Marina Silva bate o martelo sobre seu papel na chapa de Haddad em SP

No último sábado (4), a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, surpreendeu o mundo político ao revelar que tinha decidido permanecer na Rede para disputar a eleição deste ano. Até então, era dado como certo o seu retorno ao PT.

Com a decisão de Marina Silva, um imbróglio está posto: quem vai ficar com a segunda vaga do Senado na chapa de Fernando Haddad, que vai disputar o governo do estado de São Paulo. A primeira está com Simone Tebet (PSB).

Durante entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Marina Silva falou sobre a sua posição na chapa de Fernando Haddad:

“Não conversei com o presidente Lula. A minha decisão é aquela desde o início: estou disposta a ajudar no processo de manter o coeficiente civilizatório em São Paulo e no Brasil. Tive uma conversa com o ministro Fernando Haddad sobre as melhores alternativas para São Paulo, já que, graças a Deus, temos definido o vice-presidente [Geraldo] Alckmin e Simone ao Senado. Agora é discutir a melhor chapa para vice [ao governo] e, na segunda vaga ao Senado, tanto eu quanto Márcio França estamos colocando o nosso nome à disposição.”

Em seguida, Marina Silva diz qual será o seu papel na eleição de 2026, caso não seja candidata ao Senado:

“Vou fazer a campanha de Haddad e de Lula sendo candidata ou não […] me sinto muito honrada com o mandato de deputada que me foi dado [em 2022], mas é uma contribuição que já foi dada […] nesse momento, entendo que a forma de contribuir é me colocando à disposição para a segunda vaga no Senado, a partir de elementos que são muito legítimos: o combate às desigualdades, a defesa da diversidade, o debate da sustentabilidade, do desenvolvimento econômico em novas bases, em um momento tão desafiador em que a mudança climática é uma realidade terrível e em que um estado como São Paulo corre o risco de um colapso hídrico.”

Marina Silva é atacada pela direção da Rede após optar por ficar no partido

Um dia após a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva anunciar que havia decidido permanecer na Rede, a Direção Nacional da legenda soltou uma nota em que rebate alguns pontos levantados por Marina em sua nota pública e a acusa de querer impor a vontade da minoria — seu grupo político — à maioria da legenda.

“A Direção Nacional da REDE Sustentabilidade recebeu com imensa surpresa a nota pública da deputada e ex-ministra Marina Silva em que ela anuncia sua “permanência” no partido que ajudou a fundar. Em nenhum momento qualquer instância ou liderança da REDE questionou sua filiação ou sugeriu seu desligamento”, inicia a nota da direção nacional da Rede.

Em outro momento, a nota diz que, ao contrário do que afirma Marina Silva, sempre esteve ao lado dela, mesmo no momento em que decidiu apoiar Aécio Neves (PSDB) no segundo turno da eleição presidencial de 2014:

“O respeito às divergências sempre foi exercitado, inclusive no momento de maior crise da REDE, quando Marina Silva, contra a vontade do partido, decidiu apoiar Aécio Neves no segundo turno de 2014 — contra Dilma Rousseff — e, a seguir, quando de seu apoio, também contra a vontade da maioria, ao impeachment da ex-presidente, ato que abriu o ciclo de ascenso da extrema-direita no país. Naquele triste capítulo da história brasileira, a REDE perdeu grandes lideranças.”

Em seguida, a direção da Rede afirma que a acusação de Marina Silva, de que há uma “subtração antidemocrática” na legenda, não é verdadeira:

“Lamentamos que a deputada continue insistindo em narrar uma suposta “subtração antidemocrática” de valores fundacionais, quando a própria presença de seu grupo — minoritário — em todas as instâncias de direção comprova o contrário. A saída de mandatários eleitos pela Rede, integrantes do grupo de Marina e que desertaram de nossas fileiras, sendo escolha pessoal ou decisão fracional, não resultou de qualquer expulsão, sanção ou perseguição. Democracia interna não é o direito da minoria de paralisar o partido ou bloquear judicialmente suas contas, quando não obtém maioria nas urnas de um congresso. É, acima de tudo, o dever de todos de acatar a decisão coletiva.”

