Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta quinta-feira (7), a ex-ministra do Planejamento e Orçamento e pré-candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB), fez análises sobre as disputas eleitorais para os estados e para a presidência da República, além de fazer um balanço do governo Lula 3.
Tebet afirmou que sua campanha eleitoral em São Paulo será de “comparação”, destacando os investimentos feitos pelo governo federal no estado paulista e as falhas do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) nos últimos quatro anos.
A ex-ministra analisou que São Paulo é “o verdadeiro motor” do Brasil, o que traça um cenário de embates decisivos no estado paulista. Para Tebet, se São Paulo é o motor do desenvolvimento, é preciso fazer com que os setores produtivos paulistas “tenham sempre, por parte do governo federal e do Congresso Nacional, políticas que permitam que eles continuem cada vez mais gerando emprego e renda”.
Tebet acrescentou que, por outro lado, São Paulo enfrentou um período de quatro anos com um “governador que se vende maior do que realmente é, especialmente no que se refere à segurança pública”. Portanto, a ex-ministra afirma que será uma “campanha de comparação”. Nós vamos, com toda firmeza, mostrar números. Foi o nosso governo que fez a chamada Reforma da Indústria Brasileira para reposicionar essa nova Indústria Brasil. E que nós queremos? Mais tecnologia, com mais ciência, mais inovação, gerando renda e um emprego de melhor qualidade para os nossos trabalhadores.”
“Então, assim, é muita coisa, porque São Paulo comporta tudo e nós vamos tratar de todos os assuntos. Eu estou na expectativa de que São Paulo tenha debate para as campanhas, não só de governos estaduais, mas do Senado também, porque é a hora que a gente tem de confrontar as ideias”, finaliza Tebet.
Reeleição de Lula consolida avanços dos últimos anos
Tebet também analisou os cenários em disputa com as candidaturas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e pontuou as principais diferenças da vitória de cada um. A ex-ministra afirmou que em caso de vitória da extrema direita, as pautas serão “absolutamente dificílimas”, diferente do que acontecerá com a reeleição de Lula.
“A reeleição do presidente Lula implicaria ou implicará em consolidar todos os avanços que fizemos na pauta econômica, na pauta de direitos humanos, no que se refere ao crescimento com desenvolvimento sustentável, geração de emprego e renda, valorização do salário mínimo acima da inflação”, destaca Tebet.
Por outro lado, a ex-ministra alerta: “Quando a gente fala de uma possível eleição do adversário, nós estamos falando em retrocessos. Não sou eu que falo, ele mesmo disse que o primeiro ato que ele faria seria anistiar o pai, então ele colocaria pautas que não têm interesse nenhum para a sociedade brasileira, que não interessam para quem mais precisa.
“Nós estamos falando de uma pauta armamentista, nós estamos falando de uma pauta discriminatória, de uma pauta de discurso de ódio que estimula uma juventude a ir com ódio contra quem pensa diferente, com ódio às minorias, com ódio às mulheres. Então, assim, de forma muito objetiva, a reeleição do presidente Lula significa termos um país dos nossos sonhos construído e consolidado nos próximos quatro anos, para que a partir de 2030 a gente possa pensar em outras pautas”, finaliza Tebet.
Percepção do Brasil eleitoral
A ex-ministra também analisou o cenário eleitoral do Brasil hoje, com base em sua trajetória à frente do Ministério do Planejamento e Orçamento, e afirmou que diferente do que as pessoas costumam repetir, de que o Brasil está polarizado em três grupos – eleitores de Lula, eleitores de Bolsonaro e uma pequena parcela independente – o país hoje tem pelo menos seis grupos em disputa.
Para Tebet, apesar dos diversos temas de interesse da população, a economia é o “carro-chefe” que une todos esses grupos. “Quando a gente fala de política, é sempre economia”, diz. A ex-ministra pondera que, apesar dos números positivos de Lula nessa área, o que pode justificar a má avaliação do presidente é a
A última coisa que o cidadão quer é um professor, porque ele é eleitor, ele é o dono do voto, ele sabe onde o calo aperta, ele sabe a dificuldade que ele tem. Ele não quer só ter voz, ele quer ser ouvido”, diz Tebet.
Ela cita, por exemplo, a questão da CLT e do trabalho autônomo, debate em destaque nos últimos anos. Tebet afirma que esse é um tema “difícil”, mas que precisa ser debatido. “É um tema difícil para a esquerda brasileira. Eu defendo a CLT, eu defendo a carteira de trabalho, mas eu tenho que entender que há um jovem que trabalhou, ou mesmo outros trabalhadores que já estão há muito tempo na informalidade, e que estão indo para o trabalho autônomo, que quer entender o seguinte: ‘e se eu optar por esse trabalho autônomo, que garantias eu vou ter, que segurança que eu vou ter?’ e não só ficar questionando o quanto isso vai gerar um problema lá na frente para ele na aposentadoria – e vai gerar, a gente sabe disso”, diz a ex-ministra.
“Eu posso até discordar da visão dele, mas eu tenho que entendê-lo enquanto dono do poder. Eu estou trazendo esta questão, que eu sei que é uma questão delicada, para entender por que a extrema direita sequestra esse eleitor, porque ela não vem com esse tom, muitas vezes, de cima para baixo. Ela vem, equivocada, porque fala mentindo o que eles querem ouvir”, completa Tebet.
A ex-ministra defende, portanto, uma “agenda mais moderna dos direitos sociais” e um diálogo “equilibrado”, atendendo às demandas da população ao mesmo tempo que pondera o que pode dar errado no futuro.
“O mundo mudou, o Brasil mudou, as relações mudaram, a forma de se comunicar mudou e eu acredito que esse seja o grande desafio que a gente tem pela frente no processo eleitoral”, conclui.
Confira a entrevista completa da ex-ministra Simone Tebet
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/tv-forum-sera-uma-campanha-de-comparacao-diz-tebet-sobre-disputa-em-sp/

