Alexandre Ramagem (PL/RJ), ex-diretor da Abin e ex-deputado federal condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por crimes contra o Estado Democrático de Direito, abriu uma empresa na Flórida em 6 de janeiro de 2026.
O registro da ARBN Villa Corporation foi obtido pela ICL Notícias e pela Agência Pública e revela que Ramagem constituiu o negócio apenas quatro meses depois de fugir clandestinamente do Brasil pela fronteira com a Guiana, usando passaporte diplomático para entrar nos Estados Unidos. Enquanto o governo brasileiro aguarda resposta ao pedido de extradição, Ramagem vive com a família em Orlando, em uma casa avaliada em cerca de R$ 4,5 milhões.
A empresa na Flórida: detalhes do registro
Segundo documentos obtidos pela ICL Notícias e pela Agência Pública, a ARBN Villa Corporation foi registrada em 6 de janeiro de 2026 no estado da Flórida, inicialmente com endereço em Kissimmee, no mesmo local de uma escola de jiu-jitsu da rede brasileira Gracie Barra. Em 20 de março, o endereço da firma foi alterado para uma caixa postal em uma loja da UPS, no município de Saint Cloud, a cerca de 45 quilômetros de Orlando, onde Ramagem estaria morando com a família de acordo com informações da Polícia Federal.
Os documentos de registro não especificam ramo de atuação nem atividades concretas. A finalidade declarada é realizar “todo e qualquer negócio legal”, formulação genérica que não permite identificar o objeto real da empresa. A reportagem tentou contato com Ramagem por telefone, e-mail e redes sociais, mas não obteve retorno. A sequência de endereços, do espaço compartilhado com uma academia à caixa postal anônima, reforça a opacidade em torno do negócio aberto por um foragido da Justiça brasileira.
Da Abin paralela à fuga: o histórico de Ramagem
Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime fechado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. A condenação está diretamente ligada ao seu papel na chamada “Abin paralela”: durante o governo Jair Bolsonaro, ele foi acusado de usar a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência para monitorar e perseguir opositores e para desacreditar as urnas eletrônicas. Eleito deputado federal em 2022, teve o mandato cassado em dezembro do ano passado, após a decisão do STF.
A fuga ocorreu em setembro do ano passado. Ramagem saiu clandestinamente do Brasil pela fronteira com a Guiana e usou passaporte diplomático para entrar nos Estados Unidos, segundo a Polícia Federal. Em dezembro, o governo brasileiro encaminhou às autoridades norte-americanas um pedido formal de extradição. Ramagem respondeu com um pedido de asilo político, que segue sob análise do governo dos EUA. É justamente esse status migratório pendente que, segundo as fontes, lhe permite abrir empresas no país enquanto o impasse jurídico não se resolve.
Vida de luxo e impunidade: a rotina nos EUA
Sem salário de deputado e sem bens declarados à Justiça Eleitoral nas eleições de 2022, Ramagem mantém um padrão de vida que contrasta com qualquer imagem de exilado em dificuldades. Segundo apuração do G1, a casa em Orlando onde ele mora com a esposa e as duas filhas tem 5 quartos, 329 m² e valor estimado em cerca de R$ 4,5 milhões (US$ 899 mil). A origem dos recursos que sustentam esse padrão não foi esclarecida publicamente.
A esposa, Rebeca Ramagem, tem atuado como influenciadora nas redes sociais, publicando fotos do casal e da família em Miami, com registros de datas comemorativas e eventos esportivos. Em dezembro do ano passado, ela anunciou que o marido planejava lançar cursos online “de altíssimo nível, com conteúdo sério, relevante e transformador, e com um valor acessível, pensado para caber na renda de todos”. Até agora, nenhum curso foi divulgado oficialmente por Ramagem. Em abril, ele foi detido em Orlando pelo Serviço de Imigração dos EUA (ICE) por questões migratórias, ficando sob custódia por dois dias antes de ser solto, o que não interrompeu a rotina da família na Flórida.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/ramagem-empresa-eua-vida-de-luxo/