Posteriormente, a direção nacional da Rede ironiza Marina Silva e a convida para construir o partido:

“Reafirmamos que a REDE tem lugar para todos que se identifiquem com seu manifesto e programa. Convidamos a militância que hoje diverge, incluindo a deputada Marina Silva, a participar da construção partidária pelas vias estatutárias, com debate franco, mas leal. O “bom combate da democracia” não se faz enfraquecendo as instâncias eleitas nem criando embaraços permanentes ao funcionamento do partido. Todos são bem-vindos no fortalecimento de nossa tática eleitoral para superar a cláusula de barreira.”

Ao término do texto, a direção da Rede afirma que o partido “não é de ninguém em particular”:

“A REDE Sustentabilidade não é de ninguém em particular. É de seus filiados e de seu projeto coletivo. Continuaremos construindo-a como espaço de pluralismo real, enraizado na maioria que se manifestou democraticamente em seu Congresso Nacional.”

Marina Silva bate martelo sobre a Rede e revela plano para eleição 2026

A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que era cotada para se filiar ao PT e disputar o Senado por São Paulo, decidiu permanecer na Rede, sigla da qual ela é uma das fundadoras.

Dessa maneira, Marina Silva já colocou o seu nome à disposição para disputar a segunda vaga do Senado na chapa de Fernando Haddad, que vai disputar o governo do estado de São Paulo. A primeira vaga está com Simone Tebet, que se filiou ao PSB e mudou o seu endereço eleitoral.

Porém, Márcio França já avisou que não pretende disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, e que seu desejo é disputar uma vaga no Senado. No entanto, PSB e PT ainda não bateram o martelo.

A ex-ministra do Meio Ambiente usou as redes sociais para se manifestar sobre a sua decisão de permanecer na Rede:

“Diante de um quadro político tão desafiador para o nosso país e após cuidadosa e comprometida reflexão, tomei a decisão de continuar trabalhando pela restauração dos princípios e valores da Rede, claramente expressos em seu manifesto, programa e estatuto, quando de sua fundação […] Coloco meu nome à disposição do debate dentro do nosso campo político para representar a Federação liderada pelo PSOL, na segunda vaga para o Senado, ao lado de Simone Tebet, do PSB.”

https://www.instagram.com/p/DWukOqUFuy-/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

Confira abaixo a íntegra da nota emitida pela Direção Nacional da Rede

“Nota da Direção Nacional da REDE Sustentabilidade

A Direção Nacional da REDE Sustentabilidade recebeu com imensa surpresa a nota pública da deputada e ex-ministra Marina Silva em que ela anuncia sua “permanência” no partido que ajudou a fundar. Em nenhum momento qualquer instância ou liderança da REDE questionou sua filiação ou sugeriu seu desligamento.

A REDE foi fundada com base em princípios claros: democracia radical, participação cidadã, pluralismo, justiça social e sustentabilidade. Esses valores não estão sob ameaça. Pelo contrário, são reafirmados diariamente pela direção eleita com 76% dos votos dos delegados no 5º Congresso Nacional, que expressou a vontade majoritária da militância organizada de todo o país. O respeito às divergências sempre foi exercitado. inclusive no momento de maior crise da REDE, quando Marina Silva, contra a vontade do partido, decidiu apoiar Aécio Neves no segundo turno de 2010 — contra Dilma Rousseff — e, a seguir, quando de seu apoio, também contra a vontade da maioria, ao impeachment da ex-presidente, ato que abriu o ciclo de ascenso da extrema-direita no país. Naquele triste capítulo da história brasileira, a REDE perdeu grandes lideranças.

