Eventual vitória de Flávio pode entregar 95% da Amazônia à direita e extrema direita

A Amazônia enfrenta uma virada geopolítica silenciosa. Quatro dos nove países que compartilham o bioma, Peru, Colômbia, Bolívia e Equador, já elegeram governos de direita e extrema direita com pautas favoráveis à exploração de recursos naturais. Se o Brasil, que abriga mais de 60% da floresta, eleger um governo de perfil semelhante em outubro, até 95% da Amazônia estará sob controle de gestões conservadoras, segundo especialistas que monitoram a situação ambiental da região.

No Equador, o presidente Daniel Noboa, reeleito em 2025, adota pautas ultraconservadoras e reabre o país à mineração, enfraquecendo órgãos ambientais. O padrão é o mesmo em todos esses países: a floresta perde espaço na agenda de governo.

O Brasil muda a escala do problema. O país concentra mais de 60% da Amazônia, e a eleição presidencial de outubro é tratada como o momento decisivo para o futuro do bioma. As pesquisas apontam disputa acirrada entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja gestão foi marcada pelo desmonte da fiscalização ambiental e pelo aumento do desmatamento, Flávio concorre no lugar do pai, declarado inelegível e atualmente preso por tentativa de golpe de Estado.

A consolidação desse bloco conservador preocupa não apenas pelo que cada governo faz individualmente, mas pelo que deixam de fazer juntos.

Uma vitória da direita no Brasil poderia dar forma a uma aliança conservadora regional, reformulando a cooperação amazônica em torno de temas como segurança de fronteira e combate ao crime organizado, com uma agenda de “tolerância zero” substituindo a proteção da floresta como eixo central. Nesse rearranjo, entidades como a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), dedicadas ao desenvolvimento sustentável e aos direitos dos povos indígenas, teriam seu papel esvaziado.

Se a conservação deixar de ser prioridade compartilhada entre os países signatários, o futuro dessas estruturas de governança ambiental se torna incerto. O presidente Lula, nesse cenário, governaria em isolamento diplomático na região, sem parceiros para sustentar acordos de proteção que dependem, por natureza, de coordenação transfronteiriça.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/vitoria-flavio-amazonia/