Prefeito de Ouro Preto enfrenta projeto de escolas cívico-militares e recebe ataques do governador de MG

A tradicional Cerimônia da Inconfidência, realizada em Ouro Preto nesta terça-feira (21), terminou marcada por um intenso embate político em torno do projeto de escolas cívico-militares em Minas Gerais. O evento, que celebra a memória de Tiradentes e reúne autoridades civis e militares, acabou se transformando em palco de confronto direto entre o prefeito da cidade, Ângelo Oswaldo (PV), e o governador do estado, Mateus Simões (PSD).

Durante seu pronunciamento, o prefeito fez críticas ao modelo educacional defendido pelo governo estadual e colocou em xeque a proposta de militarização das escolas públicas. Em tom firme, defendeu uma alternativa baseada em princípios democráticos e formação cidadã.

“Se militarmos em favor de uma educação cívica, lúcida, transparente e democrática, seguiremos a lição de Rui Barbosa”, afirmou Oswaldo. Em outro trecho, foi ainda mais direto: “Não há que apelar ao militarismo na educação pública”, em referência ao projeto em tramitação na Assembleia Legislativa.

O prefeito também resgatou a simbologia histórica da Inconfidência Mineira para sustentar seu posicionamento, associando a tradição de Minas Gerais à liberdade, à crítica e ao pensamento independente. Para ele, o modelo educacional defendido pelo governo estadual representa um desvio desses valores.

A resposta do governador veio logo em seguida e elevou o tom da cerimônia. Em seu discurso, Mateus Simões demonstrou forte irritação com as declarações do prefeito e fez uma defesa enfática das forças militares e do projeto de escolas cívico-militares.

“Se há quem tenha vergonha do militarismo, essa casa não o tem”, afirmou o governador. Ele também criticou diretamente o prefeito: “Respeito, pelo menos por quem é recebido como visitante, é o mínimo que se espera em Minas Gerais de quem é o dono da casa”.

Simões ainda acusou o prefeito de politizar um evento de caráter cívico e histórico. “Lamento que a cortesia tenha sido substituída pela necessidade de fazer política em um momento como este”, disse, em tom de reprovação.

Após a cerimônia, Ângelo Oswaldo reagiu nas redes sociais e reforçou suas críticas ao governador. Segundo ele, houve desrespeito institucional durante o evento. “O governador foi grosseiro, deseducado e desrespeitoso”, escreveu. O prefeito também reiterou sua oposição ao projeto educacional: “A educação mineira deve ser guiada por princípios pedagógicos e democráticos”.

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Debate sobre escolas cívico-militares em Minas Gerais

O embate ocorre em meio à tramitação do projeto que cria o Programa de Escolas Cívico-Militares em Minas Gerais. A proposta do governo prevê a cooperação entre a rede estadual de ensino e instituições militares, mantendo a gestão pedagógica sob responsabilidade da Secretaria de Educação.

O tema tem dividido opiniões em Minas e no país. Críticos apontam riscos de militarização do ambiente escolar e perda de autonomia pedagógica, enquanto defensores argumentam que o modelo pode contribuir para disciplina e melhoria de indicadores educacionais.

Durante a cerimônia da Inconfidência, esse debate ganhou contornos políticos ainda mais evidentes, expondo a divergência entre o governo estadual e a administração de Ouro Preto.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/prefeito-ouro-preto-governador-mg/