A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) financiou uma campanha publicitária nas redes sociais para defender o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), depois que ele freou a tramitação da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1.
Segundo reportagem de Raphael Di Cunto na coluna Painel, da Folha de S.Paulo, a entidade investiu entre R$ 28,1 mil e R$ 33,2 mil em 19 publicações patrocinadas no Instagram e no Facebook, elogiando a decisão do senador de adiar a votação da proposta defendida pelo governo.
Financiamento empresarial a Alcolumbre
Segundo a Folha de S.Paulo, o investimento da Abrasel ocorreu diretamente após Alcolumbre decidir paralisar a tramitação da PEC 6×1 no Senado. A associação, que representa o setor de bares e restaurantes, um dos que mais empregam trabalhadores em regime 6×1, destinou entre R$ 28,1 mil e R$ 33,2 mil para impulsionar os anúncios nas plataformas Meta, tornando explícita a articulação entre o setor empresarial e a decisão do parlamentar de segurar a proposta.
O movimento expõe como interesses econômicos organizados operam fora do lobby tradicional nos corredores do Congresso, migrando para campanhas digitais pagas capazes de moldar percepções públicas sobre decisões legislativas. O adiamento da votação, tratado pela Abrasel como ato a ser celebrado e amplificado, é também a pauta central do setor contra uma proposta apoiada pelo governo federal.
Conteúdo e alcance da campanha
As 19 publicações patrocinadas no Instagram e no Facebook, segundo a Folha de S.Paulo, tinham conteúdo uniforme: elogiar Alcolumbre e enquadrar o adiamento da votação como responsabilidade política, não como obstrução. Uma das peças descrevia a decisão do senador como um “gesto de liderança, responsabilidade e coragem”, argumentando que mudanças dessa dimensão não deveriam ser aprovadas sem ampla discussão sobre seus impactos econômicos e sociais.
De acordo com dados da plataforma de transparência da Meta e com a apuração da Folha, os anúncios alcançaram entre 2,6 milhões e 3,2 milhões de impressões. Uma parcela relevante da campanha foi direcionada especificamente ao Amapá, estado de Alcolumbre, onde a Abrasel gastou ao menos R$ 9,2 mil para atingir entre 880 mil e 1 milhão de impressões. O direcionamento geográfico ao reduto eleitoral do senador reforça o caráter político da iniciativa, que vai além de uma campanha setorial genérica contra a PEC.
Questionado pela Folha de S.Paulo, o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, confirmou o investimento e o justificou como resposta ao que chamou de “milícias digitais da esquerda” e a uma suposta campanha do governo em favor da PEC. Segundo ele, a associação teria feito um “esforço solitário” para rebater a narrativa de que os trabalhadores manteriam os mesmos salários trabalhando menos dias com a aprovação da proposta.
A campanha em defesa de Alcolumbre não é um episódio isolado. Desde fevereiro, segundo a Folha, a Abrasel destinou entre R$ 261,6 mil e R$ 340,5 mil para impulsionar 299 publicações contrárias à PEC 6×1 nas redes sociais, acumulando entre 34,6 milhões e 35,9 milhões de impressões. A entidade também contratou anúncios no Google, embora a plataforma não divulgue os valores investidos. A campanha incluiu conteúdos em defesa de 38 senadores favoráveis à chamada PEC do Trabalho Flexível, apresentada pela oposição como alternativa à proposta que extingue a escala 6×1.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/lobby-contra-6×1-paga-campanha-nas-redes-para-defender-davi-alcolumbre/

