Rogério Correia: presidente da CPMI e bolsonaristas blindam Zettel e Vorcaro

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do PT na Câmara, afirmou em áudio enviado à Fórum que o presidente da CPMI do INSS, o relator e a base bolsonarista estariam blindando Fabiano Zettel, Daniel Vorcaro e aliados citados no caso Banco Master. Segundo ele, a comissão estaria sendo conduzida para evitar o aprofundamento da investigação sobre a origem e o destino de recursos ligados ao banco.

“O presidente da CPMI, o relator, junto com a base bolsonarista, têm blindado qualquer investigação que diz respeito à participação dos bolsonaristas no Master”, disse o parlamentar. Na mesma fala, ele afirmou que “eles blindam qualquer perspectiva de analisar essa origem do Master e toda a falcatrua existente”.

A declaração de Correia amplia a pressão política sobre a CPMI num momento em que o entorno de Vorcaro e de Zettel já entrou no radar da comissão e também no noticiário sobre repasses e conexões com a Igreja Lagoinha. A própria Fórum já mostrou que Rogério Correia acionou a PF após repasse de R$ 3,9 milhões do Master a empresa ligada a André Valadão. No áudio, o deputado cita diretamente o fluxo de dinheiro para a instituição religiosa e afirma que o colegiado evita avançar sobre esse eixo da apuração.

A fala de Correia chega num momento em que a disputa sobre o escopo da CPMI se intensifica e o caso Banco Master avança para além do debate estritamente financeiro, alcançando também conexões políticas, religiosas e parlamentares. Ao citar Zettel, Vorcaro e a Igreja Lagoinha no mesmo eixo, o deputado tenta sustentar a tese de que a investigação não pode ficar restrita a episódios isolados nem ser conduzida apenas sob o filtro de conveniência da maioria da comissão. A estratégia do petista é pressionar para que o foco recaia sobre a cadeia completa de relações e movimentações sob suspeita.

“Comitê eleitoral bolsonarista”, diz deputado

Rogério Correia também elevou o tom ao afirmar que a CPMI virou instrumento político. “Querem fazer da CPMI apenas um comitê eleitoral bolsonarista, com peças e cortinas de fumaça, como sempre com Lulinha”, declarou. Em seguida, completou: “Uma CPMI que é um comitê eleitoral bolsonarista não pode funcionar enquanto CPMI no Congresso Nacional”.

A crítica atinge diretamente a condução do colegiado e tenta deslocar o foco da disputa política para o núcleo financeiro do caso Master, especialmente no que diz respeito a aposentados, pensionistas e ao rastro de recursos sob investigação. A fala também reforça a linha que o deputado vem adotando fora da comissão, cobrando aprofundamento sobre personagens ligados a Vorcaro e à Lagoinha.

Rogério Correia defende nova investigação sobre o Master

No áudio enviado à reportagem, o parlamentar diz que a atual comissão não seria suficiente para uma apuração ampla sobre o banco. “Em relação a uma CPMI séria, não será com esses dois no comando dos bolsonaristas”, afirmou. Em seguida, defendeu “uma nova CPMI ou CPI para analisar especificamente a questão do Banco Master e do rombo que o Banco Master deu no nosso país aos aposentados, ao conjunto do povo brasileiro”.

A nova manifestação do deputado ocorre em meio à escalada do caso no Congresso e amplia a disputa sobre o rumo da investigação. De um lado, governistas acusam blindagem política; de outro, a oposição tenta manter o controle narrativo da comissão. No centro do embate estão Fabiano Zettel, Daniel Vorcaro, a rede de aliados citados no caso e o destino de recursos que passaram a ser alvo de pressão por esclarecimentos.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/rogerio-correia-cpmi-blindagem/