TV Fórum: Aliança entre PT e PDT para eleição no RS é a ‘melhor possibilidade’, diz Tarso Genro

Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta quarta-feira (8), o ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro analisou o cenário político da esquerda no estado gaúcho diante da disputa entre os nomes do campo que devem disputar as eleições: Juliana Brizola (PDT) ou Edegar Pretto (PT). Para o ex-governador, a melhor possibilidade é uma aliança entre os dois partidos e candidatos.

Tarso conta que durante dois anos, reuniões do campo democrático com políticos, sociedade civil, jornalistas e artistas foram realizadas pelo Instituto Novos Paradigmas para discutir e traçar o cenário político no Rio Grande do Sul. O ex-governador afirma que o objetivo dessas reuniões era apresentar propostas para conscientizar os partidos progressistas sobre a importância da criação de uma frente democrática e republicana no estado gaúcho para enfrentar a extrema direita e o fascismo.

Após a formulação das propostas, o Instituto as apresenta para os partidos. Tarso afirma que isso foi feito em relação à eleição deste ano e que as conversas começaram a ser realizadas, mas foram interrompidas pelo fato de que tanto o PT quanto o PDT já tinham indicado seus candidatos.

“A Juliana Brizola, do PDT, que é uma liderança política respeitável daqui do Estado e o Edegar Pretto,do PT que é uma liderança política também respeitável. E aí esta discussão foi sendo problematizada. A partir do momento em que os partidos começaram a conversar, se formou uma frente que já tem seis partidos. A direção nacional do nosso partido estava acompanhando isso com todo o respeito e solidariedade, mas nós, do Instituto Nós Paradigmas, começamos a solicitar que ficasse clara qual é a orientação que o partido estava tendo”, explica o ex-governador. 

No entanto, Tarso critica esse processo foi demorado, o que fez com que os atritos se intensificassem, e que a orientação da direção nacional do PT veio “tarde“. “Ela veio quando os dois candidatos já estavam fortalecidos junto às suas bases”, afirmou Tarso.

“Foi uma intervenção um pouco tardia, e já formalizada numa direção sem perceber o que estava acontecendo aqui em termos de relacionamento político, sem considerar esse diálogo que houve durante dois anos aqui em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul, sem considerar o estado da arte que se encontrava a formulação dessa frente”, analisa o ex-governador. 

Diante disso, para Tarso, o que deve acontecer é a indicação de Juliana Brizola como cabeça de chapa. “É isso que é o que deve ocorrer daqui à diante. Quer dizer, como PT vai assimilar se conectar com PDT, que é um aliado extremamente importante para uma vitória aqui no estado, para convencer o conjunto partidário que esta é a melhor possibilidade.”

“Suponho que esta orientação vai ser processada pela comissão executiva estadual e vai ser encaminhada. Se isto vai agregar todo o partido em cima da solução, eu realmente não tenho condições de dizer nesse momento”, diz Tarso.

O ex-governador acrescenta que para diminuir o conflito entre os partidos e construir essa aliança, é preciso um trabalho artesanal de convencimento e uma série de “medidas dialógicas com o PDT para verificar inclusive se o PDT aceita examinar ou não a candidatura da Juliana para aí o PT verificar se vai cumprir [o acordo]”.

“Então, é um momento delicado. É um momento que a gente tem que poupar palavras, inclusive, para ajudar na solução. E que tem que ser uma solução que amplie e reforce a candidatura do presidente Lula, novamente, e retomada das forças populares do governo do Estado do Rio Grande do Sul”, declarou Tarso. 

Intervenção do PT nacional

Tarso também esclareceu sobre a orientação da direção nacional do PT sobre Juliana ser a cabeça de chapa nas eleições. O ex-governador afirma que a orientação foi uma instrução normativa, e não uma intervenção. “Se fosse uma intervenção, eu tenho certeza que o nosso partido seria muito resistente para aplicar.”

“É uma instrução normativa, está no âmbito dos deveres e das responsabilidades da Comissão Executiva Nacional. O partido tem uma direção para instruir e ordenar politicamente as coisas nas regiões, então tem que ser processada também com respeito, com atenção para aquilo que a nossa comissão executiva achou melhor para fortalecer a candidatura do presidente Lula”, afirma Tarso.

Confira a entrevista completa do  ex-governador Tarso Genro

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/tv-forum-alianca-entre-pt-e-pdt-para-eleicao-no-rs-e-a-melhor-possibilidade-diz-tarso-genro/