Quando fui convidado para organizar esse dossiê para lembrarmos os 100 anos do nascimento de Michel Foucault, a primeira coisa que me veio à cabeça foi a imagem que guardo na memória do próprio Foucault. Sentado sobre a mesa de “professor”, na posição clássica do mestre “zen”, com as pernas dobradas sobre a mesa, com calça e camisa branca de gola rolê (esta um presente de Roberto Machado, seu grande amigo e intérprete brasileiro). Era o começo de novembro de 1976, no auditório do então Centro de Letras e Artes da Universidade Federal do Pará.
Antes, em junho de 1973, Foucault passou pela primeira vez por Belém, vindo de Manaus. Foi, portanto, logo após as famosas conferências “A verdade e as formas jurídicas”, proferidas no final de maio daquele ano, na PUC do Rio de Janeiro e e em Minas Gerais (quando de sua visita ao Hospital de Barbacena, no qual se reunia a mesma população do Hospital Geral – analisada em História da loucura).
Então presidente da Aliança Francesa, o professor Machado Coelho convidou Benedito Nunes para um jantar com Foucault. Sempre imagino que Foucault ficou muito impressionado com aquele homem pequenino, que não só falava francês fluentemente, mas que também conhecia sua obra, e, mais do que isso, autor do primeiro texto sobre As palavras e as coisas publicado no Brasil: “A arqueologia da arqueologia” saiu no suplemento cultural do Estadão, em 1968, e hoje pode ser lido na coletânea de artigos O dorso do tigre, cuja mais recente edição é da Editora 34, de 2009. em duas partes no Supl
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Fonte: https://revistacult.uol.com.br/home/foucault-e-a-politica-a-politica-segundo-foucault-entre-viagens-e-encontros/


