Numa das corridas eleitorais mais acirradas e memoráveis da história política brasileira, o desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas duas maiores metrópoles do país provou ter sido um dos fatores determinantes para a consolidação de sua reeleição. Os eleitores das capitais de São Paulo e do Rio de Janeiro desempenharam um papel crucial ao garantirem uma expressiva frente de votos ao candidato petista, auxiliando na abertura da margem necessária para superar a vantagem inicial obtida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno.
O resultado das urnas neste segundo turno consagrou a primeira virada de um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar na história das eleições presidenciais do país. Em âmbito nacional, Lula obteve 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos), enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 48,21% (59.826.041 votos), marcando uma diferença superior a 4,4 milhões de sufrágios. Essa vantagem foi diretamente alimentada pela força do eleitorado nas duas maiores megalópoles brasileiras.
São Paulo: ampliação da vantagem e consolidação na maior capital do país
Na cidade de São Paulo, o maior colégio eleitoral municipal do Brasil, a candidatura de Lula demonstrou forte tração e ampliou seu desempenho em relação às etapas anteriores da disputa. O candidato reeleito registrou uma vitória sólida na capital paulista, garantindo uma folga percentual de mais de dez pontos sobre o rival.
Os números oficiais consolidados no município de São Paulo foram:
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 55,50% dos votos válidos (3.864.354 votos)
- Flávio Bolsonaro (PL): 44,50% dos votos válidos (3.097.923 votos)
A diferença absoluta a favor de Lula na capital paulista foi de 766.431 votos. O avanço do eleitorado progressista nas periferias paulistanas e em zonas centrais estratégicas foi apontado por analistas como um dos pilares de sustentação da candidatura petista no Sudeste, mitigando o saldo desfavorável que o candidato costuma enfrentar no interior do estado.
Rio de Janeiro: virada simbólica e decisiva na capital fluminense
Se em São Paulo a missão foi ampliar a vantagem, na cidade do Rio de Janeiro o desafio era reverter o favoritismo histórico da família Bolsonaro na capital fluminense. Em um movimento que surpreendeu observadores políticos e marcou uma virada emblemática na apuração, Lula garantiu a preferência da maioria do eleitorado carioca no segundo turno.
Os dados finais apurados na capital do Rio de Janeiro registraram:
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 51,54% dos votos válidos (1.898.391 votos)
- Flávio Bolsonaro (PL): 48,46% dos votos válidos (1.785.035 votos)
Com um saldo positivo de 113.356 votos na capital carioca, o resultado interrompeu uma sequência de hegemonia conservadora na cidade e serviu como alavanca psicológica e numérica para a virada no cenário nacional.
O impacto combinado das metrópoles no resultado nacional
Somadas, as duas capitais entregaram a Lula um total impressionante de 5.762.745 votos. A margem líquida direta construída pelo petista apenas nas duas cidades alcançou 879.787 votos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro.
Este volume expressivo de votos urbanos foi vital para contrabalançar as votações obtidas pelo candidato do PL no interior das regiões Sul e Centro-Oeste, garantindo a sustentação do resultado nacional. O comportamento do eleitorado das duas megalópoles redefiniu a geografia eleitoral do país, provando que a chave para o Palácio do Planalto continuou passando decisivamente pelos grandes centros metropolitanos do Sudeste.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/metropoles-sao-paulo-rio-vitoria-lula/

