A ex-ministra do Planejamento e pré-candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB), declarou que não “está surpresa” com a revelação do esquema entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, no qual o senador e pré-candidato à Presidência pediu R$ 134 milhões ao dono do Banco Master.
Em vídeo publicado nas suas redes, Simone Tebet classifica a conduta de Flávio Bolsonaro como “criminosa” e afirma que o Conselho de Ética do Senado deveria convocá-lo para esclarecimentos:
“Eu sei que muita gente está em choque com as revelações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, hoje pré-candidato à Presidência da República. Eu não estou nesse meio. Para mim, não é surpresa. Mas sabe o que é realmente espantoso? Que é um senador da República que fala em nome de Deus, da família, dos bons costumes, da moralidade e de combate à corrupção e conversa com a maior intimidade, chamando de ‘irmão’, que ‘estamos sempre juntos’, com um que não era nem suspeito na época, ele já estava envolvido, denunciado, com um escândalo escancarado pela imprensa.”
Simone continua:
“Um banqueiro que, nada mais nada menos, está envolvido no maior esquema de corrupção da história do Brasil. E aí vem um presidenciável pedir ou falar de R$ 134 milhões para fazer um filme? Três, quatro vezes mais do que o filme mais premiado do Brasil? Vem a seguinte pergunta: esse dinheiro ia realmente para fazer esse filme? Uma parte dele seria para lavar dinheiro? Uma parte dele seria para financiar autoridades ou ex-autoridades que estão nos Estados Unidos falando mal do nosso país, do Brasil? Esse dinheiro era para embolsar?”
Em seguida, Simone Tebet afirma que o Conselho de Ética do Senado deveria entrar em ação:
“O que é da Justiça e da polícia está em boas mãos. Mas ele é um senador da República. Ele mentiu quando disse que ‘é mentira’ e depois disse ‘é verdade’ e depois, ‘mas não é bem assim’, ‘é dinheiro privado’, quando não é. Ele cometeu um crime, no qual precisa ser encaminhado urgentemente para o Conselho de Ética. O que nós não podemos é ter um presidenciável com essa suspeita nas urnas em outubro.”
https://x.com/simonetebetbr/status/2055010467815247936
Crimes associados a Flávio Bolsonaro por esquema com Vorcaro somam até 30 anos de cadeia
A revelação feita nesta quarta-feira (13) pelo The Intercept Brasil de áudios e mensagens trocadas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master que está preso, expôs um esquema de negociações financeiras de grandes proporções, que agora está no centro de uma ofensiva jurídica e política.
As conversas revelam que Flávio teria pedido R$ 134 milhões a Vorcaro para supostamente financiar a produção do filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, o que a princípio poderia parecer uma ser uma simples negociação de patrocínio tem contornos mais sombrios, com fortes suspeitas de lavagem de dinheiro e outras irregularidades financeiras. O caso já é alvo de representações encaminhadas à Polícia Federal (PF) e Procuradoria-Geral da República (PGR), com pedido formal de prisão preventiva e a instauração de uma série de ações cautelares.
Pedido de Flávio Bolsonaro a Vorcaro levanta suspeitas de lavagem de dinheiro
Em março de 2025, Flávio Bolsonaro solicitou a Daniel Vorcaro, segundo as revelações do Intercept, uma quantia milionária para resolver pendências financeiras relativas à produção do filme Dark Horse, que retrataria a vida de seu pai. Os áudios e as mensagens divulgadas sugerem uma relação de intimidade, confiança e dependência financeira entre os dois. Flávio é ouvido cobrando repasses financeiros urgentes, com menção a parcelas em atraso, e se referindo ao risco de “perder tudo”.
O valor total discutido nas conversas teria chegado a cerca de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões), sendo que R$ 61 milhões já teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025. A forma como o dinheiro foi solicitado, sem a devida transparência e com uma linguagem que indica um fluxo financeiro irregular, levanta sérias suspeitas de lavagem de dinheiro. Segundo a Notícia de Fato Criminal protocolada pelos parlamentares, a apuração envolve também a circulação internacional de recursos, o que indica uma possível operação destinada a ocultar a origem ilícita do dinheiro.
A representação contra Flávio Bolsonaro
A representação protocolada pelos deputados Pedro Uczai (PT-SC) e outros membros do PT, PSOL e PCdoB busca a instauração de um inquérito policial e a adoção de medidas cautelares contra Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O documento solicita que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República investiguem as negociações, que envolvem valores milionários, e se o dinheiro desviado teria sido utilizado para outros fins que não o financiamento do filme.
Os parlamentares pedem, entre outras medidas, a prisão preventiva de Flávio Bolsonaro, com base no risco de destruição de provas digitais, ocultação patrimonial e interferência nas investigações. A solicitação de quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de Flávio e Vorcaro também foi incluída, assim como o bloqueio de bens e a retenção do passaporte de ambos. A urgência da medida é destacada no documento: “A fragilidade das provas digitais e a possibilidade concreta de dissipação patrimonial” são razões suficientes para justificar a ação imediata.
