Após reduzir circulação de ônibus, Ricardo Nunes diz não entender “reviravolta” na vitória de Lula

Após a gestão municipal programar uma frota de ônibus inferior à habitual dos dias úteis para o segundo turno das eleições, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou na madrugada desta segunda-feira (26) que não consegue compreender a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL).

“É muito difícil entender essa reviravolta. Todas as pesquisas, tracking dando Flávio”, declarou Nunes à coluna Painel, da Folha de S.Paulo. O prefeito acompanhou a apuração dos votos em Brasília, ao lado do candidato derrotado e do governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A declaração ocorreu poucas horas depois de São Paulo enfrentar denúncias de falta de transporte público durante a votação. A Justiça Eleitoral havia determinado que a Prefeitura disponibilizasse 100% da frota operacional prevista para os dias úteis, mas eleitores relataram longas esperas em diferentes regiões da cidade.

Ricardo Nunes e a redução da frota de ônibus

O planejamento divulgado pela SPTrans em 20 de outubro previa a circulação de 6,9 mil ônibus no segundo turno, com intervalos equivalentes aos dos sábados. O número representava um acréscimo de aproximadamente 2 mil veículos em comparação com os domingos habituais, mas permanecia abaixo da operação dos dias úteis.

Na sexta-feira (23), a Justiça Eleitoral determinou que a Prefeitura adotasse a frota operacional integral de um dia útil. A decisão, divulgada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), estabeleceu multa de R$ 100 mil ao prefeito e ao presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges, em caso de descumprimento.

Um levantamento divulgado no domingo, realizado com informações do aplicativo BusInfo, identificou 9.786 ônibus em circulação às 14h40, equivalentes a 71,04% dos 13.767 veículos cadastrados no sistema municipal. A medição pontual, publicada pelo g1, não constitui, isoladamente, uma conclusão judicial sobre o cumprimento da ordem, que se refere à frota operacional de dias úteis.

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, denunciou à Justiça que somente 60% da frota prevista estaria circulando. A coligação solicitou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira, e do presidente da SPTrans. O pedido foi negado pelo juiz eleitoral por insuficiência de elementos para caracterizar flagrante delito, sem afastar a possibilidade de apuração posterior.

Guilherme Boulos (PSOL) também afirmou que pediria a prisão de Ricardo Nunes por causa da retenção de ônibus na capital.

Nunes negou as acusações. Durante o domingo, sustentou que a quantidade de ônibus disponível era superior à demanda dos passageiros e afirmou que o transporte funcionava normalmente.

A SPTrans alegou ter recebido a notificação judicial às 13h10 de sábado (24), menos de 12 horas antes do início da operação eleitoral. Segundo a empresa, a necessidade de reorganizar as escalas de motoristas e funcionários dificultou a ampliação imediata do serviço.

Os problemas de transporte não ficaram restritos à capital paulista. Em Salvador, ônibus também foram retidos durante o segundo turno das eleições, provocando denúncias de dificuldades para que eleitores chegassem às seções de votação.

Vitória de Lula e contestação de Flávio Bolsonaro

As denúncias sobre dificuldades de deslocamento em São Paulo e outras cidades estiveram entre os motivos apresentados à Justiça para a ampliação do horário de votação. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação até as 19h. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esclareceu posteriormente que a medida alcançava apenas os locais onde a votação ainda não havia sido encerrada às 17h.

Flávio Bolsonaro anunciou que pretende pedir a anulação do resultado e criticou a decisão de Zanin. Entretanto, tanto a campanha do senador quanto a de Lula haviam apresentado pedidos de ampliação do horário de votação diante dos problemas registrados no segundo turno.

O resultado oficial, anunciado pelo TSE, confirmou a reeleição de Lula com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%.

Apesar da manifestação de surpresa durante a madrugada, Nunes divulgou uma nota nesta segunda-feira reconhecendo a vitória de Lula. Na declaração, afirmou desejar que o governo acerte na condução da economia e contribua para melhorar a qualidade de vida da população.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/ricardo-nunes-onibus-lula/