A relação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com uma igreja evangélica cujo fundador faz críticas à devoção católica, sobretudo à Nossa Senhora Aparecida, voltou ao centro da campanha presidencial. O senador e candidato à Presidência frequenta a Comunidade das Nações, em Brasília, fundada pelo bispo JB Carvalho, autor de textos em que condena o culto à chamada “Rainha dos Céus” e relaciona a devoção a Maria a antigas práticas pagãs.
A aproximação entre Flávio e a instituição começou antes da atual disputa eleitoral. Em 2024, ele e a mulher, Fernanda Bolsonaro, foram batizados na Comunidade das Nações. No fim de 2025, já como pré-candidato ao Palácio do Planalto, o senador voltou à igreja para sua primeira aparição pública depois de anunciar a candidatura.
A posição de Carvalho sobre a devoção mariana está registrada em A Bomba: A verdade pode ser explosiva, livro publicado em 2001 pela editora Doxxa. Um trecho da obra reproduzido pelo pastor Sérgio Lourenço afirma: “Deus odeia o culto a Rainha dos Céus”.
Em um trecho do livro, Carvalho afirma: “a lei que estabelece Aparecida como padroeira do Brasil é ilegal. Não existe amparo constitucional para determinar que a deusa mariana seja imposta a toda uma nação como padroeira.” Mais à frente, ele diz que “o feriado de 12 de outubro é ilegal” e reafirma: “convoco a todos os brasileiros cristãos, que amam a Deus, que se levantem e verbalizem a vontade de Deus expressa em Sua Palavra, que Aparecida não seja mais Senhora em nossa nação e que Jesus Cristo seja nosso Único Senhor no Brasil.”
O que disse Flávio Bolsonaro
O conteúdo ganhou novo contexto depois de uma declaração feita por Flávio Bolsonaro em agosto deste ano. Em vídeo publicado nas redes sociais no dia 24, o senador afirmou que, se for eleito presidente, “um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.
A fala provocou reações entre católicos nas redes sociais e foi seguida por manifestações de bispos da Basílica de Nossa Senhora Aparecida. A controvérsia envolve justamente diferentes concepções cristãs sobre a figura de Maria e sua relação com Jesus.
https://x.com/jairmearrependi/status/2104111798345494532
Livros de Carvalho chegaram a Jair Bolsonaro
A proximidade entre o bispo e a família Bolsonaro também aparece fora da Comunidade das Nações. Obras de Carvalho foram levadas por Flávio e Michelle Bolsonaro ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante o período em que ele esteve na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Em novembro de 2025, Flávio chegou para uma visita ao pai carregando Metanoia: A chave está em sua mente, de autoria de Carvalho. O episódio foi registrado pela Folha de S.Paulo.
Pouco mais de um mês depois, em janeiro de 2026, Michelle levou outro livro do bispo ao marido: A jornada de meninos a homens, publicado em 2019 e voltado à formação masculina a partir de uma perspectiva cristã.
Os episódios se somam ao batismo de Flávio e Fernanda na Comunidade das Nações e à presença do senador nos cultos da instituição.
A disputa religiosa na campanha
A declaração de Flávio sobre transformar o Brasil em um país “do Senhor Jesus Cristo” colocou a religião novamente entre os temas da campanha presidencial. O episódio também expôs uma diferença entre a linguagem utilizada pelo candidato e a tradição católica predominante no país, que atribui a Nossa Senhora um papel de intercessão.
Nesse contexto, as posições religiosas de JB Carvalho ganham relevância pela relação pública que mantém com Flávio. A ligação entre ambos é documentada por anos de participação do senador na igreja, pelo batismo realizado na instituição e pela circulação das obras de Carvalho entre integrantes da família Bolsonaro.
A Comunidade das Nações, fundada pelo bispo, tornou-se assim um dos espaços religiosos associados à trajetória pública de Flávio Bolsonaro, em um momento em que referências à fé cristã ocupam lugar destacado em seu discurso eleitoral.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/pastor-da-igreja-de-flavio-bolsonaro-escreveu-contra-nossa-senhora-aparecida-e-chama-lei-da-santa-de-ilegal/


