A Margem Equatorial também mobiliza ódios e amores. Por Moisés Mendes

Parque Nacional do Cabo Orange, no Amapá, durante a maré baixa; área fica na costa da região em que a Petrobras busca explorar petróleo. Foto: Lalo de Almeida

A Petrobras obteve licença do Ibama para perfurar o primeiro poço em águas profundas na bacia da Foz do Amazonas. O Gre-Nal já existia e agora só se espalha e se radicaliza mais, entre os que são contra e os que são a favor.

O brasileiro médio não sabe quase nada sobre esse tipo de operação. Eu confesso que achei que soubesse o suficiente, mas não sei.

Mas, mesmo assim, todo mundo tem opinião sobre os possíveis danos e sobre as vantagens da futura exploração de petróleo na Margem Equatorial.

Mesmo que as opiniões sejam as mais básicas, o que vale é que há debate. Porque todo o resto é suposição. Supõe-se que exista mesmo muito petróleo e supõe-se que as perfurações podem produzir tragédias ambientais.

Para não dizerem que não tenho opinião, essa é a minha: confio em todas as providências que serão tomadas para que o Brasil desfrute de uma riqueza que não pode esnobar de jeito nenhum.

Mapa da margem equatorial. Foto: Divulgação

Os argumentos contrários não abordam apenas a questão ambiental imediata, mas também o risco de atraso na transição energética para outras fontes. Não é fácil. A pauta aciona amores e ódios.

Ando lendo, por exemplo, sobre o excesso de energia eólica e solar no Brasil, porque o sistema das hidrelétricas não estava preparado para tanta oferta. É isso mesmo. A solução virou um problema.

Há também excesso de painéis solares no país. Aquilo que se vê com inveja sobre as casas e os edifícios é hoje um problema. Não deveria ser.

Então, essa história de não explorar a Margem Equatorial para, assim, apressar a transição não me convence, como leigo absoluto nessa área.

Que o Norte desfrute das vantagens econômicas dessas minas de petróleo. Mas que isso não signifique mais poder político e econômico para a direita e a extrema direita. Às vezes sou ingênuo, mas não sei o que fazer.

Pense, como consolo, que as jazidas estão no Norte, na Margem Equatorial, e não na costa de São Paulo, na “Margem Paulistal” da extrema direita, onde Tarcísio de Freitas poderia gastar tudo em Coca-Cola.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-margem-equatorial-tambem-mobiliza-odios-e-amores-por-moises-mendes/