O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi preso na manhã desta quinta-feira (16) pela Polícia Federal (PF), durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. A investigação, que apura crimes financeiros e lavagem de dinheiro, revelou em novembro de 2025 um esquema envolvendo o Banco Master e a lavagem de recursos por meio de imóveis de luxo.
A operação também prendeu o advogado Daniel Monteiro, apontado como responsável jurídico pelas negociações do esquema.
A operação, iniciada em 2025, investiga fraudes financeiras entre o Banco Master e o BRB. Ao todo, já foram presas 13 pessoas e realizados 96 mandados de busca e apreensão em seis estados, com determinação do bloqueio de bens de até R$ 27,7 bilhões.
O Ministro da Justiça, Wellington Cesar Lima, afirmou que a Compliance Zero é parte do esforço federal para combater o crime organizado no setor financeiro.
Mensagens revelam esquerma ema
Trocas de mensagens entre Paulo Henrique Costa, e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, também foram reveladas pela operação.
As conversas mostram uma negociação envolvendo imóveis de luxo, que, segundo a Polícia Federal, indicam um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. O valor estimado do esquema é de R$ 150 milhões.
Durante as trocas, Costa discute abertamente com Vorcaro sobre o valor dos imóveis, mencionando a compra de um imóvel específico, o Casa Lafer, e cobrando o avanço das negociações imobiliárias.
Além disso, as mensagens também revelam o alinhamento entre os dois, com Costa mencionando um pedido do governador Ibaneis Rocha para preparar um material político, o que indica que as negociações envolviam interesses políticos.
A investigação aponta ainda que Paulo Henrique Costa atuava como “mandatário” de Vorcaro no BRB, recebendo imóveis de luxo em troca da facilitação de transações fraudulentas, como a aquisição de carteiras de crédito do Master, avaliadas em R$ 12,2 bilhões.
Quem é Paulo Henrique Costa
Economista de formação, Costa construiu carreira em bancos públicos e órgãos de fomento antes de assumir a presidência do BRB. Entre suas passagens, estão cargos de direção na Caixa Econômica Federal, presidência do Banco do Nordeste, e funções na Brasilcap e na Desenvolve SP.
Costa assumiu a presidência do BRB em 2019, indicado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), e desde então ocupou posição estratégica no sistema financeiro do Distrito Federal.
Empréstimo a Flávio Bolsonaro e rachadinhas
Foi nesse contexto que reapareceu o financiamento concedido a Flávio Bolsonaro em 2021. Naquele ano, o BRB liberou R$ 3,1 milhões para a compra de uma mansão avaliada em R$ 5,97 milhões no Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul, uma das áreas mais valorizadas de Brasília.
O crédito foi concedido com condições vantajosas, levantando suspeitas sobre favorecimento político, já que a operação precisou ser aprovada pela diretoria, presidida por Costa.
O pagamento acelerado da mansão também gerou dúvidas, uma vez que Flávio Bolsonaro alega que os recursos vieram de sua franquia de chocolates e outros ganhos.
A alegação, no entanto, contrasta com o esquema de rachadinhas de Fabrício Queiroz, acusado de coordenar o desvio de dinheiro de assessores de Flávio Bolsonaro, e a aquisição de imóveis de valores subfaturados, com o pagamento da diferença em dinheiro vivo, é vista como forma de lavar recursos ilícitos.
Defesa nega acusação
A defesa de Paulo Henrique Costa nega as acusações e sustenta que o ex-presidente do BRB não cometeu crime algum.
O advogado Cleber Lopes afirma que a prisão é desnecessária e que Costa não representa perigo à instrução do processo. A defesa vai analisar a decisão judicial e seguir com os recursos necessários para contestar as alegações.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/paulo-henrique-costa-entenda-tudo-sobre-a-prisao-do-ceo-do-brb-envolvendo-caso-master/

