A divulgação de vídeos da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro provocou reação imediata no entorno do senador Flávio Bolsonaro, que passou a ser aconselhado por aliados e pela equipe de comunicação a adotar cautela diante do impacto político do episódio.
Logo após a repercussão inicial, a orientação interna foi de silêncio por cerca de 48 horas. A ideia era medir, por meio de pesquisas e análises de ambiente digital, o alcance das declarações antes de uma resposta mais estruturada. O objetivo era reduzir o desgaste e evitar uma reação precipitada.
Apesar da recomendação, o parlamentar acabou sendo convencido por um aliado próximo a se manifestar ainda na mesma noite. A avaliação desse grupo era de que o senador deveria adotar uma postura pública mais rápida, tentando reduzir a percepção de crise e reforçar uma imagem de conciliação.
Dentro do PL, aliados de Flávio passaram a defender “cabeça fria” diante da exposição feita por Michelle, que também preside o PL Mulher. A leitura predominante é de que a repercussão pode atingir diretamente dois segmentos considerados sensíveis para sua pré-campanha, o eleitorado feminino e o público evangélico.
O conteúdo dos vídeos surpreendeu a cúpula do partido e gerou irritação entre integrantes da sigla. Em avaliação interna, um dirigente afirmou que a ex-primeira-dama levou a público um conflito doméstico, o que, na visão desse grupo, poderia favorecer o presidente Lula em um cenário eleitoral mais amplo.
Em aproximadamente 26 minutos de gravações publicadas em duas postagens, ela tratou de articulações políticas estaduais do PL, especialmente no Ceará, onde o partido fechou apoio a Ciro Gomes. Ela também relatou dificuldades de diálogo com o senador e outros integrantes da família Bolsonaro.
Em um dos trechos mais duros, Michelle afirmou que o senador teria sido ríspido durante uma ligação telefônica. “Mas, sinceramente, para falar o que ele [Flávio] me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone, e eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem.”

Após a divulgação das falas, Flávio reagiu durante uma transmissão ao vivo, sem mencionar diretamente a madrasta. “Hoje é dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece. Vamos tratar de coisa boa, vamos tratar de futebol”, disse o senador.
No entorno do PL, a avaliação é de que a exposição das divergências internas pode afetar a pré-campanha do senador ao Palácio do Planalto. Embora parte da sigla tente minimizar o episódio publicamente, nos bastidores há preocupação com a repercussão entre eleitoras e lideranças religiosas ligadas ao PL Mulher.
O líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou confiar em uma saída negociada para a crise. Segundo ele, o partido deve lidar com o caso “com muita paciência e equilíbrio”, apesar do incômodo com a exposição pública do conflito.
Já o líder do PL no Senado, Carlos Portinho, defendeu unidade no campo da direita e pediu contenção. Ele afirmou que é preciso “lavar a roupa suja”, mas sem exposição durante o período eleitoral, destacando a necessidade de coesão para enfrentar o governo Lula.
Na avaliação do deputado Zé Trovão, a divulgação do conflito enfraquece a imagem política do grupo e deveria ter permanecido no ambiente privado. Ele também apontou risco de desgaste junto ao eleitorado feminino, considerado estratégico para a campanha do senador.
Entre aliados, há também a leitura de que ela busca reforçar seu peso político dentro do PL ao tornar pública a divergência, ampliando sua influência sobre os rumos do campo bolsonarista. A avaliação é de que o gesto também reposiciona sua atuação no debate interno da legenda.
Outro ponto de preocupação é o impacto sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se vê no centro de uma disputa entre a esposa e o filho escolhido para a disputa presidencial de 2026. Integrantes do grupo avaliam que o ex-presidente pode ser pressionado a se posicionar caso a crise avance.
Em meio às críticas, a senadora Damares Alves elogiou a postura de Michelle e defendeu abertura de diálogo. Segundo ela, a ex-primeira-dama foi “verdadeira, firme, serena e esclareceu tudo”, indicando possibilidade de recomposição.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-nova-estrategia-de-flavio-bolsonaro-apos-o-video-de-michelle/

