“Show de horrores”: mais de 100 ONGs denunciam “fome em massa” na Faixa de Gaza

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Crise humanitária em Gaza se agrava com fome generalizada e impasse na entrega de ajuda

Mais de 100 organizações não governamentais (ONGs) emitiram um alerta nesta quarta-feira (23) sobre o agravamento da crise humanitária em Gaza. Após 21 meses de conflito, mais de 2 milhões de pessoas enfrentam escassez extrema de alimentos e outros itens essenciais.

Segundo o comunicado conjunto, a situação se tornou insustentável: até os próprios trabalhadores humanitários estão passando fome e se arriscam diariamente para tentar alimentar suas famílias. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram milhares de pessoas aglomeradas aguardando ajuda.

Apesar da criação de um corredor de auxílio humanitário em maio, após dois meses de bloqueio, o acesso a alimentos continua extremamente limitado. A insegurança e os entraves administrativos dificultam a distribuição da ajuda, tanto dentro quanto fora de Gaza.

Organizações como Médicos Sem Fronteiras, Save the Children e Oxfam relatam que suas equipes enfrentam enormes desafios para atender às demandas da população. A ONU classificou o cenário como um “show de horrores”, informando que mais de mil palestinos foram mortos desde o fim de maio enquanto tentavam obter alimentos em pontos de distribuição.

A Fundação Humanitária de Gaza (GHF), criada com apoio dos Estados Unidos e Israel, tem coordenado parte das entregas, mas a falta de segurança impede que a ajuda chegue de forma eficaz à população.

“Nossos colegas e as pessoas que atendemos estão morrendo lentamente. Muitos enfrentam tiroteios apenas por tentar pegar comida”, diz o comunicado das ONGs.

Mohamed Abu Jabal, um palestino deslocado em Beit Lahia, relatou o desespero da população: “Tenho que arriscar minha vida para conseguir um saco de farinha e alimentar meus filhos”.

O Exército israelense nega bloquear o fornecimento de alimentos. No entanto, relatos indicam que cerca de 950 caminhões com ajuda estão parados em Gaza, aguardando autorização e condições seguras para distribuição. As ONGs denunciam que toneladas de suprimentos permanecem retidas devido a barreiras logísticas e militares.

A resposta do governo israelense tem sido amplamente criticada pela ONU e por diversos países. Um número crescente de crianças morre por fome e desnutrição, com relatos emocionantes de pais nos hospitais lamentando a perda de seus filhos.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou a destruição em Gaza como “sem precedentes” e afirmou que o território enfrenta um nível de sofrimento humano sem paralelo na história recente.

As negociações entre Israel e o Hamas seguem travadas. Desde 6 de julho, Catar, Egito e Estados Unidos atuam como mediadores, mas até agora não houve avanços significativos. Enquanto isso, os ataques continuam, inclusive em áreas anteriormente consideradas seguras.

Diante do impasse, 25 países ocidentais pedem um cessar-fogo imediato e a reabertura de fronteiras para permitir o fluxo de ajuda humanitária.

Com informações DCM