Sergio Moro propõe emenda que cria brecha para blindar juízes e membros do judiciário de crimes sexuais

Em meio ao escândalo que resultou no afastamento do ministro Marco Buzzi do Superior Tribunal de Justiça (STJ), acusado de importunação sexual, Sergio Moro (PL-PR) apresentou uma emenda à PEC 3/2026, que busca proibir a aposentadoria como punição máxima a magistrados, para blindar membros do judiciário de crimes sexuais.

Na emenda à proposta, que partiu do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF) e é relatada pela senadora Eliziane Gama (PT-MA), Moro requer que a proibição da aposentadoria seja aplicada por “crimes cometidos com grave violência contra a pessoa, corrupção, peculato, ou pertinência ou favorecimento de qualquer forma a organizações criminosas, a penalidade de perda do cargo ou demissão, ou equivalente, conforme lei disciplinadora da carreira”.

Na justificativa, Moro diz que “a restrição é necessária pois o processo disciplinar pode ser desvirtuado e utilizado de forma indevida, com o objetivo de perseguir magistrados e membros do Ministério Público”.

No entanto, ao utilizar o termo “grave violência contra a pessoa”, Moro restringe a punição a casos como lesão corporal grave ou assassinato, mas abre brecha para que os magistrados escapem de crimes sexuais.

Para a presidenta da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB-SP, Maira Recchia, ouvida pelo Estadão, a emenda de Moro abre brecha para blindar magistrados e membros do Ministério Público.

“O estupro de vulnerável, por exemplo, é um estupro presumido, para menores de 14 anos, e não necessariamente tem ali violência ou grave ameaça. Então estaria livre. Isso cria uma outra casta de privilégios, como se essas pessoas não pudessem sofrer com o rigor da lei. É bem difícil essa emenda. É lamentável porque não só atrai uma impunidade, mas também tem agentes vistos como superiores à lei”, diz.

O caso do ministro Marco Buzzi entraria nessa brecha, já que o magistrado foi denunciado por “importunação sexual”, que não estaria atrelado, necessariamente, à “grave violência contra a pessoa”.

Buzzi foi afastado pelo STJ, que deve decidir em sessão plenária no dia 14 de abril se deve determinar a abertura de um processo administrativo disciplinar (PAD) contra o magistrado.

Ao Estadão, Moro diz que “os crimes mais comuns que podem ensejar punição a juízes desonestos são o de corrupção e de favorecimento ao crime organizado, que foram contemplados na emenda proposta”. Sobre os outros, disse que “isso pode ser resolvido com alteração de redação no processo legislativo”.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/sergio-moro-propoe-emenda-que-cria-brecha-para-blindar-juizes-e-membros-do-judiciario-de-crimes-sexuais/