Avalista da Faria Lima e da mídia liberal na candidatura Jair Bolsonaro (PL) em 2018, o ex “super” ministro da Economia Paulo Guedes voltou aos palcos neoliberais para ensaiar a entrada na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que confessou nesta sexta-feira (10) não ter um plano de governo, mas apenas “propostas genéricas” para governar o país.
Guedes e Flávio Bolsonaro participaram, em dias distintos, do chamado Fórum da Liberdade, evento anual da think tank neoliberal Instituto de Estudos Empresariais (IEE), realizado nesta quinta (9) e sexta-feira na Puc do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.
Guedes foi a estrela do primeiro dia, finalizando o evento após um painel com os presidenciáveis Aldo Rebelo (DC), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) com a palestra “Ajeitando o Caminho”. Flávio teve um “painel com presidenciáveis” – que não contou com Lula – exclusivo no segundo dia.
Embora não tenha declarado apoio direto ao filho de Bolsonaro – dizendo em tom conciliador aos outros candidatos neoliberais que “nós não temos inimigo natural, nosso problema somos nós mesmos” -, Guedes fez um discurso político, prevendo vitória da oposição, atacando a China “o capitalismo mais agressivo que o mundo já conheceu”, e fazendo piadinhas sobre o socialismo, para delírio dos presentes.
“Os conservadores, defensores da pátria e da família, assumiram o banco da frente; os liberais assumiram o banco de trás; e os socialistas foram para fora do caminhão. Foi a aliança que eu também fiz aqui”, gracejou ao analisar o cenário político.
Ao analisar o cenário eleitoral, Guedes simplificou a máxima neoliberal da austeridade fiscal para prever a vitória da oposição.
“Quando você gasta mais, emite mais moeda, gera inflação, aumenta o juro, reduz o crescimento. O Brasil vai crescer menos e eleitoralmente isso vai empurrar para o outro lado”, afirmou, comparando o cenário brasileiro com o do Chile, onde José Antonio Kast, o “Bolsonaro chileno” venceu Gabriel Boric.
“No Chile, primeiro turno deu Boric 30% [referência à candidata Jeanete Jara apoiada pelo então presidente]. No segundo turno, deu Boric 30%. Aqui vai acontecer igualzinho”, disse, sem revelar no entanto que aqui a disputa será diretamente contra Lula e não um candidato dele.
Guedes ainda mentiu sobre o caos econômico deixado por ele durante o governo Jair Bolsonaro, que obrigou Lula e Fernando Haddad a negociar a chamada PEC da Transição com o Congresso ainda em dezembro de 2022 para evitar o estouro nas contas públicas, fruto dos gastos excessivos do governo em ano eleitoral.
“Quando a gente saiu [do governo, em 2022], a previsão de inflação para o ano seguinte era 3,2%. Ia acontecer superavit em 5.000 municípios, superavit no governo federal, nas estatais, para tudo que é lado”, mentiu, esquecendo-se ainda de dizer que o lucro nas estatais, por exemplo, era previsto em razão da privatização de empresas como a Petrobrás.
https://x.com/revistaforum/status/2042954056818131323
Sem projeto para o país
No painel no dia seguinte, Flávio Bolsonaro acenou para os adversários neoliberais, pregando a união em torno de sua candidatura, mas confessou que não tem sequer um projeto para o país ao ser indagado sobre seu plano de governo.
“Infelizmente, vocês vão continuar ouvindo propostas genéricas da minha parte. Estamos num momento de pré-campanha, a gente precisa mostrar para todo mundo qual é o norte que pretendemos dar ao nosso país”, afirmou, tentando consertar no final dizendo que “mas nós sabemos o que tem que ser feito”.
O filho “01” de Bolsonaro ainda mentiu sobre o apoio ao irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) que negociou com o governo Donald Trump, dos EUA, o levantamento de sanções contra autoridades brasileiras, que resultou na taxação das empresas e produtos do país.
“O que o Eduardo Bolsonaro estava defendendo era a punição para um violador de direitos humanos internacional”, desconversou.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/paulo-guedes-entra-campanha-flavio-bolsonaro/


