Tarcísio, carioca eleito em SP, critica Tebet e Marina por se candidatarem no estado sem serem paulistas

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou na terça-feira (8) as candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) por não terem iniciado suas carreiras políticas no estado, afirmando que elas “levaram o cartão vermelho” de seus estados de origem e “não serão eleitas” em São Paulo. As declarações foram divulgadas nas redes sociais do deputado federal Guilherme Derrite (PP), adversário das duas na disputa, após um evento no interior paulista. A crítica, porém, voltou-se contra o próprio Tarcísio: carioca, ele foi indicado por Jair Bolsonaro para concorrer ao governo paulista em 2022 sem qualquer vínculo político anterior com o estado, e Marina Silva já havia classificado esse tipo de argumento como “visão misógina”.

Tarcísio ataca candidatas ao Senado por SP

Em um evento do Republicanos realizado na noite de terça-feira (7) no interior paulista, Tarcísio de Freitas foi direto ao atacar as duas candidatas que lideram as pesquisas para o Senado em São Paulo. “Com todo respeito às duas candidatas ao Senado dos outros partidos, elas não começaram a fazer política em São Paulo, não elegeram esse Estado para servir. Foram servir o Mato Grosso do Sul e o Acre, e levaram o cartão vermelho do Mato Grosso do Sul e do Acre. Se fossem concorrer por lá, lá não seriam eleitas”, afirmou o governador, segundo vídeo divulgado por Derrite.

Veja o vídeo: 

https://x.com/lazarorosa25/status/2074923889054884123

“E pode ter certeza, não serão aqui também, não serão. Porque a gente não vai deixar, a gente vai trabalhar para ter a melhor representação. A gente vai trabalhar para ter uma pessoa que cuidou da segurança pública do Estado e sabe como isso é caro para a nossa população”, disse ainda.

A referência explícita à segurança pública aponta para os dois candidatos que Tarcísio apoia na disputa: André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), o mesmo deputado que propagou o vídeo das críticas. Simone Tebet nasceu no Mato Grosso do Sul e concorre pela primeira vez a um cargo em São Paulo. Marina Silva nasceu no Acre, mas é deputada federal por São Paulo desde 2022.

Reações

Marina Silva já havia rebatido a crítica reproduzida por Tarcísio. Em 25 de junho, quando foi anunciada candidata ao Senado por São Paulo na chapa de Fernando Haddad (PT), ela foi direta responder a um ataque do mesmo tipo feito pelo prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, que é aliado de Tarcísio.

“É uma visão misógina. Quando homem vem de outro estado se candidatar, é recebido de tapete vermelho. Quando são duas mulheres, são chamadas de forasteiras.”

Marina também reforçou seu vínculo afetivo e concreto com São Paulo. “São Paulo salvou a minha vida três vezes, quando eu tive cinco malárias e três hepatites. Estava desenganada dos médicos e um bispo pagou a minha passagem só de ida pra cá, onde fui tratada no Hospital das Clínicas”, disse ela. “Devo muito a esse estado, que tem essa simbologia de acolher todos do Brasil e do mundo que buscam oportunidade.” A deputada federal por São Paulo desde 2022 construiu seu argumento justamente sobre a identidade histórica do estado como terra de acolhimento, virando o argumento regionalista contra quem o usa.

Um carioca eleito governador de SP

A crítica de Tarcísio reacende um debate que ele mesmo protagonizou no lado oposto em 2022. Carioca e torcedor do Flamengo, o governador mudou seu domicílio eleitoral para São José dos Campos (SP) vindo de Brasília, onde exercia o cargo de ministro da Infraestrutura. Durante a campanha daquele ano, chegou a dizer que não sabia em qual colégio votava. A mudança de domicílio foi investigada pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público paulista para verificar sua aptidão para concorrer ao governo do estado. A oposição o chamava, então, de “forasteiro”.

O argumento que Tarcísio agora mobiliza contra Tebet e Marina já foi testado contra ele, e não funcionou eleitoralmente. O que muda, segundo Marina Silva, é o gênero das candidatas. No final de junho, ela reiterou a acusação: “Essa é a visão misógina. Quando são os homens que vêm pra cá para disputar, eles são acolhidos com o tapete vermelho. Quando é uma mulher, é chamada de forasteira.” Outros aliados de Tarcísio também adotaram a narrativa: o prefeito de Guarulhos, Lucas Sanches (PL), chegou a errar a origem de Tebet ao criticá-la, situando-a no Maranhão.

Implicações eleitorais e a disputa em São Paulo

O contexto eleitoral explica a urgência do ataque. Tebet e Marina lideram as pesquisas de intenção de voto para as duas vagas ao Senado por São Paulo, à frente de André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), os candidatos que contam com o apoio explícito do governador. Para Tarcísio, uma derrota de seus nomes para candidatas ligadas ao campo progressista e ao governo Lula representaria um revés político concreto: o Senado é peça central na disputa por influência no Congresso, e São Paulo, a maior bancada do país, é o tabuleiro mais visível dessa disputa.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/tarcisio-tebet-marina-carioca-sp/