Neste sábado (4), o jogador Richarlison, ex-Seleção, voltou a reforçar que a mansão que comprou por mais de R$ 10 milhões, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, foi “tomada” em um processo que envolve o nome do senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em uma publicação nos stories do Instagram, Richarlison compartilhou um vídeo feito por Flávio da vista aérea do local da propriedade, e afirmou: “Lugar bonito, né? Pois é. Me tomaram”.
Nesta semana, o caso repercutiu nas redes sociais após Richarlison fazer um comentário em uma live da advogada imobiliária Ana Paula Zantut, que usou o caso da mansão para explicar a diferença entre posse e propriedade. Na postagem, o jogador confirmou o ocorrido.
“Realmente gastei em torno de 10 milhões lá. E simplesmente me tomaram. E estou até hoje sem receber a minha grana”, comentou.
Já neste sábado, o jogador compartilhou o desabafo em sua própria conta no Instagram. Veja abaixo.
Comentário de Richarlison ao compartilhar publicação de Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução/Instagram
Entenda o caso
O caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Richarlison teve início em 2020. Naquele ano, o senador visitou a mansão em Angra dos Reis, uma das propriedades mais cobiçadas da região, e demonstrou interesse imediato pela propriedade. Na ocasião, porém, o então proprietário informou que a venda já havia sido fechada com a empresa Sport 70, pertencente ao atacante Richarlison e ao empresário Renato Velasco. Mesmo assim, o senador e o advogado Willer Tomaz voltaram posteriormente ao local em uma lancha para visitar a mansão, e Flávio chegou a registrar imagens aéreas do imóvel.
Pouco depois, Willer Tomaz iniciou uma ofensiva judicial para obter a posse da propriedade. A disputa ganhou contornos dramáticos: uma idosa afirmou ter sido induzida a assinar documentos relacionados ao imóvel, enquanto uma mulher grávida — esposa do empresário de Richarlison — acabou retirada da residência durante o cumprimento de uma ordem de reintegração de posse, episódio que, segundo relatos, levou à antecipação de seu parto.
Embora Flávio Bolsonaro negue participação na disputa e sustente que apenas mantém amizade com Willer Tomaz, seu nome foi arrolado como testemunha na ação judicial movida pelo advogado. O caso reforçou os questionamentos sobre a proximidade entre ambos e sobre o interesse do senador pelo imóvel desde antes do litígio.
A disputa também chamou atenção porque ocorreu paralelamente à defesa, por Flávio Bolsonaro, de projetos voltados à transformação da Costa Verde em um grande polo turístico privado. Antes mesmo do atual debate nacional sobre a privatização das praias, o senador já patrocinava propostas para criar uma região administrativa especial destinada a impulsionar empreendimentos turísticos de alto padrão em Angra dos Reis e municípios vizinhos — área onde está localizada justamente a mansão objeto da disputa judicial.
Quem é Willer Tomaz
Muito antes da disputa pela mansão de Angra dos Reis, Willer Tomaz já havia se tornado personagem de um dos episódios mais rumorosos envolvendo pessoas próximas ao clã Bolsonaro.
Em 2019, o advogado e Flávio Bolsonaro sacaram cerca de R$ 1,5 milhão em espécie nos caixas de um cassino em Las Vegas, nos Estados Unidos. A operação chamou atenção porque os recursos foram retirados em dinheiro vivo, procedimento incomum para valores dessa magnitude. À época, ambos afirmaram que o saque tinha como objetivo permitir apostas no estabelecimento, prática comum em cassinos americanos. O episódio ganhou repercussão em meio às investigações sobre movimentações financeiras envolvendo o gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Criminalista conhecido em Brasília, Willer Tomaz construiu influência nos bastidores do Judiciário ao atuar em processos de grande repercussão e representar empresários, políticos e investigados em operações de corrupção. Sua trajetória, contudo, também é marcada por controvérsias.
