O PL oficializou nesta quarta-feira (4) a candidatura do senador Rogério Marinho (RN) à presidência do Senado, em reunião realizada na sede do partido em Brasília com cerca de 30 senadores do PL e de legendas aliadas como Republicanos, PP e Novo. Marinho se apresentou como o representante da oposição na disputa pelo comando da Casa e elegeu a anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023 como prioridade central de sua candidatura.
“Fui escolhido pelos nossos companheiros para representar a direita”, declarou Marinho ao final do encontro. A eleição para o comando da Casa exige maioria absoluta dos 81 senadores para a vitória no primeiro turno.
Marinho é líder da oposição no Senado, foi ministro do Desenvolvimento Regional no governo de Jair Bolsonaro e coordenou a campanha presidencial do senador e ex-candidato Flávio Bolsonaro (PL), que fugiu para os Estados Unidos após ser derrotado pelo presidente Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial .
Com o lançamento, o PL aposta na maior bancada da Casa na próxima legislatura, com 29 senadores, para reforçar uma declaração de que o bolsonarismo pretende manter sua agenda viva no Congresso, mesmo fora do Executivo.
Nas redes sociais, o senador comentou a indicação afirmando que sua candidatura é o “primeiro passo para devolver o Senado ao seu lugar”. Vamos trabalhar para que o Senado volte a ser a Casa da moderação, da ponderação e da independência entre os Poderes. Não podemos ser carimbadores de projetos, nem uma extensão do Executivo. Vamos resgatar as nossas prerrogativas, o equilíbrio entre os Poderes e a normalidade democrática”, escreveu.
Pauta da anistia e voto aberto: as prioridades de Marinho
Marinho foi direto ao anunciar o objetivo da candidatura. “O Congresso Nacional vai nos dar condição de destravar a pauta e vamos permitir que o projeto da anistia seja apreciado”, afirmou durante o encontro. A prioridade é o projeto de anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal em setembro de 2025 a 27 anos de três meses de prisão.
O senador também defendeu o voto aberto na eleição da Mesa Diretora do Senado, hoje realizada por escrutínio secreto. O argumento apresentado é o da transparência: a votação nominal permitiria ao eleitor acompanhar o posicionamento de cada parlamentar e evitaria o que Marinho chamou de “estelionato eleitoral”. “Voto aberto é extremamente recomendável e necessário, mas vamos avaliar de que forma podemos fazer”, disse. Enquanto a regra não muda, aliados discutem uma estratégia para que senadores de direita anunciem publicamente seus votos antes de depositá-los na urna, buscando criar pressão e dificultar dissidências.
Marinho procurou ainda desvincular a candidatura de uma ofensiva direta contra ministros do STF, mas deixou a porta aberta. “Evidente que não seremos candidatos com o tema de impeachment de quem quer que seja. Somos candidatos defendendo a Constituição. Se algum ministro do STF cometer crime de responsabilidade, não seremos omissos”, declarou.
Cenário da disputa e articulações políticas
Marinho terá como principal adversário o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que articula a reeleição com apoio declarado do MDB, do PSD e da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. O PT e o governo Lula também acenam a Alcolumbre, numa articulação que visa isolar a candidatura da oposição radical e garantir a governabilidade no Congresso. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) mantém sua própria candidatura, dividindo o campo da direita.
A base inicial de Marinho soma 32 votos: os 29 senadores do PL e os 3 do Novo, que anunciou apoio formal. Para vencer, precisa de 41. O caminho passa por dissidências em outros partidos.
Apesar da divisão, Marinho e Tereza Cristina sinalizaram que devem chegar a um entendimento antes do pleito. A expectativa é que, em janeiro de 2027, o nome considerado menos viável retire a candidatura para unificar a oposição contra Alcolumbre. Do outro lado, o presidente do Senado tenta votos até dentro da bancada do PL. Segundo apuração da Folha de S.Paulo, Alcolumbre chegou a prometer articular um indulto ou anistia a Bolsonaro em troca do apoio da direita, proposta que foi rechaçada por senadores bolsonaristas.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/rogerio-marinho-presidencia-senado/

