55 aliados de Flávio Bolsonaro pagaram anúncios contra Lula após desfile, mostra PT

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – Reprodução

Uma lista elaborada pelo PT aponta que 55 apoiadores da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto pagaram para impulsionar publicações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais após o desfile da Acadêmicos de Niterói. O documento, com cerca de 70 páginas, circulou no Planalto e inclui nomes de parlamentares, prefeitos e influenciadores digitais.

Entre os citados está o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, apontado como o que teria investido o maior valor em anúncios pagos, entre R$ 600 e R$ 699. Segundo o levantamento, os valores destinados ao impulsionamento variaram de R$ 100 a R$ 699, sendo R$ 300 a faixa intermediária mais recorrente.

A lista de nomes que chegou ao Planalto traz posts com publicidade paga criticando o desfile e associando o presidente à corrupção e a ironias direcionadas a grupos religiosos, como o dos evangélicos, já que uma ala da escola trazia latas de “família em conserva”.

Uma dessas publicações foi feita pelo deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (Solidariedade-SP), e usou inteligência artificial (IA) para exibir Lula fantasiado na Avenida Marquês de Sapucaí, no Rio, ao lado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.

Irmão do ex-presidente e pré-candidato a deputado federal pelo PL, o empresário Renato Bolsonaro, também consta da lista que circula no Planalto, além de vários influenciadores digitais.

“Eu sou o Lula, e você me conhece, prometi picanha e entreguei confete. Mas não se estresse. Sou Lula, me dá um dinheiro aí”, diz o refrão de um enredo feito especialmente para o vídeo, que mostra o presidente num carro alegórico onde estão fincadas bandeiras com os dizeres “mensalão”, “petrolão” e “roubo do INSS”. Lula samba na avenida recebendo dólares e reais.

“Se eles pagaram o carnaval, por que a gente não pode pagar o impulsionamento de uma postagem na rede social?”, perguntou Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, numa referência aos R$ 12 milhões destinados pelo governo às escolas de samba. “O PT vai entrar na Justiça falando o quê? O dinheiro usado foi meu, não foi dinheiro público”, disse.

As postagens do deputado alcançaram 187,5 mil visualizações. Mas o maior volume de interações, segundo o levantamento, foi obtido por Ricardo Nunes (de 375 mil a 400 mil).

Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, impulsionou publicação com vídeo do governador Tarcísio de Freitas criticando LulaPrefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, impulsionou publicação com vídeo do governador Tarcísio de Freitas criticando Lula
Post do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, criticando Lula. Foto: Reprodução/Meta

Os deputados Eduardo Pazzuello (PL-RJ), ex-ministro da Saúde no governo Bolsonaro, e Júlia Zanatta (PL-SC) e o senador Dr. Hiran (PP-RR) também aparecem no relatório sobre os políticos que investiram em impulsionamentos contra Lula depois do carnaval. Nenhum deles, porém, quis comentar o assunto.

Deputada Júlia Zanatta (PL-SC) impulsionou publicação com críticas a Lula relacionadas ao desfile da Acadêmicos de NiteróiDeputada Júlia Zanatta (PL-SC) impulsionou publicação com críticas a Lula relacionadas ao desfile da Acadêmicos de Niterói
Publicação da deputada Júlia Zanatta (PL-SC) com críticas a Lula relacionadas ao desfile da Acadêmicos de Niterói. Foto: Reprodução/Meta

AtlasIntel aponta empate técnico em eventual segundo turno

Pesquisa da AtlasIntel divulgada após o carnaval mostrou Flávio Bolsonaro em situação de empate técnico com Lula em eventual segundo turno. Pela primeira vez, o senador aparece numericamente à frente do presidente por um décimo, dentro da margem de erro do levantamento feito pela internet.

No governo, ministros receberam orientação para tratar o resultado com cautela. A avaliação interna é de que levantamentos feitos logo após eventos de grande repercussão podem sofrer influência do momento.

Ações no TSE e disputa jurídica

O PT protocolou cinco ações no Tribunal Superior Eleitoral contra Flávio Bolsonaro, o PL, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e aliados. O partido sustenta que houve uso de conteúdos falsos para influenciar o debate público. Novas representações devem ser apresentadas nos próximos dias.

A movimentação ocorre após bolsonaristas acionarem o TSE alegando propaganda eleitoral antecipada relacionada ao desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula na Marquês de Sapucaí.

TSETSE
TSE – Divulgação

Publicações com IA e reações de parlamentares

Entre as postagens impulsionadas está um vídeo do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, que utilizou inteligência artificial para exibir Lula fantasiado na Sapucaí ao lado da primeira-dama Rosângela da Silva. O vídeo inclui referências a escândalos como “mensalão” e “petrolão”. Segundo o relatório, a publicação alcançou 187,5 mil visualizações.

Paulinho afirmou que utilizou recursos próprios para pagar o impulsionamento e questionou a contestação judicial do PT. Já Mendonça Filho disse que a prática de impulsionar conteúdos é comum entre políticos e classificou a iniciativa do partido como tentativa de intimidação.

Também aparecem no relatório nomes como Renan Jordy, Marcelo Aro, Eduardo Pazuello, Júlia Zanatta e Dr. Hiran. Parte deles não comentou o conteúdo do levantamento.

Regras eleitorais em debate

A legislação eleitoral proíbe impulsionamento pago de propaganda eleitoral negativa antes do período permitido. No entanto, proposta de resolução apresentada pela presidente do TSE, Cármen Lúcia, prevê que críticas a governos não caracterizem propaganda antecipada negativa, desde que não haja referência direta às eleições.

As normas que orientarão a atuação da Justiça Eleitoral neste ano devem ser aprovadas até 5 de março.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/55-aliados-de-flavio-bolsonaro-pagaram-anuncios-contra-lula-apos-desfile-mostra-pt/