Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi aconselhado por aliados a adiar, ao máximo, a definição do candidato do partido ao Senado no Rio de Janeiro, após uma sequência de operações da Polícia Federal (PF) atingir nomes cotados para compor a chapa.
Em menos de dois meses, alguns potenciais indicados foram impactados por investigações policiais ou se tornaram inelegíveis, esvaziando as opções disponíveis.
A estratégia busca encurtar o tempo de exposição do futuro escolhido antes do registro oficial das candidaturas, mas o recuo tático já gera tensão interna no partido, que entra na reta decisiva do calendário eleitoral sem nome definido.
A recomendação para que Flávio Bolsonaro segure o anúncio partiu de interlocutores próximos ao senador, segundo apuração do Globo. O raciocínio é direto: revelar o nome agora significaria submetê-lo a semanas de escrutínio público antes mesmo do início oficial da campanha, em um ambiente em que cada cotado que emerge vira alvo de investigação ou de nova crise. A avaliação interna é que o risco político de antecipar a decisão supera qualquer ganho de visibilidade.
O contexto que produziu essa cautela é concreto. Em menos de dois meses, a chapa bolsonarista no Rio perdeu três nomes por razões que vão da inelegibilidade à prisão em flagrante. Flávio chegou a planejar o anúncio do substituto de Cláudio Castro para a última sexta-feira (3), mas voltou atrás mais uma vez.
A tendência, segundo interlocutores do partido, é que a definição só ocorra na convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho, ou até depois disso, comprimindo, ao máximo, o intervalo entre o anúncio e o prazo legal para registro das candidaturas.
Nomes atingidos por investigações da PF e inelegibilidade
O primeiro nome a cair foi o do ex-governador Cláudio Castro (PL), inicialmente escolhido por Flávio para disputar uma das vagas ao Senado.
Castro desistiu da candidatura depois de ser declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, na sequência, tornou-se alvo de operações da PF que investigam suspeitas de fraude no setor de combustíveis e os aportes do RioPrevidência no Banco Master, de Daniel Vorcaro.
A combinação de inelegibilidade com investigações ativas encerrou sua viabilidade eleitoral antes mesmo de a campanha começar.
Em seguida, o impacto chegou à outra vaga da chapa. Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo e indicado pela federação União Brasil-PP, foi preso em flagrante durante a Operação Unha e Carne após agentes encontrarem um fuzil calibre 5,56 em seu carro.
O terceiro caso envolve Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, que figurava entre os favoritos para substituir Castro até perder força com o avanço da investigação sobre um suposto esquema de desvio de cotas parlamentares.
Embora não tenha sido alvo da fase mais recente da operação, investigadores passaram a apurar a origem de R$ 468 mil apreendidos em dinheiro vivo em um imóvel ligado ao deputado, além de suspeita de tentativa de dar aparência de legalidade aos recursos.
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ), outro cotado, também foi atingido por uma operação da PF em dezembro do ano passado, o que reduziu seu capital político para a disputa, ainda que não tenha sido alvo dos desdobramentos mais recentes sobre cotas parlamentares.
Repercussões internas e impasse no PL
A estratégia do adiamento não é consenso dentro do PL. A demora vem aumentando a insatisfação entre dirigentes estaduais, parlamentares e pré-candidatos do partido, que cobram uma definição justamente no momento em que o calendário eleitoral entra na fase decisiva.
As convenções partidárias podem ser realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto, e a ausência de um nome confirmado para o Senado deixa o partido sem palanque estruturado em um dos estados mais populosos do Sudeste.
Anunciar o nome agora significaria submetê-lo a semanas de desgaste antes mesmo do início oficial da campanha.
A avaliação de interlocutores do PL resume a lógica defensiva que passou a dominar a articulação de Flávio no Rio. O problema é que essa lógica tem um custo: quanto mais o anúncio é postergado, menor o tempo para o candidato construir visibilidade e consolidar apoios antes do registro.
Parte dos dirigentes defende que a escolha ocorra na convenção nacional do partido, em 25 de julho. Outros já admitem que pode vir depois disso. O resultado prático é que o PL chega às vésperas das convenções sem candidato ao Senado no Rio de Janeiro, estado que Flávio considera estratégico para sua própria candidatura à Presidência da República.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/pf-flavio-bolsonaro-indicacao-senado-rj/

