Em uma entrevista concedida à Rádio Progresso, de Juazeiro do Norte (CE), nesta sexta-feira (4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desautorizou o uso de sua imagem por candidatos adversários no estado, em um recado direto a Ciro Gomes (PSDB), e reafirmou quem são seus verdadeiros aliados na disputa local.
“Quando você tem bastante voto no estado, nem o governador fala mal de você. E muito menos o candidato. Vou dar um exemplo agora. Eu já vi material do Ciro comigo. Mas o que eu tenho que dizer para o povo é que o Ciro não está comigo, o Ciro está com outra pessoa. Quem está comigo é o Elmano [de Freitas]”, disse o presidente, se referindo ao atual governador do PT e candidato à reeleição no Ceará.
Lula alertou o eleitorado para não ser “enganado” por peças de campanha descontextualizadas. “Se a pessoa quiser votar no Ciro, vota por conta dele, mas não pode votar enganado, achando que eu tenho ligação com o Ciro”, pontuou Lula. “O Ciro fez uma opção, ele foi para o outro lado. Se ele foi para o outro lado, a gente não tem que brincar com isso. O Lula só tem um candidato no Ceará, chama-se Elmano”, enfatizou, destacando a gestão do atual governador.
A demarcação de território se estendeu à disputa pelo Senado. “O Lula só tem um senador e uma senadora no Ceará. Chama-se Cid Gomes e chama-se Luizianne [Lins]. O resto são adversários”. O presidente ressaltou que sua postura não é atacar oponentes, mas deixar evidente que o país está dividido em “dois projetos” distintos e que é preciso ter lado.
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A construção de novas lideranças nacionais
Além da política local, Lula fez uma reflexão sobre a formação de novas lideranças nacionais na esquerda, usando o ex-governador cearense e ex-ministro da Educação, Camilo Santana, como exemplo. Questionado sobre as chances de Camilo em nível nacional, Lula foi otimista, mas detalhou algumas condições para a nova geração.
“O Camilo pode ser o que ele quiser a nível nacional, depois do que ele fez no Ministério da Educação. O [Fernando] Haddad pode ser, todo mundo pode ser”, avaliou. No entanto, o presidente diagnosticou o que entende ser um problema histórico. “O Brasil não tem cultura de partido nacional. As lideranças são todas regionais.”
Ele citou figuras históricas de peso, como Leonel Brizola, Miguel Arraes e Ulysses Guimarães, que, apesar da grandeza, enfrentaram dificuldades para romper as barreiras de seus estados em disputas presidenciais.
A “receita” de Lula para a nova geração de ministros e governadores é a exposição constante e o diálogo com as bases de todo o país. “Se vocês quiserem sonhar nacionalmente, precisam, pelo menos uma vez por mês, viajar a outro estado, visitar a universidade, dar entrevista, para ir criando uma imagem nacional”, aconselhou.
Relembrando sua própria trajetória de construção partidária, Lula destacou a importância da militância corpo a corpo, longe dos holofotes de Brasília. “Eu saía de São Paulo, andava quatro horas de avião para ir no Acre fazer um comício para 50 pessoas embaixo de um pé de manga. E fazer um comício para 50 pessoas é como se tivesse um milhão. O que importa é a minha causa”, concluiu o presidente,
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/lula-desautoriza-material-ciro/

