A escalada de discursos ultraconservadores e de cunho machista no cenário religioso brasileiro ganhou um novo e barulhento capítulo nesta semana. A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) utilizou suas redes sociais para confrontar duramente as recentes declarações de Frei Gilson, figura que se tornou um dos principais expoentes da ala mais reacionária da Igreja Católica e um fervoroso apoiador do ecossistema político bolsonarista.
“Falso profeta” e a misoginia como dogma
O estopim da indignação parlamentar foi um vídeo no qual o frei, conhecido por sua vasta audiência digital, faz uma leitura distorcida e anacrônica do livro de Gênesis para justificar a submissão feminina. No sermão, Gilson ataca diretamente o conceito de empoderamento, classificando-o como uma “ideologia diabólica” e reduzindo a existência da mulher à função de mera “auxiliar” da liderança masculina.
“Ela [a mulher] nasceu para auxiliar o homem”, disparou o religioso, reforçando a retórica da chamada cultura redpill, que tenta conferir ares de “vontade divina” ao puro e simples preconceito de gênero.
A resposta da senadora foi imediata e incisiva. Ao repostar o conteúdo, Soraya não poupou adjetivos: chamou-o de “falso profeta” e denunciou o uso do nome de Deus em vão para propagar a misoginia.
“Não me representa”
Criada em berço católico, a senadora fez questão de separar a fé cristã das interpretações autoritárias do clérigo. Em um comentário que rapidamente viralizou, superando a marca de 350 mil visualizações, ela cobrou uma postura oficial da instituição:
“Esse frei não me representa. Ele já passou de todos os limites possíveis de intolerância religiosa, misoginia, etc. Espero que nossa Igreja Católica tome severas providências”, escreveu Thronicke, destacando que as falas de Gilson infringem o próprio 3º Mandamento ao deturpar a fé para fins de dominação social.
Um histórico de polêmicas e influência digital
Com 39 anos e milhões de seguidores, Frei Gilson (Gilson da Silva Pupo Azevedo) é um fenômeno de massas que transita entre a música e a pregação. Embora consiga reunir multidões em lives de oração durante a madrugada, sua trajetória é marcada pela proximidade com pautas da extrema direita e por declarações que flertam com o discurso de ódio.
Para críticos e observadores políticos, o “Padre Redpill”, como vem sendo apelidado por opositores, utiliza sua batina como escudo para validar estruturas patriarcais que estimulam, no limite, a violência contra a mulher e o retrocesso civilizatório. Enquanto o religioso silencia diante da repercussão negativa, o debate sobre o papel de líderes religiosos que usam o púlpito para disseminar discriminação ganha força no Congresso e na sociedade civil.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/soraya-thronicke-dureza-frei-gilson/

