Em 3 de novembro de 1975, o cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Frederic Chapin, enviou um telegrama ao Departamento de Estado sobre a repercussão política da missa inter-religiosa em memória do jornalista judeu e membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB) Vladimir Herzog, na Catedral da Sé, em 31 de outubro. Entre outras coisas, o telegrama revelava que Chapin havia se comunicado com o cônsul-geral da França em São Paulo, Michel de Camaret, sobre as atividades políticas de Michel Foucault no Brasil. Em meio a uma discussão sobre a detenção e a tortura de um estudante francês não identificado da USP, o telegrama de Chapin fez abruptamente a seguinte observação, quase de passagem: “Além disso, o filósofo francês Michel Foucault, que participou de uma assembleia estudantil da USP há pouco mais de uma semana, está sendo pressionado a deixar o país para evitar mais incidentes diplomáticos. O cônsul-geral francês diz que ele pretende ir aos Estados Unidos”.
A correspondência diplomática normalmente não menciona filósofos nem suas atividades. Que circunstâncias levaram diplomatas franceses e americanos no Brasil a repentinamente voltarem sua atenção para Foucault? Como exatamente ele acabou no centro de uma crise diplomática entre Brasil e França que também envolveu os Estados Unidos?
Foucault estava em território brasileiro desde 6 de outubro para ministrar um curso sobre a genealogia do saber moderno da sexualidade para o Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
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Fonte: https://revistacult.uol.com.br/home/a-provocacao-de-um-incidente-diplomatico-em-1975/


