Em entrevista à TV Fórum Café, a jornalista e correspondente internacional da Fórum no G7 Fernanda Otero trouxe as primeiras informações do presidente Lula na cúpula que reúne sete das maiores economias industrializadas do planeta, e afirma que já foi dada a largada às negociações bilaterais.
Após o encontro com o presidente da França Emmanuel Macron, uma segunda reunião bilateral foi realizada com a primeira-ministra do Japão Sanae Takaichi na manhã desta terça-feira (16). Lula e a primeira-ministra escolheram oficialmente o dia 30 de junho para o início formal das negociações para um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Japão. A consolidação da data atende a uma expectativa antiga de setores exportadores e reforça a estratégia brasileira de diversificação de parcerias globais.
Lula vai discursar sobre multilateralismo o G7
Mesmo participando como convidado, uma vez que o Brasil não integra o grupo das sete nações mais industrializadas, a comitiva brasileira avalia a agenda como “altamente positiva”. O presidente Lula deve fazer uma intervenção pública em uma reunião a portas fechadas durante a tarde.
O tema central do pronunciamento do mandatário brasileiro será “Firmar Novas Parcerias e Reconstruir a Solidariedade Internacional”. Segundo interlocutores, o Palácio do Planalto vê o presidente com total autoridade política para liderar o debate sobre o multilateralismo e a cooperação para o desenvolvimento, contrapondo-se às tendências de isolacionismo global.
O G7 este ano foca em sete eixos principais:
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Parcerias internacionais para o desenvolvimento;
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Crescimento econômico equilibrado;
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Proteção online de crianças (área em que o Brasil pretende apresentar a experiência do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA Digital);
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Combate ao tráfico de drogas e armas;
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Saúde global (com foco na preocupação europeia sobre a crise do Ebola);
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Combate ao contrabando de migrantes;
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Minerais críticos.
Crise da Carne com a União Europeia
Outro ponto central e de extrema sensibilidade para a diplomacia brasileira ocorre ainda hoje, segundo Otero. A pedido da própria União Europeia, o presidente Lula se reunirá com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
A pauta prioritária do Brasil é reverter as barreiras comerciais impostas pelo bloco europeu. A restrição, que foi formalizada em 5 de junho e tem previsão para entrar em vigor em 5 de setembro, vai além do veto à carne brasileira, afetando também produtos como leite, iogurte e mel. O governo brasileiro pretende usar a retórica do multilateralismo para destravar as negociações econômicas.
Bastidores e o “Efeito Trump”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou tensão ao chegar atrasado para os compromissos oficiais, deixando líderes à espera.
Em um movimento paralelo, o presidente francês Emmanuel Macron rompeu o protocolo ao ir até o portão principal do evento para receber o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Antes de se dirigirem à sala principal de trabalhos, Macron e Zelensky realizaram uma reunião reservada de última hora com Trump.
A postura do líder americano nos bastidores também repercutiu mal na diplomacia local: pouco antes de desembarcar em solo francês, Trump anunciou novas taxações a produtos da França, atingindo principalmente o mercado de vinhos.
Distanciamento entre Lula e Trump
Apesar de compartilharem o mesmo lugar, as chances de uma reunião, mesmo que informal, entre Lula e Donald Trump são “praticamente nulas”, conforme informações apuradas pela Fórum. Os dois mandatários devem se cruzar apenas durante a tradicional “foto de família” e na sessão plenária desta tarde. A diplomacia brasileira descarta qualquer agenda bilateral privada entre ambos, dado as medidas protecionistas adotadas por Washington.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/lula-no-g7-brasil-emplaca-pauta-multilateral-e-acorda-data-para-negociacao-do-acordo-mercosul-japao/