Além disso, a representação enfatiza a gravidade dos fatos, especialmente a proximidade temporal das conversas com a prisão de Daniel Vorcaro, sugerindo que “há risco de combinação de versões, pressão sobre testemunhas, apagamento de dados e ocultação de documentos”.
Os crimes atribuídos a Flávio Bolsonaro e suas penas
Com base nas investigações em curso, a Notícia de Fato Criminal aponta diversos crimes que podem ser atribuídos a Flávio Bolsonaro, caso as suspeitas sejam confirmadas. Abaixo, estão listados os principais delitos e as possíveis penas associadas:
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Lavagem de Dinheiro
Flávio Bolsonaro é acusado de ocultar a origem ilícita de recursos financeiros, utilizando intermediários e contratos fraudulentos. A lavagem de dinheiro ocorre quando há uma tentativa de dissimular a origem de valores adquiridos de forma ilícita.- Pena: De 3 a 10 anos de prisão, além de multa.
“A hipótese de lavagem de dinheiro deve ser investigada porque os elementos divulgados envolvem valores milionários, interlocução direta com controlador de instituição financeira em crise…”
- Corrupção
O pedido de valores milionários pode configurar corrupção, caso se prove que Flávio Bolsonaro tenha agido para obter favores ou favorecimentos em troca dos repasses financeiros.- Pena: De 2 a 12 anos de prisão, além de multa.
- Tráfico de Influência
Flávio é investigado por usar sua posição política para influenciar decisões em benefício próprio ou de terceiros, como evidenciado pelas interações com o banqueiro.- Pena: De 3 a 6 anos de prisão.
- Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional
A negociação e movimentação de grandes quantias, possivelmente provenientes de atividades ilícitas, envolvem crimes contra o sistema financeiro nacional, que incluem a utilização de recursos de forma irregular e sem fiscalização adequada.- Pena: De 3 a 6 anos de prisão, além de multa.
- Organização Criminosa
Caso seja comprovada a existência de um esquema organizado envolvendo outros participantes, como intermediários financeiros e políticos, Flávio pode ser enquadrado em crimes de organização criminosa.- Pena: De 3 a 8 anos de prisão.
- Evasão de Divisas
Se forem confirmadas remessas internacionais de dinheiro sem a devida regularização, o crime de evasão de divisas poderá ser imputado.- Pena: De 3 a 6 anos de prisão, além de multa.
- Falsidade Ideológica
Caso se prove que houve falsificação de documentos ou omissão de informações financeiras e contratuais, Flávio pode ser acusado de falsidade ideológica.- Pena: De 1 a 5 anos de prisão.
- Ocultação Patrimonial
A tentativa de ocultar bens ou dificultar a rastreabilidade do patrimônio pode levar a acusações de ocultação patrimonial, principalmente diante da magnitude dos valores envolvidos.- Pena: De 3 a 6 anos de prisão, além de multa.
Caso todos os crimes sejam comprovados, Flávio Bolsonaro poderá ser condenado a até 30 anos de prisão, dependendo da gravidade dos delitos e das circunstâncias que envolvem o caso.
Medidas cautelares e prisão preventiva
A representação também solicita medidas cautelares urgentes. A prisão preventiva de Flávio Bolsonaro é considerada fundamental, diante do risco de destruição de provas e da possibilidade de ocultação de bens. Outras ações incluem a preservação de dados digitais, a quebra de sigilos financeiros e fiscais e a proibição de contato entre os investigados.
A gravidade das acusações, somada à proximidade temporal dos eventos e à vulnerabilidade das provas digitais, torna a investigação de extrema urgência, com implicações legais que podem afetar diretamente a carreira política de Flávio Bolsonaro.
CPI do Banco Master e suspeitas sobre mansão de Flávio
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que o caso reforça a necessidade de instalação imediata da CPMI do Banco Master e da CPI do Banco Master/BRB.
Segundo ele, as investigações precisam avançar também sobre a compra da mansão de Flávio Bolsonaro em Brasília, avaliada em R$ 6 milhões e parcialmente financiada pelo Banco de Brasília em condições consideradas privilegiadas pela oposição.
“Quem pagou a mansão de Flávio Bolsonaro em Brasília?”, questionou Uczai ao defender uma apuração aprofundada das relações entre o senador e o sistema financeiro.
A bancada também informou que acionará a Receita Federal para verificar se os recursos enviados ao exterior ligados ao filme foram declarados corretamente e se houve recolhimento tributário.
Outro ponto considerado central pelos parlamentares é a suposta remessa de dinheiro para um fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.
O documento enviado às autoridades pede acesso a contratos, notas fiscais, registros bancários, instrumentos financeiros e dados do COAF, Banco Central e CVM para rastrear toda a movimentação.
Para os partidos de esquerda, os diálogos revelam uma relação que “extrapola contato institucional” entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O texto afirma que a proximidade entre ambos, somada à dimensão dos valores envolvidos e ao momento da prisão do banqueiro, exige “investigação formal e urgente”.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/simone-tebet-diz-que-flavio-bolsonaro-e-um-criminoso-e-dispara-nao-e-surpresa/

