Em novo recado a Trump, Lula diz que Brasil não vai entregar terras raras aos EUA e repete: “Não somos quintal”

Em novo recado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (24), durante ato de campanha em Maceió (AL), que o Brasil não aceitará abrir mão de suas riquezas estratégicas. Ao citar as terras raras, minerais essenciais para setores como tecnologia, energia e indústria, Lula defendeu a soberania nacional e repetiu a mensagem de que o país não está subordinado a interesses estrangeiros.

“Não adianta o Trump dizer: ‘Eu quero as terras raras’. Se ele quiser, que tenha a dele, porque a nossa é do povo brasileiro”, afirmou o presidente.

Lula também retomou uma comparação histórica para criticar a exploração de recursos brasileiros sem desenvolvimento interno.

“Não vamos permitir que se repita o que aconteceu no ciclo do ouro. O Brasil ficou com o buraco, Portugal ficou com os palácios e a Inglaterra, com o dinheiro do nosso ouro, fez a Revolução Industrial”, disse.

Disputa por recursos estratégicos e soberania brasileira

As declarações ocorreram em meio às tensões entre Brasil e Estados Unidos envolvendo medidas adotadas pelo governo Trump e questionamentos sobre possíveis interferências externas nas eleições brasileiras. Recentemente, Agência Brasileira de Inteligência (Abin) alertou o Palácio do Planalto, o Ministério da Justiça e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o tema.

Na terça-feira (22), durante discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Lula já havia afirmado que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Em Maceió, o presidente repetiu a defesa da autonomia brasileira.

Ao falar sobre as terras raras, Lula destacou que o desafio do país é deixar de apenas extrair e exportar matérias-primas, passando a desenvolver tecnologia e indústria nacional.

“São 17 elementos químicos nas terras raras, que se você souber manusear, prospectar, separar, transformar, industrializar, ele serve para fazer bateria de carro elétrico, para fazer celular, chips”, afirmou.

Segundo Lula, o Brasil deve formar profissionais para atuar no setor e agregar valor aos próprios recursos.

“A gente não vai mais fazer buraco e vender minérios para eles. Agora vamos transformar aqui no Brasil, para os meninos e meninas que vão estudar, virarem especialistas”, completou.

Durante o discurso, o presidente também comentou as tarifas impostas pelos Estados Unidos e afirmou que o Brasil não deveria ceder diante das pressões econômicas.

“Os norte-americanos imaginavam que a gente ia ficar chorando o leite derramado com a taxação”, disse Lula.

Ele afirmou que as exportações brasileiras continuam em crescimento e citou o desempenho comercial do país.

“Nós estamos tendo superávit de 80 bilhões de dólares. A nossa exportação para os Estados Unidos diminuiu 9%. Mas com 17 países ela cresceu, uma média de 10,5%”, declarou.

Lula afirmou ainda que o Brasil ampliou seus mercados internacionais e que a estratégia do governo é fortalecer a capacidade produtiva nacional.

Parlamentares democratas questionam ações do governo Trump

A fala de Lula ocorreu após 31 parlamentares democratas dos Estados Unidos, entre eles o senador Bernie Sanders, enviarem uma carta ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, questionando ações do governo Trump relacionadas ao Brasil.

Os parlamentares afirmaram que medidas adotadas por Washington poderiam enfraquecer instituições democráticas brasileiras e violar a soberania do país.

No ato em Maceió, Lula voltou a defender que o Brasil mantenha autonomia sobre suas decisões políticas e econômicas. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, repetiu o presidente.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/lula-recado-trump-terras-raras/