Diretor da Quaest explica de onde vem o rancor dos mais ricos com os governos do PT

Um trecho de uma entrevista do cientista político Felipe Nunes, sócio-fundador e diretor da Quaest, voltou a circular nas redes sociais nesta semana ao apontar o ressentimento social como uma das chaves para compreender o antipetismo a polarização política brasileira.

A fala foi feita no Conversa com Bial, apresentado por Pedro Bial, em episódio exibido em 18 de novembro de 2025. Na ocasião, Nunes apresentou os resultados de Brasil no Espelho, amplo estudo sobre valores e percepções dos brasileiros que deu origem ao livro de mesmo nome.

O trecho que voltou a ganhar repercussão parte de duas perguntas feitas pela pesquisa. Primeiro, se os entrevistados consideravam que pessoas semelhantes a eles haviam melhorado de vida nos últimos 20 anos. Depois, se aqueles que haviam conseguido ascender socialmente mereciam essa melhora.

“É daí que vem o rancor”

Segundo Nunes, as respostas revelaram uma divisão nítida entre diferentes grupos da sociedade brasileira.

“Quando você pergunta para os brasileiros, nos últimos 20 anos você melhorou de vida? O que a gente escuta é, os pretos, as mulheres, os mais pobres no nordeste dizem que sim, melhoraram de vida. Os brancos, principalmente do sul, do sudeste, renda mais alta dizem não, nós não melhoramos de vida.”

O ponto mais revelador, para o cientista político, aparece na pergunta seguinte.

“Mas a próxima pergunta que é impressionante, ela diz o seguinte, mas você acha que aqueles que melhoraram de vida, mereceram melhorar de vida? E o que a gente descobre é que os mesmos brancos, do sul, do sudeste, de renda alta dizem que não, os outros, que não eles, não mereceram.”

É justamente aí que Nunes identifica a origem de parte do ressentimento contra os governos do PT que atravessa a sociedade brasileira.

“A produção desse ressentimento social produz polarização, produz divisão, é daí que vem o rancor, é daí que a gente alimenta preconceito e não pacto social, ideia de nação.”

A declaração trata de percepções dos entrevistados sobre sua própria trajetória e a dos demais grupos, e não de uma medição objetiva da variação de renda de cada segmento. O argumento de Felipe Nunes é que a sensação de perda relativa e, principalmente, a ideia de que outros grupos não “mereceram” avançar socialmente ajudam a alimentar o conflito entre diferentes parcelas da população.

Não foi a primeira vez que o diretor da Quaest apresentou essa interpretação. Em junho de 2025, durante entrevista ao Roda Viva, ele já havia exposto resultados semelhantes: pessoas negras, mulheres, pobres e nordestinos diziam com maior frequência ter melhorado de vida, enquanto brancos, homens e pessoas de renda mais alta apareciam do outro lado dessa percepção. A própria Quaest classificou o ressentimento como um dos motores da polarização.

Quaest mostra disputa apertada entre Lula e Flávio

O vídeo ressurge justamente quando a própria Quaest registra uma eleição presidencial bastante dividida.

Na pesquisa mais recente do instituto, divulgada nesta segunda-feira (14), Lula (PT) aparece com 36% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) tem 31%. Augusto Cury (Avante) aparece com 7%, Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) registram 4% cada, e Romeu Zema (Novo), 1%.

Na simulação de segundo turno entre os dois principais candidatos, Flávio registra 42% e Lula, 40%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o resultado representa empate técnico. Na rodada anterior, divulgada em 7 de setembro, ambos apareciam com 41%.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/quaest-rancor-mais-ricos-pt/