Tarcísio de Freitas: feminicídios e letalidade policial disparam em São Paulo

O estado de São Paulo registrou aumento nos casos de feminicídio e nas mortes decorrentes de intervenção policial nos três primeiros meses de 2026, segundo dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.

De acordo com o levantamento, uma mulher foi vítima de feminicídio a cada 25 horas no período. Ao todo, foram 86 casos no primeiro trimestre, o que representa uma alta de 41% em relação ao mesmo período de 2025 e de 72% na comparação com 2022, início da atual gestão estadual. Trata-se do maior número já registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica.

O avanço em São Paulo supera o crescimento nacional. Entre 2022 e 2025, o Brasil teve aumento de 9,1% nos feminicídios, enquanto o estado registrou elevação de 43% no mesmo intervalo, segundo levantamento do Instituto Sou da Paz. As informações são do G1.

Interior concentra maior alta

O interior paulista foi responsável pelo maior crescimento. Foram 60 feminicídios no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 76,5% em relação a 2025 e de 93,5% na comparação com 2022.

Na contramão, a Grande São Paulo foi a única região a apresentar queda, com redução de 10% em relação ao ano passado e de 25% frente a 2022. Já na capital, o número de casos permaneceu estável em relação a 2025, com 17 registros, mas ainda representa alta de 142,9% em comparação com 2022.

Outros indicadores de violência contra a mulher

Além dos feminicídios, outros indicadores de violência de gênero também apresentaram crescimento. As ocorrências de lesão corporal dolosa contra mulheres aumentaram 47% entre 2022 e 2026, totalizando 19.249 registros.

Os casos de estupro de vulnerável cresceram 22% no período. Apenas no primeiro trimestre deste ano, foram 2.941 ocorrências — nove a mais do que no mesmo período de 2025.

Casos recentes chamam atenção

Nos últimos dias, dois casos na região da Grande São Paulo ganharam repercussão por terem ocorrido na presença de familiares das vítimas.

Em Guarulhos, Anderson Pereira é acusado de matar a mãe do filho dele, Sara de Lima, de 44 anos, e também de atirar contra a filha dela, Jheniffer Tadashi Lima dos Santos, de 23 anos, que tentou ajudar a mãe. Ele foi preso no dia seguinte.

Já em São Bernardo do Campo, um homem matou a esposa com dois tiros na cabeça e no braço na noite de sexta-feira (1°). Dois dos três filhos da vítima estavam em casa no momento do crime.

Governo cita ampliação de políticas públicas

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que “o enfrentamento à violência contra a mulher, incluindo os casos de feminicídio, é prioridade do governo de São Paulo, que tem intensificado de forma contínua a rede de proteção e os mecanismos de prevenção.”

A pasta disse que o estado “ampliou a rede, com 144 DDMs e 173 Salas DDM para atendimento remoto, e o reforço de mais de 650 policiais. Ainda estão previstas 69 novas salas DDM, parte de um pacote de medidas anunciadas no final de março para ampliar as políticas públicas de combate à violência contra a mulher”.

A secretaria destacou a existência do “aplicativo SP Mulher Segura, que permite o registro da ocorrência on-line, 24h por dia, além do botão do pânico para mulheres com medida protetiva” e ressaltou que “o pacote de ações também inclui um Plano de Metas Decenal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e a ampliação da rede de proteção, além da ampliação do monitoramento eletrônico de agressores”.

Ressaltou ainda que “a Polícia Civil também intensificou o combate a esses crimes, com grandes operações especializadas para responsabilização de agressores, como a Operação Damas de Ferro III, deflagrada na última quinta-feira (30). Apenas nos últimos 3 meses, foram presos mais de 2 mil homens em flagrante ou por cumprimento de mandados judiciais relacionados a crimes contra mulheres”.

Nos casos recentes, ocorridos na Grande São Paulo, a secretaria afirmou que “a Polícia Militar prendeu um homem de 44 anos identificado como autor de um feminicídio tentado e consumado, ocorrido em Guarulhos. O autor praticou o crime contra a ex-companheira e a filha dela e foi detido após diligências realizadas no município de Itaquaquecetuba. Após ser encaminhado à delegacia, ele confessou o crime e permaneceu detido à disposição da Justiça”.

Em relação à ocorrência de São Bernardo do Campo, disse que “após solicitação da autoridade policial do 8º Distrito Policial, a Justiça concedeu a prisão temporária do suspeito. Buscas são realizadas visando a sua captura e o cumprimento do mandado”.

Letalidade policial também cresce

Os dados apontam ainda aumento da letalidade policial no estado. No primeiro trimestre de 2026, foram registradas 176 mortes decorrentes de intervenção policial, contra 163 no mesmo período de 2025 — alta de 8%.

As ocorrências envolvendo policiais fora de serviço cresceram 21,4%, passando de 28 para 34 casos. Já as mortes em ações policiais em serviço subiram 8,3%, de 132 para 143 registros.

Na comparação com 2022, o crescimento é ainda mais expressivo: o número de mortes provocadas por policiais em serviço aumentou 93,2%, passando de 74 para 143 casos, segundo o Instituto Sou da Paz.

Na capital paulista, os registros também cresceram, passando de 48 mortes no primeiro trimestre de 2022 para 60 no mesmo período de 2026, alta de 35%.

Além disso, houve aumento na vitimização policial: o número de agentes mortos em serviço passou de dois casos em 2025 para três em 2026.

Nota da SSP 

“A SSP ressalta que todas as ocorrências de mortes por intervenção policial (MDIPs) são rigorosamente investigadas, com acompanhamento das corregedorias, do Ministério Público e do Poder Judiciário. Paralelamente, o Estado tem adotado medidas contínuas para redução da letalidade, como o aperfeiçoamento de protocolos operacionais, capacitação dos agentes e ampliação do uso de tecnologias e equipamentos de menor potencial ofensivo, como espargidores, bastões retráteis e armas de incapacitação neuromuscular, cujos investimentos superaram R$ 27,8 milhões na aquisição de mais de 3.500 unidades desse tipo.

O Estado é referência em transparência e controle, com o uso de Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) e monitoramento em tempo real das ações policiais. O total de equipamentos está sendo ampliado para 15 mil, representando aumento de 48,1% em relação aos contratos firmados na gestão anterior. Programas como o Muralha Paulista integram tecnologia, inteligência e bancos de dados para aumentar a eficiência das ações e reduzir a necessidade do uso da força. Atualmente, 610 municípios mostraram interesse na adesão desta política pública, sendo 205 já integrados. São mais de 125,5 mil câmeras interligadas e mais de 70% da população paulista coberta pelo sistema.”

 

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/tarcisio-de-freitas-feminicidios-letalidade-policial-sao-paulo/