Allan dos Santos revela conversa com “sócios” de Marçal e traga ex-coach para guerra contra Nikolas Ferreira

Fiel escudeiro de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o blogueiro Allan dos Santos revelou um suposto contato com “sócios” de Pablo Marçal (União) para intermediar uma tentativa de burlar nos EUA o sistema antifraude dos meios de pagamento, que seria feito pelo ex-coach no Brasil, sinalizando possíveis crimes de estelionato, fraude eletrônica agravada e lavagem de dinheiro.

A revelação colocou mais munição na guerra contra Nikolas Ferreira (PL-MG). O deputado mineiro, que entrou em atrito com aliados de Eduardo, agora vem sendo acusado de ser representante de Marçal e que estaria atuando para implodir o bolsonarismo.

“Os sócios do Pablo Marçal, um que mora em Orlando e outro no Brasil, queriam minha ajuda para falar com dois meios de pagamentos americanos, dos quais conheço os donos, para atuar no mercado daqui, pois não conseguiriam realizar nos EUA o que fazem no Brasil: DESATIVAR O ANTIFRAUDE, o que aumenta consideravelmente as vendas online”, afirmou o blogueiro.

O desligamento do sistema antifraude é uma prática de organizações criminosas para reduzir ou remover filtros de análise e aprovar todas as compras, ignorando alertas do sistema financeiro. O esquema permite uso de cartões roubados, lavagem de dinheiro e facilita golpes. No Brasil, a medida é considerada crime de estelionato (artigo 171 do Código Penal), agravado como fraude eletrônica.

Allan dos Santos diz ter negado a “oferta” e desafiou Marçal, que teria promovido uma série de ataques nas redes após a recusa.

“Neguei a oferta. Só depois disso os amigos do Marçal passaram a me chamar de “mendigo do pix” e “allan dos demônios”. Se o Marçal negar, ele mesmo terá de assistir ao vídeo diante da galera da Seção 301”, emendou, falando da Lei de Comércio dos EUA, responsável pela regulamentação.

https://x.com/allanconta5/status/2042797962892353798

Guerra contra Nikolas

A revelação de Allan dos Santos faz parte do “apito de cachorro” de Eduardo Bolsonaro (PL) na guerra contra Nikolas, que vem sendo classificados por aliados do filho de Bolsonaro como uma espécie de infiltrado de Marçal no bolsonarismo.

“Melhor representante de Pablo Marçal”, diz perfil em enquete da conta bolsonarista RT Brasil que indaga se “vocês ainda confiam 100% em Nikolas Ferreira?”.

https://x.com/Elis55598429/status/2042966502303727646

“O ego do Nikolas subiu muito, os eleitores do Nikolas é do Bolsonaro, desafio ele trair o Bolsonaro, para ver se ele se reelege novamente. Tenta! Fica aí seguindo o que os conselhos do Pablo Marçal, o movimento de direita foi criada pela pessoa que tomou uma facada na barriga, lealdade é tudo, você sabe que traição não reelege ninguém, veja onde os traidores estão hoje”, comenta outro perfil aliado de Eduardo Bolsonaro.

https://x.com/Bergssa/status/2042940022844715040

Exército de clipadores

Reportagem exclusiva de Diego Feijó de Abreu na Fórum em março revelou que Nikolas Ferreira recrutou um exército de clipadores para propagar cortes de sua marcha à Brasília nas redes e turbinar seus perfis. Esses “soldados” eram comandados por “generais” que atuaram na campanha de Pablo Marçal na disputa à prefeitura de São Paulo em 2024.

A investigação mostra que o núcleo de comando do “Acorda Brasil” reuniu personagens ligados ao entorno político do ex-coach, grupo já associado a estratégias agressivas de cortes, viralização em massa e questionamentos sobre estruturas paralelas de difusão de conteúdo.

A tropa de Nikolas não apenas reproduziu táticas que ganharam notoriedade no universo de Marçal. Ela foi conduzida por operadores que já circulavam nesse mesmo ambiente político-digital.

O rosto público desse recrutamento é Gabriel Schmidt. Foi ele quem foi às redes para arregimentar o “time oficial de conteúdo” de Nikolas, fixando a meta de 1.000 clipadores e 2,5 bilhões de visualizações em quatro dias. O vocabulário usado não era o da militância espontânea, mas o de uma operação de performance: escala, metas e hierarquia.

Em seus perfis, Schmidt se apresenta como diretor de marketing político de Pablo Marçal e ostenta a marca de “+15 bilhões de views”. Ele surge, assim, não como apoiador ocasional, mas como operador voltado a transformar recortes de discursos em avalanche digital.

Em vídeo divulgado em seu perfil no Instagram, Schmidt é elogiado por Nahuel Medina, que protagonizou troca de socos como assessor de Marçal nas eleições paulistanas. Medina trata o colega como “nosso coordenador do time da marcha ao vivo”. Em seu perfil, ele também usa um vídeo da candidatura de Marçal para vender seu produto.

Enquanto Schmidt operava na linha de frente, a presença de Jefferson Rodrigo Zantut Kerber no topo da hierarquia do grupo torna a operação politicamente mais sensível. Identificado como um dos administradores da comunidade de clipadores de Nikolas, Kerber já foi citado no noticiário durante a campanha de Marçal à prefeitura de São Paulo, no contexto das revelações sobre pagamentos por cortes e intermediação financeira para a disseminação de vídeos.

Sua atuação no núcleo do “Acorda Brasil” sugere reaproveitamento de métodos que já foram alvo de forte escrutínio público e eleitoral. Com Kerber entre os administradores, a edição de vídeos deixa de aparecer apenas como ativismo digital e passa a integrar uma engrenagem com histórico de questionamentos sobre pagamentos paralelos e financiamento não transparente.

O comando do grupo também abrigava figuras da guerra cultural bolsonarista. Outro administrador identificado é Kawan Menezes Ponte Miranda, ex-assessor parlamentar que virou alvo do Ministério Público após instalar uma placa com a imagem de um veado em uma faixa de pedestres colorida no Ceará, em episódio denunciado como homofóbico.

Além dele, a reportagem encontrou, entre os integrantes da gestão do grupo de WhatsApp, um contato ligado à equipe da deputada estadual Débora Menezes (PL-AM). A presença mostra que a rede de influência alcançava também pessoas conectadas a gabinetes de políticos com mandato ativo.

 

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/marcal-guerra-contra-nikolas-ferreira/