Em 2017, foi preso preventivamente na Operação Patmos, acusado de atuar para comprar decisões judiciais em favor do empresário Joesley Batista. O advogado sempre negou as acusações e foi posteriormente colocado em liberdade, continuando a exercer a advocacia.
A amizade com Flávio Bolsonaro atravessou os anos. Além de aparecer ao lado do senador em viagens internacionais e no episódio do cassino em Las Vegas, Tomaz tornou-se uma figura recorrente em episódios que envolvem interesses patrimoniais ligados ao entorno do parlamentar. A disputa pela mansão de Richarlison, na qual Flávio figura como testemunha e cuja origem remonta ao interesse manifestado pelo senador pelo imóvel, tornou-se um dos exemplos mais emblemáticos dessa relação.
Retratação
Em contato por e-mail com a Fórum, o escritório de Willer Tomaz enviou a nota abaixo com a “retratação” da advogada Ana Paula Zantut sobre “o caso da ‘mansão de Richarlison’”.
Leia a íntegra
NOTA PÚBLICA DE RETRATAÇÃO E ESCLARECIMENTO: VEICULAÇÃO DE INFORMAÇÕES IMPRECISAS EM 01/07/2026 SOBRE O CASO DA “MANSÃO DE RICHARLISON”
Em atenção às relevantes repercussões decorrentes de vídeo recentemente publicado em minhas redes sociais contendo comentários acerca de suposta disputa judicial envolvendo imóvel localizado na Ilha Comprida/RJ, identificado como “mansão de Richarlison”, entendo ser meu dever, como Advogada, prestar os seguintes esclarecimentos sobre a questão.
Inicialmente, destaco que os comentários foram realizados a partir de notícia antigas e desatualizadas sobre o caso. Após exame mais aprofundado e ciente de que existe documentação processual muito além do quanto antes veiculado pela mídia, verifiquei que a comunicação inicialmente realizada continha imprecisões relevantes sobre aspectos fáticos e jurídicos essenciais do caso, inclusive em relação a partes envolvidas, desenvolvimento de acontecimentos, direitos envolvidos e natureza jurídica das controvérsias, todas essas circunstâncias que recomendam imediata correção e retificação.
Por essa razão, esclareço desde logo que os vídeos foram apagados e ficam integralmente sem efeito e devem ser desconsideradas todas as afirmações, interpretações, conclusões ou explicações constantes da publicação anteriormente divulgada, as quais não mais refletem minha compreensão atual dos fatos, que será melhor aprofundada e apresentada em novos conteúdos detalhados e fundamentos, que já estou preparando.
Reconheço que a forma sintética empregada na comunicação originária, aliada à complexidade da controvérsia e à existência de elementos processuais não então considerados, acabou por transmitir ao público informações insuficientemente contextualizadas e, em pontos relevantes, incompatíveis com o efetivo estado jurídico da questão.
Em respeito ao compromisso ético que orienta o exercício da advocacia e à responsabilidade inerente à divulgação de conteúdo jurídico em redes sociais, entendo ser imprescindível promover esta retratação pública imediata, a fim de evitar a continuidade da circulação de informações potencialmente equivocadas.
Estou preparando manifestação mais completa, em formato de vídeo, na qual apresentarei esclarecimentos técnicos detalhados acerca dos fatos, do histórico processual e dos equívocos verificados na comunicação anteriormente divulgada, permitindo ao público compreender o caso de forma mais precisa e contextualizada.
Até a divulgação desse novo conteúdo, reitero que não devem ser consideradas válidas ou atuais as informações constantes da publicação original, a qual resta expressamente retratada por esta nota.
Renovo meu compromisso com a informação jurídica responsável, com a boa-fé, com a correção de eventuais equívocos e com o permanente respeito aos fatos efetivamente comprovados e às decisões proferidas pelo Poder Judiciário.
Ana Paula Zantut
Advogada
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/richarlison-compartilha-flavio-bolsonaro-mansao-ilha-me-tomaram/

