A Polícia Federal (PF) concluiu o primeiro inquérito da Operação Sem Desconto com o indiciamento de 48 pessoas por envolvimento no esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Apesar da ofensiva promovida por parlamentares bolsonaristas para associá-lo ao caso, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não aparece na lista.
A PF chegou a investigar alegações de que Lulinha teria recebido pagamentos de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema. As apurações, porém, não encontraram provas dos supostos repasses ao filho do presidente.
O nome de Lulinha também não aparece entre os indiciados do inquérito concentrado nas fraudes operadas por meio da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). A PF encaminhou o relatório ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações.
Oposição tentou arrastar Lulinha para o escândalo
A tentativa de envolver o filho do presidente Lula ganhou força durante os trabalhos da CPMI do INSS, onde integrantes da oposição e parlamentares bolsonaristas apresentaram requerimentos para convocá-lo e quebrar seus sigilos bancário e fiscal.
Em dezembro de 2025, a comissão rejeitou um pedido de convocação de Lulinha. Mesmo sem elementos materiais que comprovassem seu envolvimento nas fraudes, o assunto continuou sendo explorado politicamente por deputados e senadores ligados à oposição.
Em fevereiro de 2026, a CPMI aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do filho de Lula. A medida foi incluída em um bloco de 87 requerimentos votados de uma só vez, em uma sessão marcada por protestos e acusações de irregularidades na condução da votação.
Os dados bancários que chegaram a ser revelados não mostraram depósitos feitos pelo Careca do INSS a Lulinha nem comprovaram a versão de que ele receberia uma suposta “mesada” de R$ 300 mil do lobista.
O próprio presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), reconheceu posteriormente que não havia comprovação da alegação. Segundo ele, a acusação estava sustentada no relato de uma testemunha, sem confirmação documental. “Não há como dizer que é verdade”, declarou Viana ao comentar a história da suposta mesada.
Relator pediu indiciamento, mas parecer foi rejeitado
Apesar da falta de comprovação dos repasses, o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar, incluiu Lulinha no parecer apresentado ao término dos trabalhos e chegou a pedir seu indiciamento e sua prisão preventiva.
O texto, porém, foi rejeitado pela maioria da comissão. Foram 19 votos contrários e 12 favoráveis. A CPMI terminou sem a aprovação de um relatório final, depois que o presidente Carlos Viana encerrou os trabalhos sem colocar em votação o documento alternativo elaborado pela base governista.
O resultado da investigação da PF contrasta agora com a narrativa construída pela oposição durante a comissão. Mesmo submetido a diligências e à análise de movimentações financeiras, Lulinha não integra a lista dos 48 indiciados, e a polícia não identificou provas dos pagamentos que serviram de base para os ataques bolsonaristas.
Ex-ministro de Bolsonaro está entre os indiciados
Entre os nomes efetivamente indiciados está José Carlos Oliveira, ex-presidente do INSS e ex-ministro da Previdência durante o governo de Jair Bolsonaro. Atualmente chamado Ahmed Mohamad Oliveira, ele é suspeito de ter recebido pelo menos R$ 550 mil em propina para favorecer entidades envolvidas nos descontos fraudulentos.
Segundo a PF, Oliveira teria usado os cargos de diretor de Benefícios e de presidente do INSS para garantir o funcionamento e a proteção do esquema. A investigação aponta que ele destravou aproximadamente R$ 15,3 milhões em repasses destinados à Conafer que estavam bloqueados dentro da autarquia.
Também foram indiciados o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o presidente da Conafer, Carlos Lopes, e o próprio Careca do INSS. Os crimes investigados incluem organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
O inquérito apura descontos feitos por entidades associativas diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas sem autorização. A investigação estima que as fraudes tenham movimentado até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, período que abrange todo o governo Bolsonaro e os primeiros anos do atual governo Lula.
Integrante da CPMI, o deputado Rogério Correia (PT-MG) destacou a diferença entre os discursos feitos durante a comissão e os resultados apresentados pela polícia.
“E o Lulinha? Nada, era tudo mentira de bolsonaristas na comissão”, afirmou. O parlamentar também ressaltou que um ex-ministro do governo Bolsonaro e um deputado do Republicanos estão entre os nomes que a PF efetivamente decidiu indiciar.
O indiciamento é uma conclusão da autoridade policial na fase de investigação e não representa condenação. O relatório será analisado pelo Ministério Público, a quem caberá decidir se apresenta denúncia contra os investigados.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/pf-nao-indicia-lulinha-inss/

