A longa “folha corrida” de Eduardo Cunha antes da tentativa de voltar à Câmara

O ex-deputado federal Eduardo Cunha. Foto: Divulgação

O ex-deputado federal Eduardo Cunha ficou conhecido após ser alvo de investigações da Operação Lava Jato, ser denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, perder o mandato de deputado federal por quebra de decoro parlamentar e enfrentar condenações relacionadas a esquemas de corrupção.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados foi acusado pela Procuradoria-Geral da República de receber propina em contratos da Petrobras e chegou a ser condenado a penas superiores a 15 anos de prisão em processos da operação.

Em março de 2016, o Supremo Tribunal Federal aceitou por unanimidade uma denúncia contra Cunha por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, tornando-o réu na Corte. Segundo a acusação apresentada pela PGR, ele teria recebido US$ 5 milhões em propinas ligadas a contratos de navios-sonda da Petrobras.

As investigações também apontaram movimentações financeiras no exterior. O Ministério Público da Suíça enviou ao Brasil um processo criminal aberto após suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo contas bancárias atribuídas a ele e familiares. Os ativos relacionados às investigações chegaram a ser congelados pelas autoridades suíças.

Além das acusações envolvendo a Petrobras, Cunha foi investigado por outros supostos esquemas. Entre eles estavam suspeitas de recebimento de vantagens indevidas em contratos do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, e denúncias relacionadas ao Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS).

Em outubro de 2016, Cunha foi preso preventivamente pela Polícia Federal no âmbito da Lava Jato. Em março de 2017, o juiz Sergio Moro condenou o ex-deputado a 15 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Eduardo Cunha sendo preso. Foto: Divulgação

No campo político, Cunha também sofreu consequências após as denúncias. Em setembro de 2016, a Câmara dos Deputados cassou seu mandato por quebra de decoro parlamentar. A decisão ocorreu após o processo que apontou que o então deputado havia mentido à CPI da Petrobras ao negar ser titular de contas bancárias no exterior.

Antes da queda política, ele havia acumulado influência no Congresso Nacional. Ele foi eleito presidente da Câmara em fevereiro de 2015, com 267 votos, e participou diretamente da condução do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Nascido no Rio de Janeiro em 1958, Eduardo Cunha iniciou sua carreira política no fim dos anos 1980, durante a campanha presidencial de Fernando Collor de Mello. Depois, ocupou cargos públicos no Rio de Janeiro e chegou ao Congresso Nacional em 2003, onde permaneceu até a cassação do mandato em 2016.

Em 2023, o Supremo Tribunal Federal anulou uma das condenações de Cunha por corrupção e lavagem de dinheiro. Os ministros aceitaram o argumento da defesa de que o processo deveria ter sido conduzido pela Justiça Eleitoral, e não pela Justiça Federal de Curitiba.

Em 2026, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de bens de até R$ 6 milhões dele em uma investigação que apura suspeitas de irregularidades na indicação de emendas parlamentares. A decisão foi tomada em 6 de julho e divulgada neste domingo (12).

Em 2026, Cunha anunciou que pretende voltar a disputar uma vaga de deputado federal, desta vez por Minas Gerais, estado que classificou como a “síntese do Brasil” pela diversidade e por fazer divisa com outras regiões do país.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-longa-folha-corrida-de-eduardo-cunha-cassacao-condenacoes-e-bloqueio-de-r-6-milhoes-antes-da-tentativa-de-voltar-a-camara/