Ministro da Saúde de Flávio criticou atuação do governo Bolsonaro na pandemia

O médico Claudio Lottenberg, anunciado por Flávio Bolsonaro (PL) como futuro ministro da Saúde caso o senador vença a eleição presidencial, criticou a condução da pandemia de Covid-19 pelo governo de Jair Bolsonaro (PL).

Durante o debate presidencial realizado pelos presidenciáveis na Band neste domingo (18), Flávio Bolsonaro disse que “tem Bolsonaro dentro de Lula” ao citar que foi Jair Bolsonaro quem “salvou” os brasileiros da pandemia de Covid-19 ao comprar vacinas.

Em 2021, no entanto, durante o período mais grave da crise sanitária no Brasil, o escolhido para ministro da Saúde de Flávio apontou a falta de coordenação nacional da gestão bolsonarista: “Se houve um ente que não criou um clima inspiracional, foi o governo federal”, afirmou em entrevista ao UOL em março de 2021.

O médico também afirmou que o país não havia conseguido construir uma mensagem nacional consistente sobre medidas básicas de prevenção, como o uso de máscaras e de álcool em gel. Para Lottenberg, a ausência de uma orientação coordenada estava relacionada à forma como a crise era conduzida pelo governo federal.

“Não vimos uma linguagem única, em caráter nacional”, afirmou. Ao avaliar a responsabilidade pela situação, acrescentou que era preciso perguntar ao governo federal por que não havia sido construído, ao longo de um ano de pandemia, um entendimento mínimo sobre as medidas de prevenção.

O médico comparou a postura dos líderes brasileiros à de dirigentes de outros países e criticou a ausência de exemplos de lideranças que reforçassem, com o próprio comportamento, a importância do uso de máscaras.

Durante toda a pandemia de Covid-19, Jair Bolsonaro questionou medidas de distanciamento social, criticou restrições adotadas por governadores e prefeitos e apareceu publicamente sem máscara. O então presidente também minimizou a gravidade da doença em diferentes ocasiões e promoveu medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19, como a cloroquina e a hidroxicloroquina.

No debate da Band, Flávio defende as compras de vacinas do pai

No debate presidencial, Flávio Bolsonaro ainda defendeu a atuação do governo de Jair Bolsonaro na compra de vacinas contra a Covid-19.

A gestão Bolsonaro foi criticada por demorar a avançar nas negociações com a Pfizer, que iniciou conversas com representantes do governo brasileiro para apresentar o desenvolvimento de sua vacina entre maio e junho de 2020, inclusive com a oferta de compra de 30 milhões ou 70 milhões de doses. Entre 18 e 26 de agosto do mesmo ano, apresentou novas propostas, com a possibilidade de entregar 1,5 milhão de doses ainda em 2020, mas sem resposta do governo.

O presidente mundial da Pfizer, Albert Bourla, enviou uma carta ao então presidente Jair Bolsonaro e a outras autoridades federais, mas, segundo o representante da empresa, a correspondência não recebeu resposta do governo.

A farmacêutica fez outra proposta de 70 milhões de doses em novembro de 2020, mas sem previsão de entregas no mesmo ano, dada a demora do governo.

Por outro lado, a negociação da vacina indiana Covaxin foi um dos principais escândalos associados à política de aquisição de imunizantes do governo Bolsonaro e veio à tona durante a CPI da Covid, a Comissão Parlamentar de Inquérito instalada no Senado em abril de 2021 para investigar as várias omissões e irregularidades do governo Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19.

Em fevereiro de 2021, o Ministério da Saúde assinou um contrato de R$ 1,6 bilhão para comprar 20 milhões de doses da vacina desenvolvida pela farmacêutica Bharat Biotech, com intermediação da empresa Precisa Medicamentos.

Na CPI da Pandemia, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda e o deputado federal Luís Miranda relataram à comissão pressões para liberar a importação do imunizante, apesar de problemas identificados nos documentos.

O relatório final, apresentado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), criticou a rapidez das tratativas para a Covaxin em contraste com a demora nas negociações com outras farmacêuticas, como a Pfizer.

O contrato da Covaxin foi cancelado pelo governo federal em junho de 2021, antes que as doses previstas fossem entregues no âmbito daquela contratação. A Anvisa também cancelou, em julho daquele ano, o estudo clínico da vacina no Brasil.

Como registrou a Fórum,

O aval para a compra da vacina foi dado por Jair Bolsonaro, que aprovou a compra do imunizante com um ágio de 1.000% em relação ao preço anunciado pelo fabricante. A Covaxin foi a única vacina que teve um intermediário — a Precisa — na negociação.

Durante a leitura do relatório final da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da comissão, apontou que a morte de mais de 600 mil brasileiros durante a pandemia de Covid-19 foi consentida pelo governo de Jair Bolsonaro. O presidente foi acusado do cometimento de três crimes contra a humanidade: extermínio, perseguição e outros atos desumanos.

“Se as medidas não farmacológicas tivessem sido aplicadas de forma sistemática no País, poderiam ter reduzido os níveis de transmissão da Covid-19 em cerca de 40%, o que significa que 120 mil vidas poderiam ter sido salvas até o final de março de 2021”, apontou o estudo da pesquisadora Jurema Werneck, da Anistia Internacional, apresentado à CPI.

“A mais grave omissão do Governo Federal foi o atraso deliberado na compra de vacinas”, disse Renan Calheiros.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/ministro-saude-flavio/