Novos dados da pesquisa Quaest indicam que, em meio a alta dos preços, o endividamento segue pressionando os lares brasileiros. Na comparação com março de 2022, cresceu de 65% para 72% a proporção de entrevistados que alegam ter alguma ou muitas dívidas a pagar, enquanto 28% afirmam não possuir dívidas.
“O endividamento continua atingindo um número muito expressivo de brasileiros”, afirma o cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest. O percentual de pessoas que afirmam ter poucas dívidas cresceu de 33% para 43%, enquanto aqueles que dizem ter muitas dívidas recuaram de 32% para 29%.
Lula vai apresentar proposta para endividamento das famílias
Em entrevista exclusiva à Fórum no Palácio do Planalto nesta terça (14), o presidente Lula afirmou que o governo está preparando um programa para amenizar o endividamento das famílias brasileiras.
O presidente pontuou que apesar da massa salarial ter crescido, a necessidade de consumo do povo também cresceu. Novos gastos, como internet e compras online mudaram o cenário financeiro das famílias brasileiras, de acordo com o presidente.
Portanto, Lula afirmou que está preparando um programa para resolver parte da dívida das pessoas, assim como foi feito em 2024 com o programa Desenrola. “Ou seja, o Desenrola não atendeu toda a necessidade, e nós agora queremos aperfeiçoar um programa para que a gente possa amenizar [as dívidas]”.
O novo programa, portanto, vai funcionar como um “Desenrola 2.0” com um novo público alvo e dois principais objetivos. Direcionado a famílias de baixa renda que ganham até dois salários mínimos e estão inscritas no Cadastro único (CadÚnico), o novo programa visa solucionar dívidas de famílias com contas atrasadas há meses, mas também aquelas que, embora estejam com o pagamento em dia, comprometem grande parte da renda para quitar parcelas.
“Eu estou tão preocupado com isso. Nós vamos tentar encontrar uma solução definitiva para amenizar o sofrimento das pessoas”, afirmou o presidente.
De acordo com o governo, os descontos oferecidos pelo novo programa devem atingir 90%. Além de promover a quitação de dívidas, o governo também deve estimular a educação financeira oferecendo contrapartidas para que as pessoas não adquiram novas linhas de créditos consideradas mais caras, como o rotativo do cartão e o cheque especial.
Lula afirmou que o programa está em discussão com o Ministério da Fazenda, com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e com o Banco Central para fazer um programa para resolver esse cenário.
“O que nós queremos é que seja um movimento do conjunto da sociedade brasileira para tentar resolver o problema da dívida da sociedade. E nós vamos apresentar uma grande proposta”, anunciou o presidente.
“Nós estamos levando muito a sério esse negócio. Nós vamos tentar resolver parte do problema da dívida.”
Assista a íntegra da entrevista do presidente Lula à mídia progressista

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/o-numero-preocupante-de-brasileiros-muito-endividados-segundo-a-quaest/

