Willer Tomaz nega elo com empresa que repassou R$ 17 mi a Virgínia Fonseca; Flávio Bolsonaro defende “amigo”

Sob a mira da Polícia Federal e vivendo em Miami desde antes das eleições presidenciais, Willer Tomaz foi às redes na noite desta sexta-feira (16) e negou elo com a empresa AMP Pay, que repassou R$ 17,7 milhões para a influenciadora Virgínia Fonseca. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Flávio Bolsonaro (PL) saiu em defesa do “amigo”. Ambos são alvos de investigação da PF em um suposto esquema de lavagem de dinheiro.

“Willer Tomaz foi perseguido simplesmente por ser meu amigo. Nunca fui sócio dele. Acreditavam que, ao virar a vida dele do avesso, poderiam me atingir de alguma forma nas eleições. Agora, a eleição já passou. Eu peço que volte à normalidade”, disse o senador em entrevista a Gleen Greenwald e Isabella Menon ao jornal paulistano.

Em seu perfil no Instagram, Tomaz rebateu a denúncia divulgada pela mesma Folha, de que seria sócio da AMP Pay, que transferiu R$ 17,7 milhões à Talismã Digital, empresa da influenciadora Virginia Fonseca, em cinco transferências via Pix realizadas entre março e setembro de 2024.

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“Mais uma fake news envolvendo o meu nome. É impressionante. Agora dizem que eu sou vinculado à empresa que repassou R$ 17 milhões para a Virginia Fonseca. Mentira. Não sou sócio, nem acionista da AMP Pay. Não conheço os donos dessa empresa e nunca tive qualquer vínculo com ela”, escreveu.

Segundo documentos da investigação da PF, o advogado se declarou sócio ou acionista da empresa num e-mail enviado ao Magnum Bank em 2024. O dono registrado da AMP Pay diz não conhecê-lo.

Os repasses à Talismã Digital apareceram em Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) analisados pela CPI das Bets e foram revelados pela revista piauí em junho.

Entre março e setembro de 2024, a empresa de Virginia, que na época tinha o cantor Zé Felipe como sócio, recebeu R$ 22,4 milhões. Desse total, R$ 17,7 milhões saíram da AMP Pay. Na comunicação ao Coaf, o banco apontou que as movimentações eram incompatíveis com o perfil cadastral da pagadora.

A AMP Pay foi aberta em outubro de 2023, em Itajaí (SC), com capital social de R$ 50 mil, para atuar com intermediação de negócios e marketing direto. Em janeiro de 2024, entrou no Simples Nacional, regime reservado a empresas que faturam até R$ 4,8 milhões por ano. Em sete meses, só para a Talismã, ela repassou quase quatro vezes esse limite.

Segundo Tomaz, “a lista de empresas usada para me ligar à AMP Pay foi montada pelo próprio Magnum Bank”.

“No formulário que enviei ao banco, excluí expressamente essa empresa. Esse documento, ninguém mostrou. E mais: eu processo a Blaze na Justiça. Alguém processa a empresa que supostamente controla?”, indaga o advogado.

“Sobre os repasses à Virginia, quem tem que explicar são as partes envolvidas. Não eu. A verdade está nos documentos”, concluiu.

 

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Derrota na disputa com Richarlison

Nesta sexta-feira (6), a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) suspendeu os registros patrimoniais de quatro imóveis do advogado Willer Tomaz na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), incluindo o terreno disputado pelo jogador Richarlison.

A decisão, assinada pelo diretor de Gestão e Governança do órgão, Douglas Gualberto Carneiro, atende a uma representação da deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP) e foi tomada após a identificação de possíveis irregularidades no processo administrativo que autorizou a ocupação dos terrenos da União durante o governo Jair Bolsonaro.

Entre os pontos investigados está a rapidez com que uma das autorizações foi concedida: menos de duas horas após a apresentação do pedido.

A suspensão temporária dos Registros Imobiliários Patrimoniais atinge propriedades vinculadas à empresa imobiliária de Willer Tomaz.

Segundo a SPU, a medida tem como objetivo “restringir eventuais transferências de posse dos imóveis da União nos quais as edificações foram construídas”.

A decisão foi adotada com base no “princípio da cautela”, enquanto o órgão apura as circunstâncias em que os direitos de ocupação foram concedidos.

A SPU também levou em consideração anotações feitas nas matrículas dos imóveis por determinação judicial.

Richarlison acusa Flávio Bolsonaro de envolvimento na disputa

O conflito judicial começou em 2020, quando Richarlison afirma ter investido R$ 10 milhões na compra de uma mansão na região, por meio de uma empresa da qual é sócio.

O atacante acusa o senador Flávio Bolsonaro (PL) de ter se aliado a Willer Tomaz para retirar dele os direitos sobre o imóvel.

Flávio Bolsonaro nega qualquer envolvimento na disputa, embora tenha visitado a propriedade e sido incluído como testemunha no processo judicial.

Tomaz, por sua vez, sustenta que sua empresa adquiriu legalmente os direitos de ocupação e argumenta que Richarlison negociou com posseiros que não tinham legitimidade sobre o terreno.

Outros parlamentares também acionaram a SPU

Além de Tábata Amaral, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) e a organização Quebrando Muros apresentaram solicitações semelhantes ao órgão federal.

As anotações foram encontradas após a divulgação de que a matrícula da mansão reivindicada por Richarlison havia sido bloqueada por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

As restrições atingem outros três imóveis e indicam a indisponibilidade dos bens registrados em nome da empresa.

A disputa já havia ganhado repercussão nacional durante a campanha presidencial de 2026, quando Luiz Inácio Lula da Silva acusou Tomaz de tomar o terreno do jogador e prometeu solicitar uma investigação da Polícia Federal sobre o episódio.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/willer-tomaz-virginia-fonseca-flavio-bolsonaro/