Unha e Carne: Rogéria, mãe de Flávio Bolsonaro será suplente de Márcio Canella, que expõe elo do clã com milícia

Alvo da 6ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (7), o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União-RJ) expõe novamente os elos do clã Bolsonaro com a milícia no Rio de Janeiro e terá como primeira suplente, caso concorra e seja eleito senador, Rogéria Nantes Bolsonaro, esposa “01” de Jair Bolsonaro e mãe de Flávio, Carlos e Eduardo.

Alçado por Flávio Bolsonaro como candidato do clã ao Senado, foi o próprio presidenciável quem anunciou que a mãe seria primeira suplente do aliado na disputa à casa legislativa. O objetivo, caso seja eleito presidente, é colocar Canella em um provável ministério para que a mãe ocupe a cadeira no Senado, sucedendo o próprio Flávio.

“Minha mãe é candidata a primeira suplente do Márcio Canella (União-RJ), que é nosso pré-candidato ao Senado no Rio de Janeiro. Mãe, te amo”, disse Flávio Bolsonaro à CNN, na véspera do Dia das Mães.

Relação com a milícia

Ex-deputado estadual, eleito pela primeira vez em 2014 pelo PSL, partido usado por Jair Bolsonaro para se eleger presidente, Márcio Canella intensificou a relação com Flávio Bolsonaro, que nasceu na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a partir de 2018 nas incursões de votos do clã na Baixada Fluminense.

A Baixada, que faz parte da região Metropolitana, é formada por 13 cidades e tem cerca de um quinto dos mais de 13 milhões de eleitores do Estado, terceiro colégio eleitoral do país.

Em 2022, a proximidade ganhou força após o então prefeito de Belford Roxo, Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho (MDB), abandonar Bolsonaro e apoiar Lula. Canella se manteve fiel ao clã e teve a maior votação no Estado para o terceiro mandato na Alerj.

Dois anos depois, Canella disputou a eleição municipal em Belford Roxo com forte apoio de Flávio Bolsonaro e venceu o Matheus do Waguinho, sobrinho do ex-prefeito que rompeu com o bolsonarismo.

Além do clã Bolsonaro, Canella ascendeu eleitoralmente com o apoio de Juracy Alves Prudêncio, o “Jura”, ex-policial militar condenado por homicídios e por liderar a milícia “Somos Comunidade”. Jura, que atuou no gabinete de Canella na Alerj, foi o responsável por indicar Marcus Amin, outro alvo da Operação Unha e Carne, para a secretaria da Polícia Civil no governo Cláudio Castro.

Na breve passagem pela prefeitura de Belford Roxo, até ser lançado por Flávio Bolsonaro como pré-candidato ao Senado, Canella virou alvo do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) por nomear os ex-vereadores Eduardo Araújo (PL) como secretário de Indústria e Comércio, e Fábio Brasil, conhecido como Fabinho Varandão (MDB), na pasta de Esporte e Lazer.

Araújo já havia sido condenado em primeira instância por integrar organização paramilitar na região. A sentença apontou que o grupo ao qual ele estaria ligado gerava clima de medo e intimidação na cidade, com atuação para proteger integrantes e dificultar prisões. Ele recebeu pena de oito anos de prisão.

Já Varandão foi condenado por extorsão e porte ilegal de arma, acusado de explorar serviços de internet e ameaçar concorrentes locais por meio de milícia local.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/mae-flavio-bolsonaro-marcio-canella-milicia/