A preocupação de diplomatas após ameaças de Eduardo e Figueiredo

Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro. Foto: Reprodução

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro atacou e ameaçou o Itamaraty após a embaixada do Brasil em Washington negar autorização para uma coletiva de imprensa de seu irmão, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “Vocês não vão sabotar o governo Bolsonaro 2.0. Preparem-se para reformas profundas”, escreveu em sua conta no X.

No mesmo dia, o comentarista político Paulo Figueiredo publicou mensagem mais agressiva, afirmando: “Deixa eu dar um recado ao Itamaraty: em janeiro de 2027 haverá choro e ranger de dentes. Vocês passarão pela transformação mais profunda desde a sua fundação. O aparelhamento ideológico chegou a um ponto insuportável, proporcional ao grau de incompetência do órgão. Chega”.

As postagens geraram mal-estar entre diplomatas, que passaram a se preocupar com o futuro da política externa caso Flávio Bolsonaro seja eleito. Um membro do Itamaraty ouvido pela coluna de Janaína Figueiredo afirmou que a preocupação com uma eventual vitória do senador já era grande, e agora as mensagens explícitas aumentaram a tensão.

A irritação de Eduardo decorreu do “não” recebido após a campanha de Flávio solicitar o uso da embaixada em Washington para a coletiva. O pedido, enviado em e-mail ao gabinete da embaixadora Maria Luiza Viotti na segunda (25), foi encaminhado a Brasília, que orientou que a embaixada aguardasse uma comunicação oficial do Senado.

Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro ao lado de DOnald Trump no Salão Oval, na Casa Branca. Foto: Reprodução

Segundo fontes diplomáticas, a negativa ocorreu porque a solicitação não indicava que a visita seria uma missão oficial em representação do Brasil. A praxe exige que parlamentares obtenham autorização formal da Câmara ou do Senado para utilizar instalações e apoio de embaixadas brasileiras.

No Itamaraty, há uma divisão específica para lidar com relações com o Congresso, incluindo pedidos de uso de embaixadas. A embaixada em Washington aguardou o envio do documento oficial pelo Senado, que nunca chegou, levando à resposta negativa na terça-feira à tarde.

Após as publicações de Eduardo e Figueiredo, a embaixada recebeu ameaças por e-mail, incluindo mensagens afirmando que “a fúria do nosso Senhor cairá sobre a embaixada”. Em grupos de WhatsApp de diplomatas, houve desabafo e preocupação sobre o tom agressivo das mensagens, que elevaram a tensão no meio diplomático.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-preocupacao-de-diplomatas-apos-ameacas-de-eduardo-e-figueiredo/