60 anos e a perda da filha: Gilberto Gil é eleito Personalidade 2025

Gilberto Gil durante show. Foto: Hannes Magerstaedt/Getty

Gilberto Gil foi eleito Personalidade do Ano pelos jurados da 23ª edição do Prêmio Faz Diferença, realizado pelo Globo. Aos 83 anos e com seis décadas de carreira, o cantor, compositor e violonista viveu em 2025 um período de grande exposição pública, marcado pela turnê de despedida “Tempo Rei”, por homenagens à sua obra e pela perda da filha Preta Gil.

A escolha reconhece a trajetória de um dos nomes centrais da música brasileira, imortal da Academia Brasileira de Letras e autor de canções que atravessam gerações. “Os encontros com meu público se ampliaram e foi um ano de muita intensidade. Acho que foi isso que levou as pessoas a me escolherem”, disse Gil ao saber da premiação.

A turnê “Tempo Rei”, encerrada em março deste ano, percorreu dez capitais brasileiras, além de Argentina e Chile, e reuniu públicos de diferentes idades. No palco, Gil revisitou o próprio repertório ao lado de uma banda formada por filhos e netos, transformando os shows em uma celebração familiar e musical.

A série de apresentações também teve participações especiais de nomes da MPB, como Caetano Veloso, Djavan, Jorge Ben Jor, Roberto Carlos, Alceu Valença, Paralamas do Sucesso, Ivete Sangalo, Seu Jorge, Nando Reis e Adriana Calcanhotto.

No Rio, ao lado de Chico Buarque, Gil cantou “Cálice”, parceria dos dois composta em 1973 contra a ditadura. A música voltou a dialogar com a memória política do país em um ano marcado também pelo reconhecimento internacional de “Ainda estou aqui”, de Walter Salles, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025.

Gilberto Gil e Chico Buarque. Foto: Mauro Pimentel/AFP

O ano também foi atravessado por perdas pessoais. Em abril, Preta Gil, em tratamento contra o câncer, participou de um show da turnê em São Paulo e cantou com o pai “Drão”. Em julho, ela morreu aos 50 anos, em Nova York. “Sempre tive orgulho de você, filha, e vou ter pra sempre”, escreveu Gil.

Antes disso, em maio, o artista também se despediu de Nana Caymmi, sua ex-mulher, que morreu aos 84 anos. “Vivemos juntos, criamos os filhos dela enquanto pudemos. Foi breve, mas muito intenso”, disse ele.

As composições de Gil também foram celebradas na eleição das 100 canções mais importantes do último século, organizada pelo Segundo Caderno nos 100 anos de O Globo. Entraram na lista músicas como “Drão”, “Domingo no Parque”, “Se eu quiser falar com Deus”, “Cálice”, “Lamento sertanejo”, “Panis Et Circenses” e “Super Homem”.

Em setembro, Gil participou do ato na praia de Copacabana contra a PEC da Blindagem, ao lado de Chico, Caetano e Djavan. “Nós aqui já passamos por momentos parecidos, muitas circunstâncias no Brasil, sempre em busca da autonomia cada vez maior do nosso povo”, disse no palco.

O artista também participou do Global Citizen, em Belém, evento que abriu simbolicamente a COP30, e foi anunciado como atração do Rock in Rio de 2026, na mesma noite de Elton John. “Uma das razões para que eu aceitasse o convite foi justamente a presença do Elton, com quem eu não tenho contato desde os tempos do meu exílio”, afirmou.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/60-anos-e-a-perda-da-filha-gilberto-gil-e-eleito-personalidade-2025/