VÍDEO: Haddad convoca “escala 7 por 0” por Lula e mira extrema direita no 1º de Maio

Fernando Haddad usou o ato de 1º de Maio dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, nesta sexta-feira (1º), no Palácio do Trabalhador, na Liberdade, em São Paulo, para transformar a pauta trabalhista em disputa eleitoral. Diante de trabalhadores, o ex-ministro defendeu o fim da escala 6×1, a jornada de 40 horas semanais, a isenção da Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) e convocou uma “jornada 7 por 0” pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A fala mais forte veio no encerramento do discurso. Haddad disse que o campo democrático deve lutar pela jornada “5 por 2” e por 40 horas semanais, mas também “pela jornada 7 por 0 para reeleger o presidente Lula”.

“Nós não vamos descansar enquanto não chegar em outubro com o horizonte pela frente que não seja o desastre que foi o governo anterior”, afirmou Haddad.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, o ato reuniu Haddad, Simone Tebet, Marina Silva, Kiko Celeguim, Jefferson Caproni, Clemente Ganz Lúcio e dirigentes da entidade e da Força Sindical. A pauta central foi a redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial, e o fim da escala 6×1.

Haddad coloca escala 6×1 no centro da eleição

Haddad afirmou que a discussão sobre direitos trabalhistas depende da democracia. Ele citou a escala 6×1, a participação nos lucros e resultados e a ampliação da isenção do Imposto de Renda como pautas que, segundo ele, não avançariam em um governo de extrema direita.

“Nós íamos estar discutindo jornada 6×1 aqui hoje? Nós íamos estar discutindo o que vai entrar no plano de governo para o ano que vem, que é a isenção da participação nos lucros e resultados?”, questionou.

O discurso ocorreu no momento em que a pauta avançou na Câmara dos Deputados. Em 22 de abril, a Comissão de Constituição e Justiça aprovou a admissibilidade de duas PECs que reduzem a jornada de trabalho. Na prática, segundo a Câmara, as propostas acabam com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso.

Em 29 de abril, foi instalada a comissão especial que vai analisar a PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), e a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP). Uma propõe redução gradual da jornada para 36 horas semanais. A outra prevê escala de quatro dias de trabalho por semana, também com limite de 36 horas.

Haddad diz que extrema direita quer privatizar e cortar direitos

Haddad mirou diretamente a extrema direita. Ele afirmou que esse campo político não respeitaria as demandas apresentadas no ato de 1º de Maio e resumiu a agenda econômica da direita a dois pontos.

“Nenhum projeto de extrema direita vai respeitar o que está sendo dito aqui. Lá, só tem duas agendas: vender patrimônio público e cortar direitos”, disse.

O ex-ministro citou Petrobras e Banco do Brasil ao falar em privatizações. Também associou a extrema direita ao discurso de ódio, à misoginia e ao desprezo por minorias.

Haddad afirmou ainda que considera “inadmissível” o quadro visto nas pesquisas eleitorais. Segundo ele, o contraste entre Lula e a oposição é tão grande que só uma “lavagem cerebral coletiva” explicaria os números recentes.

Haddad compara Lula e Bolsonaro no 1º de Maio

Ao longo do discurso, Haddad comparou os governos Lula e Jair Bolsonaro. Ele afirmou que, nos quatro anos do governo anterior, não houve “um único avanço” a celebrar no Dia do Trabalhador.

“Nós tivemos um prejuízo enorme para os aposentados e para o salário mínimo nos quatro anos do Bolsonaro. Um enorme atraso para quem ganha um salário mínimo, que ficou congelado em termos reais durante o seu mandato inteiro”, afirmou.

Haddad também citou o congelamento dos pisos de saúde e educação, os procedimentos represados durante a pandemia, a inflação de alimentos e a fome. Para ele, a política de valorização do salário mínimo é um compromisso histórico de Lula.

O salário mínimo passou de R$ 1.518 em 2025 para R$ 1.621 em 2026, segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência. A mesma publicação informa que a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil deve beneficiar milhões de trabalhadores.

Na economia, o IBGE informou que o PIB cresceu 2,3% em 2025 e chegou a R$ 12,7 trilhões. O instituto também registrou taxa de desocupação de 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025, o menor nível da série histórica iniciada em 2012.

Na área social, o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome da ONU em 2025. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, a média trienal 2022/2023/2024 colocou o país abaixo de 2,5% da população em risco de subnutrição ou falta de acesso regular à alimentação suficiente.

Simone Tebet elogia Haddad e defende São Paulo

Simone Tebet também discursou no ato. Ela afirmou que Haddad foi uma referência na equipe econômica do governo Lula e disse ter aprendido com a “ética”, a “generosidade” e o “perfil equilibrado” do ex-ministro.

“Haddad, você não sabe da minha alegria, do meu prazer de ter tido a oportunidade que o presidente Lula me deu como ministra do Orçamento e Planejamento de estar ao seu lado nesses três anos e três meses na equipe econômica”, disse Tebet.

Ela também afirmou que o desenvolvimento do Brasil passa por São Paulo. Para ela, o estado define a velocidade da “locomotiva” brasileira.

“Nós vamos a 80 km por hora ou a 120 km por hora. Isso faz toda a diferença na nossa vida. Isso significa ter mais empregos ou menos empregos, mais renda ou menos renda, mais qualidade de vida ou menos qualidade de vida”, afirmou.

Marina Silva defende diálogo contra polarização

Marina Silva fez uma fala em defesa do diálogo político. Ela afirmou que o país vive um momento de estímulo à violência, à polarização e à guerra, e disse que a saída passa por conversas dentro do próprio campo democrático.

“Este é o momento da gente começar a conversar. E a melhor conversa que a gente faz é aquela que a gente faz dentro de casa, para a gente poder acertar os ponteiros”, afirmou Marina.

A ex-ministra também exaltou a presença de mulheres na vida pública e defendeu que desenvolvimento e sustentabilidade caminham juntos. Segundo ela, “o meio ambiente não briga com a agricultura familiar ou com o agronegócio” e “meio ambiente é vida”.

Marina Silva no 1º de maio

Metalúrgicos defendem 40 horas semanais sem redução salarial

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, Miguel Torres, afirmou que a redução da jornada é uma pauta de emprego, renda e qualidade de vida.

“Defendemos a redução da jornada para 40 horas, sem redução salarial, e o fim da escala 6×1, para gerar emprego e qualidade de vida para a classe trabalhadora, que é a maioria e é quem produz as riquezas do País”, disse Miguel, segundo publicação oficial do sindicato.

O ato terminou com palavras de ordem em defesa dos trabalhadores. O cerimonialista puxou o coro “trabalhador unido jamais será vencido” e encerrou com vivas aos trabalhadores, ao Brasil e ao 1º de Maio.

https://x.com/KriskaCarvalho/status/2050289697813901441/video/1

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/video-haddad-escala-7-por-0-lula-1o-de-maio/