Quando o prazer não basta

 

No cenário contemporâneo, marcado por crises agudas e instabilidades profundas, a própria existência parece atravessar um estado de ameaça constante. Tragédias climáticas, conflitos políticos e territoriais, bem como a iminência de novas guerras, revelam o colapso progressivo das forças de preservação do ser humano. O que se desvela nesse processo é uma expansão acelerada de Tânatos sobre Eros – uma espécie de desintricação pulsional, uma fratura que tem como consequência o alastramento do adoecimento psíquico até o abalo das estruturas civilizatórias.

Diante do impacto dessas condições, propomos, neste dossiê, retomar o debate em torno de um tema caro não só à psicanálise, mas à própria história do homem, a crueldade – Grausamkeit. Para o debate, reunimos psicanalistas de diferentes perspectivas teóricas e práticas, convidando-os a refletirem sobre as interfaces incontornáveis entre o individual e o coletivo, entre a singularidade e o universal, da constituição subjetiva à formação da cultura.

Ao explorarmos as diversas formas pelas quais a crueldade se inscreve no tecido social, aproximamo-nos de uma articulação rara: a relação entre crueldade, criação e destruição e suas expressões na cultura. Aqui, parte-se do princípio de que a crueldade antecede a instauração do princípio do prazer, operando como uma força primária na manutenção da existência – um gesto de autopreservação desesperado diante da ameaça de aniquilamento.

Abrimos com os artigos “A potência da crueldade: A origem inexp

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Fonte: https://revistacult.uol.com.br/home/quando-o-prazer-nao-basta/