Lamentamos que a deputada continue insistindo em narrar uma suposta “subtração antidemocrática” de valores fundacionais, quando a própria presença de seu grupo – minoritário – em todas as instâncias de direção, comprova o contrário. A saída de mandatários eleitos pela Rede, integrantes do grupo de Marina e que desertaram de nossas fileiras, sendo escolha pessoal ou decisão fracional, não resultou de qualquer expulsão, sanção ou perseguição. Democracia interna não é o direito da minoria de paralisar o partido ou bloquear judicialmente suas contas, quando não obtém maioria nas urnas de um congresso. É, acima de tudo, o dever de todos, de acatar a decisão coletiva.

A judicialização sistemática promovida pelo grupo Rede Vive caracteriza lawfare — o uso estratégico e abusivo do sistema judiciário como arma para perseguir, desgastar e eliminar inimigos políticos. Respeitamos o Poder Judiciário, mas não podemos aceitar a tentativa de substituir a soberania dos congressos partidários por supostas decisões judiciais obtidas em ações sucessivas. A afirmação de que “a Justiça anulou o 5º Congresso Nacional” não corresponde aos fatos. Houve liminares pontuais, todas com recurso em trânsito por se basearem em alegações falsas. A grande maioria das ações propostas pelo grupo de Marina Silva – 254 ao todo – tem sido rejeitada ou não produziu o efeito paralisante pretendido. O Congresso Nacional da Rede foi realizado com ampla participação de delegados de todo o Brasil e sua legitimidade deriva, em primeiro lugar, da vontade expressa pelos filiados.

A atual direção, democraticamente eleita, composta por Paulo Lamac, Heloísa Helena, Bruna Paola, Pedro Ivo, Sila Mesquita, Adilson Vieira, Alice Gabino, Laís Garcia, Cristiana Almeida, Marcelo Lavigne, Wesley Diógenes e tantos outros que constroem o partido de baixo para cima, sendo responsável por grandes avanços institucionais e pelo crescimento do partido. Ela tem feito exatamente o que o estatuto e o programa exigem: posicionar a REDE de forma clara e principista no campo democrático-popular.

Apoiamos o Presidente Lula desde o primeiro turno em 2024, integramos a federação com o PSOL, dialogamos de forma leal e republicana com PT, PSB, PDT, PV, PCdoB e todos os setores que resistem ao retrocesso autoritário e ao negacionismo e construímos um partido ecossocialista e de combate no campo democrático.

A REDE saiu das últimas disputas eleitorais mais fortalecida, com maior presença geográfica, crescimento de filiados e maior enraizamento junto aos movimentos sociais. Esse avanço é resultado de um trabalho sério e comprometido, que se reflete também na chegada de importantes lideranças, como Luizianne Lins e André Janones, fortalecendo ainda mais o projeto coletivo do partido.

Reafirmamos que a REDE tem lugar para todos que se identifiquem com seu manifesto e programa. Convidamos a militância que hoje diverge, incluindo a deputada Marina Silva, a participar da construção partidária pelas vias estatutárias, com debate franco, mas leal. O “bom combate da democracia” não se faz enfraquecendo as instâncias eleitas nem criando embaraços permanentes ao funcionamento do partido. Todos são bem-vindos no fortalecimento de nossa tática eleitoral para superar a cláusula de barreira.

Seguimos inteiramente comprometidos com a reeleição do Presidente Lula, com a vitória de Fernando Haddad em São Paulo e com o fortalecimento do campo que defende a democracia, a justiça social, o combate à crise climática e a soberania nacional.

A REDE Sustentabilidade não é de ninguém em particular. É de seus filiados e de seu projeto coletivo. Continuaremos construindo-a como espaço de pluralismo real, enraizado na maioria que se manifestou democraticamente em seu Congresso Nacional.

Direção Nacional da REDE Sustentabilidade
São Paulo/SP, 5 de abril de 2026.”

 

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/marina-silva-bate-o-martelo-sobre-seu-papel-na-chapa-de-haddad-em-sp/