O então deputado federal Jair Bolsonaro em discurso no Congresso Nacional em 2013, quando disse que o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais era um “estímulo à pedofilia” (Wilson Gomes/Agência Brasil)
Nos últimos anos, ou décadas, temos assistido à ascensão mundial de uma extrema direita reconfigurada que, embora atue por meio de novos elementos discursivos, se mantém com o mesmo teor político de sempre, valendo-se de um antigo e conhecido recurso político: o medo. Trabalhando o medo como forma de engajamento político – a palavra “engajamento” não é acidental –, essa extrema direita procura fortalecer suas bases políticas com fins eleitorais e econômicos.
É precisamente em tal ponto que o ambiente digital se torna central para compreender a eficácia contemporânea da política do medo. Caroline Delmazo e Jonas Valente, em “Fake news nas redes sociais online: Propagação e reações à desinformação em busca de cliques”, publicado na revista Media & Jornalismo, situam o ambiente online como um terreno particularmente fértil para a disseminação das chamadas fake news: um termo que, no contexto da segunda metade da década de 2010, especialmente a partir do ciclo eleitoral de 2016 nos Estados Unidos, já circulava amplamente tanto entre profissionais da comunicação quanto no debate público em geral. Partindo do trabalho pioneiro de Hunt Allcott e Matthew Gentzkow, Delmazo e Valente analisam as eleições presidenciais norte-americanas de 2016 como um caso emblemático para compreender a escala e os efeitos da desinformação em redes sociais digitais. Allcott e Gentzkow definem fake news como “artigos noticiosos que são intencionalmente falsos e passíveis de verificação como tal, capazes de enganar os leito
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Fonte: https://revistacult.uol.com.br/home/violencia-transfobica-digital-aliancas-entre-os-feminismos-essencialistas-e-extrema-direita/

