo município. A Promotoria afirma que uma nota fiscal falsa foi utilizada para justificar a transferência de R$ 41,2 mil, supostamente referente a serviços médicos prestados em período em que não havia atividades da Estratégia Saúde da Família. O valor teria sido pago apenas 12 minutos após a emissão da nota e repassado posteriormente a uma terceira pessoa sem vínculo com a área da saúde.

“Mentora Samantha”

Prints divulgados nas redes sociais e apresentados por um vereador levaram à investigação de um possível repasse do mesmo valor para a chamada “Mentora Samantha”. Segundo o Ministério Público, a mulher confirmou ter sido contratada por Juliana para realizar um “casamento espiritual” com Lauro, visando afastá-lo da esposa.

“O dinheiro do Fundo Municipal de Saúde deve ser destinado exclusivamente à saúde pública”, destacou o MP-SP ao sustentar que a utilização dos recursos públicos para esse fim configura crime de peculato.

Justiça suspende contratos e impõe restrições

A Justiça da Comarca de Apiaí acolheu pedido do Ministério Público e determinou a suspensão dos contratos firmados entre a Prefeitura de Ribeira e a W.F. Da Silva Treinamentos Ltda., além de proibir novos acordos com a empresa até decisão em contrário.

Na denúncia apresentada em 30 de julho pelo promotor Renan Mendes Rodríguez, o MP também pediu medidas cautelares contra os investigados, entre elas a proibição de acesso à prefeitura e às repartições municipais, impedimento de contato com testemunhas e servidores de setores estratégicos, além do afastamento imediato de Juliana dos cargos de vice-prefeita e secretária municipal de Saúde e de Lauro das funções de coordenador da Saúde e técnico de enfermagem.

Trajetória política

Nascida em 3 de fevereiro de 1983, em Jaguariaíva (PR), Juliana é formada em Assistência Social, divorciada e mãe de dois filhos. Nas eleições de 2024, declarou patrimônio de R$ 45,4 mil ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Embora tenha nascido no Paraná, Juliana possui vínculos familiares com o Vale do Ribeira. Nas redes sociais, ela já afirmou que ingressou na política inspirada pelo pai, que foi secretário de Saúde e vice-prefeito de Itapirapuã Paulista.

Filiada ao MDB, Juliana tornou-se a primeira mulher eleita vice-prefeita de Ribeira ao integrar a chapa “Avante Ribeira”, ao lado do prefeito Ari do Carmos Santos (PSD), reeleito com 45% dos votos válidos. Entre 2020 e 2024, ela ocupou os cargos de secretária municipal de Saúde e chefe de gabinete.

Defesa

O advogado Yuri Amaral Nazareth, que representa William Felipe da Silva, afirmou que o empresário compareceu espontaneamente à Promotoria e está comprometido em esclarecer os fatos. Segundo ele, as relações entre William, Juliana e Lauro são profissionais e comuns ao funcionamento da administração pública.

“Quanto às alegações de desvio de recursos, é crucial enfatizar que William está comprometido em esclarecer essa situação completamente. A ausência de documentação mencionada pode ser atribuída a dificuldades circunstanciais, mas não necessariamente a intenções maliciosas”, declarou.

A Prefeitura de Ribeira e a chamada Mentora Samantha foram procuradas pela reportagem do G1, mas não haviam se manifestado até a última atualização. Juliana e Lauro também foram denunciados por outros crimes relacionados às supostas fraudes em licitações. O Ministério Público pede ainda a reparação mínima de R$ 41,2 mil aos cofres públicos.

 

 

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/juliana-vice-prefeita-pagar-mae-de-santo-verba-publica-amante-esposa/